Blog do Juarez

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Caso das agulhas: mãe de santo é inocentada, imprensa "cala"…

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Pois é companheir@s, depois da imprensa (principalmente algumas TV´s e veículos de "determinadas" igrejas) fazerem um tremendo estardalhaço com o caso do garoto da Bahia que teve agulhas introduzidas no corpo pelo padrasto como vingança contra a mãe do mesmo,  "invadido"  o terreiro da " mãe de santo suspeita" para mostrar imagens, fotos da  mesma presa, fazendo escancaradas tentativas de ligação entre Candomblé e  um  suposto "ritual  de Magia Negra" ao qual o garoto teria sido submetido, praticamente nada foi publicado após o  padrasto do menino Márcio ter sido acareado com a mãe de santo e te-la inocentado… , tendo sido a mesma libertada da prisão preventiva.

Já a notícia original teve uma repercussão enorme, milhares de notas, posts em blogs, comentários "irados" e muitos abertamente intolerantes, imputando à religiosidade afro,  uma coisa que decididamente não faz parte dela… muitos foram os comentários nesse sentido,  foram feitas também muitas contra-argumentações …, mas por qual motivo a imprensa e os "intolerantes de plantão" não dão o mesmo espaço e nem tem a mesma gana em "comentar"  o fato novo ? 

Pelo contrario, mesmo os poucos veículos de imprensa que por obrigação não puderam deixar de comentar o inocentemente, não deixaram de demonstrar o seu interesse em continuar o ataque…, sutilmente passaram a atribuir ao criminoso a referência de " Pai de Santo" ,  quando todos sabem que ele não é nem nunca o foi… (aliás essa referência a ele inexistia enquanto havia alguém para  tentar "associar"  o crime a uma "casa de santo", como não há mais … ele é quem foi  "transformado" em "pai de santo"…)  

Vide: http://correio24horas.globo.com/noticias/noticia.asp?codigo=45395&mdl=50

A verdade é que a ignorância é mãe de todo preconceito e intolerância, sabemos que em todos os grupos humanos sejam étnicos, religiosos, culturais, comunitários, profissionais, etc..,  tem gente boa e  tem gente ruim…, o problema é quando algum "desgarrado" que é visto como sendo de um grupo "inventa moda"  e os intolerantes aproveitam para tentar induzir a opinião pública que um comportamento de exceção ou fora de contexto  é a regra…; portanto é preciso, muita parcimônia e cuidado ao se  tentar interpretar esses tipos de situação, e a mídia em geral  parece não seguir essa "regra de ouro" .


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Intolerância de norte a sul, leste a oeste

 

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O informativo Eletrônico Ac24horas.com do estado do Acre, divulgou nota  (e seguindo a “tradição” brasileira de “não bater de frente”  preferindo minimizar ou ridicularizar sutilmente o que não reflete seu “padrão eurocêntrico” ) informando sobre uma recomendação  feita  publicar em diário oficial por uma Promotora de Justiça local, “proibindo” a utilização pelas igrejas evangélicas e sociedade em geral  de expressões pejorativas  e recorrentes em relação às religiões de matriz africana , como ” descarrego, macumba, encosto, bruxaria” .

Obvio que o assunto caiu também na blogosfera, causando comentários pró, contra… e como esperado algumas mal disfarçadas manifestações preconceituosas e de apoio a intolerância, é claro como em outras demandas dos afro-brasileiros cercadas de uma hipócrita aura de “defesa da constitucionalidade” , etc… , no caso o “álibi” é  a defesa do “direito de  livre expressão” (o que também tem “limites”).

Esse tipo de coisas não acontece só no Acre , mas em todo Brasil .

Apenas para esclarecer a alguns leitores:

1- Nas religiões de Matriz Africana (assim como no judaísmo), não se acredita em diabo nem inferno…, ligar Candomblé e Umbanda a Satanismo é no mínimo uma completa falta de informação (até o Papa já pediu perdão…) .

2- Não se trata de usar termos ou não.., mas da forma e com qual objetivo são utilizados, a CF garante a liberdade de culto (assim como a livre manifestação do pensamento, o que é bem diferente de mover campanhas sistemáticas de intolerância…); o proselitismo das igrejas deveria se ater apenas a “propaganda positiva” de suas “virtudes” e não ao ataque sistemático a outras religiões (cujo culto a CF garante).

3- Cabe lembrar que apesar de laico (o que não quer dizer ateu) o estado brasileiro reconhece os cultos afro-brasileiros como religião em pé de igualdade com todas as demais, inferência constatada a partir do CBO – Classificação Brasileira de Ocupações do MTE sob código : 2631-05 – Ministro de culto religioso (entre outros:Babá de umbanda , Babakekerê , Babalawô , Babalorixá , Babalossain , BabaojéDoné , Doté , Egbonmi , Ekêdi,Huntó , Instrutor de curimba,Iyakekerê , Iyalorixá , Iyamorô , Iyawo,Madrinha de umbanda , Mameto ndenge , Mameto nkisi , MuzenzaTata kisaba , Tata nkisi,Voduno , Vodunsi , etc…); portanto não há motivos para qualquer depreciação ou “citação jocosa” e diferenciada de tais sacerdotes em relação a outros…

Infelizmente no Brasil ainda é necessário criar e recriar regulamentações e “recomendações” para coisas já cristalinamente consagradas na CF e legislação, mas que por preconceito e intolerância não são respeitadas…

A CF em seu artigo 215 é clara :

O Estado garantirá a todos o pleno exercicío dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoirará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais.

§ 1º – O Estado protegerá as manifestações das culturas populares, indígenas e afro-brasileiras, e das de outros grupos participantes do processo civilizatório nacional.

§ 2º – A lei disporá sobre a fixação de datas comemorativas de alta significação para os diferentes segmentos étnicos nacionais.

A religiosidade afro faz parte da “manifestação Cultural” afro-brasileira.

Por outro lado a lei 7.716 de 1989 trata do preconceito de cor e de raça, mas em seu art. 20 torna punível a conduta de “praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de religião”

O Município de Manaus e o Estado do Amazonas, seguindo o que determina o art. 215 da CF estabeleceram em 2007 leis que criaram o Dia Estadual das Religiões de Matrizes Africanas e Ameríndias e Dia das Religiões de Matrizes Africanas e Ameríndias no âmbito Municipal , comemorados OFICIALMENTE pela Municipalidade e Estado na data de 13 de maio.

Portanto, não faltam leis que embasem ações no sentido de coibir a aberta discriminação e intolerância religiosa praticada por certas igrejas…, o que está faltando é o cumprimento das mesmas…, talvez quando tivermos algumas pessoas presas e/ou pagando altas indenizações o cenário mude… 🙂

“Tristes tempos, em que é mais fácil desintegrar um átomo que um preconceito…” (Albert Einsten)