Blog do Juarez

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Quando negr@ é má ideia…

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Ontem me deparei novamente com uma nada nova e original discussão acalorada, gerada por uma postagem em que se utilizou a expressão “página negra da História” . Nela tinha gente incomodada com o termo e indicando vínculo do termo com racismo e gente na mão contrária, alegando que tinha “nada a ver” e que a reclamação era “exagero e mimimi”.

Então, vamos por partes entender a questão.

Sim, os termos, escuridão, trevas, negro e negra, representam negatividade e “mal” na cultura ocidental muito antes da intensificação dos contatos entre europeus, africanos e o novo mundo, com o advento das “grandes navegações” (européias…,  bem dito, pois outros povos como os chineses já faziam circunavegação muito antes, africanos chegaram as Américas  muito antes também…, mas isso é outra história) da instituição da escravidão negra e tráfico transatlântico, antes da própria  “invenção da raça” por Linnaeus no XVII, logo, não são exclusivamente de cunho racista.

Ocorre porém, que aproveitando essa estigmatização tradicional do escuro e negro na cultura ocidental, é que foram escravizados e nomeados NEGROS, tanto africanos quanto os indígenas americanos…, esses últimos chamados “Negros da terra”, ou seja, existe sim uma forte ligação e tributo entre racismo e a estigmatização via a “negrificação” de “coisas ruins”.

A própria mentalidade racista introjetada, não é percebida pela grande maioria das pessoas, especiamente no nosso contexto brasileiro, que adota o metaracismo (racismo cínico, velado, e que não se admite como existente, por vezes posando de antiracismo), logo, também não percebem que manter e reforçar as estigmatizações com base na ideia generalizada de coisas negras como “ruins” e brancas como “boas”, é também um dos fatores de manutenção da estigmatização racista.

Não se trata de “riscar do vocabulário” o termo negro(a), inclusive apropriado e resignificado pelos próprios negros, mas de “se educar” para não utilizar o termo em construções negativadoras e depreciativas…, pois assim agindo se está colaborando para manter na sociedade a ideia geral de “branco é bom, negro é ruim”, o que no fim acaba refletindo na mesma visão em se tratando de pessoas, ou seja, ajuda a preservar a mentalidade racista e consequentemente as atitutudes e atos racistas. Simples assim… .

Apesar de não haver estigmatização e negatividade tradicional no termo branco e derivados, imagine-se enquanto pessoa branca ouvindo as seguintes frases: ” o lado branco da força, não pode triunfar” , “precisamos apagar essa página branca de nossa história”, ” branco destino da pobre mulher”, ” a política nos atinge como uma peste branca”, “Você está DEBRANQUEANDO a minha reputação” (denegrir significa, tornar negro, enegrecer, e não por coincidência também manchar ou sujar…) , desconfortável não ?, ver sua identificação e “cor” tão associada ao negativo.

Portanto, antes de acusar quem reclama da utilização negativadora  do termo negro, de “mimimi”, “exagero” ou “paranóia”, pare e pense na etimologia do termo, no seu uso histórico, que hoje pode e deve ser evitado, no desconforto “do outro” e principalmente no seu papel para tornar esse mundo menos preconceituoso, discrimatório e  desigual.

As línguas evoluem conforme as sociedades e as consciências evoluem, não há motivos para continuarmos usando coloquialmente termos e expressões como há 3 séculos passados, principalmente se hoje as entendemos verdadeiramente em sentido e esse sentido não é bom… .


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A proficiência, o “mérito” e a pós-graduação…

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Uma das coisas de que sempre discordei, é da generalizada visão  limitada de “mérito” que se tem na academia e fora dela, no tocante ao acesso universitário de graduação e principalmente de pós-graduação no setor público; uns enxergando o “mérito” como uma coisa absoluta e plenamente observável apenas a partir de uma pontuação obtida em provas majoritariamente objetivas (no caso da graduação),  e de prova subjetiva, acrescida de projeto (cuja a análise não é menos subjetiva) e por fim de uma entrevista (que por mais que se tente estabelecer “pontos de avaliação padronizados”) tem sempre condução  e “variáveis de valor” em nada precisamente colocadas ou medidas, ou seja, um integrante diferente na banca, um humor alterado, uma postura, enfim, um item qualquer que pode ser considerado inapropriado, dependendo da visão  de cada examinador, pode alterar radicalmente o resultado, portanto, uma avaliação não menos carregada de subjetividade.

Agora, deixando de lado a subjetividade, vamos ver o que não tem (ou não deveria ter) subjetividade alguma, ou seja, os requisitos mínimos necessários (obrigatórios); no que pese o artigo 44, inciso III, da LDB, autoriza as IES – Instituições de Ensino superior a adotarem as exigências e critérios que julgarem compatíveis com a condição de mestrando ou doutorando, é praxe em todas os PPGs de todas as IES e condição ELIMINATÓRIA, a não aprovação em exame ou não apresentação de certificado de proficiência em língua estrangeira.

Tal exame ou comprovação tem prazos que variam de edital para edital, uns pedem como última etapa do processo seletivo, outros dão prazo de um ano (ou previamente à fase de qualificação) outros exigem para a defesa da dissertação…, mas penso eu que sendo item de caráter eliminatório (portanto condição “Sine qua non”) e como “poderoso” indicador de “universalidade e potencial intelectual”, deveria vir antes de qualquer elemento de seleção aplicada, deveria ou fazer parte da documentação a ser homologada para confirmação da inscrição, ou ser o primeiro dos instrumentos avaliativos (e eliminatório), para só então seguir avaliando outros itens de “mérito”… .

Ocorre que se fosse assim (e não estou nem levando em conta a questão do nível de distanciamento da língua escolhida para o português…), de metade a 2/3 dos “selecionados” (por critérios super subjetivos) não estariam “aptos” a sequer se matricularem…, mas isso não ocorre pelo fato dos acadêmicos que defendem o “mérito”, saberem muito bem que “outros critérios mais pessoais e nublados”  já não poderiam “socorrer” as escolhas digamos “mais simpáticas”  e “perfiladas” com o padrão que entendem geralmente contemplar “os meritosos”.

Exemplo real, exame de proficiência para alunos já matriculados e cursando…:  232 candidatos, apenas 97 aprovados (41%), destes : 24 em inglês, 3 em francês e 70 em ESPANHOL… (fico imaginando a catástrofe se fosse OBRIGATÓRIA a proficiência em inglês…) .

Confesso que tenho a impressão que esses números poderiam ser na realidade mais favoráveis…, o “rigor” da correção parece ter sido exigentíssimo, fiz essa prova (que reputo como de nível intermediário), ou seja, “gostei da prova”, não vi “dificuldades” no texto nem no seu entendimento geral e em pormenores, texto simples sem muitas “pegadinhas” ( bom, pelo menos na minha concepção…, já que leio corriqueiramente longos textos em inglês em jornais, artigos em revistas, livros, web…, já atuei como “comprador internacional” [realizando contatos via email e telefone até com a China…], sou daquele tipo que assiste filme legendado e percebe diferenças entre o que foi falado e a tradução escrita… e também antecipa ou repete as falas, todas as vezes que precisei do meu inglês, inclusive fora do Brasil em países de língua inglesa, ele nunca me deixou na mão…, espanhol idem…); e mesmo assim tirei  a nota “mínima” (7.0),  sem modéstia esperava ao menos 8.5…, mas vi muitos colegas (até quem trabalha com turismo em 4 línguas…) não obterem sequer o mínimo 7.0… em inglês.

Então, com uma pedra a mais fora do caminho, vamos em frente, … NEXT !