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Mirian França deixa a prisão no Ceará, mas não está livre…

Mirian-França-liberta

O rumoroso caso em que a Farmacêutica e doutoranda em Imunonologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), presa como “suspeita” de participação no assassinato no natal passado, de outra turista em Jericoacoara-CE , a italiana Gaia Molinari, está mais perto de um final (pelo menos para Mirian,  já que pelo tempo de investigação sem que aparecesse e fosse divulgado qualquer fato ou suspeito conclusivo para elucidação do crime, indicam que pelo jeito cadeia mesmo nessa história, será apenas a questionável prisão temporária da jovem doutoranda negra… ).  Mirian foi presa temporariamente no dia 29 de dezembro (de acordo com a polícia cearense, por contradições em seus depoimentos e por ter passagem comprada para retornar ao Rio, o que segundo a delegada responsável “inviabilizaria as investigações”).

Liberada da prisão após 15 dias, período em que houve um “festival” de especulação midiática negativa por parte da imprensa (em especial a cearense) e um enorme movimento pró-Mirian nas redes sociais, notadamente por ativistas do Movimento Negro e amigos e entidades ligadas a ela, além de questionamentos  sobre  correção e necessidade da prisão em veículos de imprensa de todo o país;  porém a saída da prisão (já que não foram apresentadas provas que a incriminassem de fato, nem justificativas para a manutenção da prisão), não significa “liberdade” para Mirian, já que a mesma teve que assinar termo de compromisso que permanecerá ainda por 30 dias sem sair de Fortaleza (ou será presa de novo).

Segundo a defensora no caso, Gina Moura, Mirian não deverá ser depois disso intimada ou processada. “Cada vez mais a investigação tem se afastado de Mirian”, ainda segundo ela “As contradições relatadas, são periféricas. [..] Não dizem respeito a dados substanciais que venham a ligar Mirian a esse fato, como exatidão de horário e frequência”.

Na minha visão a insistência na manutenção de suspeitabilidade e restrições à liberdade de Mirian, já passaram do razoável e usual há muito tempo…, mesmo com afirmações de autoridades de que “tudo é técnico” e não há critérios de “perfil” (leia-se cor e origem regional) para tal, fica difícil, muito difícil mesmo acreditar que isso teria acontecido primariamente caso não se tivesse havido logo de início uma versão brazuco-cearense de “racial profiling” (Filtragem racial: a cor na seleção do suspeito), afinal, quantos doutorando(a)s e doutor(e/a)s brancos  no Brasil já foram presos “suspeitos” de assassinato ???, principalmente sem indicadores cabais de culpabilidade e apenas por contradições menores em depoimentos enquanto testemunhas ???, a excepcionalidade aparece não apenas no fato de Mirian fazer parte de uma minoria de negros e negras pesquisadores nos espaços científicos brasileiros, mas também no tratamento criminal atípico dispensado apesar disso tudo.

Tudo indica que caminhamos para o que já era esperado (não pela polícia cearense e boa parte da sua imprensa e talvez população), a definitiva liberação de Mirian sem indiciamento por absoluta falta de provas e por extrapolação de todo limite legal para se manter esse “circo de horrores”, o “Caso Mirian” ao que parece irá se juntar à galeria de outros famosos casos emblemáticos (não dá para falar dos outros inúmeros que acabaram igual ou muito pior, mas sem  exposição midiática) de “erros” e “injustiças” policiais que ocorrem  “majoritária e coincidentemente” com pessoas negras que mesmo não tendo perfil criminoso ou evidências cabais, acabam perdendo a vida (ou tendo a mesma grandemente afetada)… .

erros-policiais

Notícia sobre a libertação de Mirian:  http://www.revistaforum.com.br/blog/2015/01/justica-revoga-prisao-de-mirian-franca/

Mirian retorna para casa no Rio, polícia cearense permanece sem pistas concretas ou suspeitos para elucidar o caso… : http://g1.globo.com/ceara/noticia/2015/02/carioca-que-acompanhou-gaia-molinari-em-viagem-deixa-fortaleza.html


2 Comentários

Caso das agulhas: mãe de santo é inocentada, imprensa "cala"…

Imagem cascavilhada da web

Pois é companheir@s, depois da imprensa (principalmente algumas TV´s e veículos de "determinadas" igrejas) fazerem um tremendo estardalhaço com o caso do garoto da Bahia que teve agulhas introduzidas no corpo pelo padrasto como vingança contra a mãe do mesmo,  "invadido"  o terreiro da " mãe de santo suspeita" para mostrar imagens, fotos da  mesma presa, fazendo escancaradas tentativas de ligação entre Candomblé e  um  suposto "ritual  de Magia Negra" ao qual o garoto teria sido submetido, praticamente nada foi publicado após o  padrasto do menino Márcio ter sido acareado com a mãe de santo e te-la inocentado… , tendo sido a mesma libertada da prisão preventiva.

Já a notícia original teve uma repercussão enorme, milhares de notas, posts em blogs, comentários "irados" e muitos abertamente intolerantes, imputando à religiosidade afro,  uma coisa que decididamente não faz parte dela… muitos foram os comentários nesse sentido,  foram feitas também muitas contra-argumentações …, mas por qual motivo a imprensa e os "intolerantes de plantão" não dão o mesmo espaço e nem tem a mesma gana em "comentar"  o fato novo ? 

Pelo contrario, mesmo os poucos veículos de imprensa que por obrigação não puderam deixar de comentar o inocentemente, não deixaram de demonstrar o seu interesse em continuar o ataque…, sutilmente passaram a atribuir ao criminoso a referência de " Pai de Santo" ,  quando todos sabem que ele não é nem nunca o foi… (aliás essa referência a ele inexistia enquanto havia alguém para  tentar "associar"  o crime a uma "casa de santo", como não há mais … ele é quem foi  "transformado" em "pai de santo"…)  

Vide: http://correio24horas.globo.com/noticias/noticia.asp?codigo=45395&mdl=50

A verdade é que a ignorância é mãe de todo preconceito e intolerância, sabemos que em todos os grupos humanos sejam étnicos, religiosos, culturais, comunitários, profissionais, etc..,  tem gente boa e  tem gente ruim…, o problema é quando algum "desgarrado" que é visto como sendo de um grupo "inventa moda"  e os intolerantes aproveitam para tentar induzir a opinião pública que um comportamento de exceção ou fora de contexto  é a regra…; portanto é preciso, muita parcimônia e cuidado ao se  tentar interpretar esses tipos de situação, e a mídia em geral  parece não seguir essa "regra de ouro" .