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O tempo (por meu pai)

Juarez Clementino da Silva - *25/01/1936 +18/09/2010

Hoje completou-se um ano do passamento de meu pai,  uma figura estimada por todos que o conheceram; fez carreira militar e já na reserva  formou-se em Letras e se  pós-graduou em Filosofia,  um homem calmo, culto,  justo, muito bem-humorado e com alma de artista;  como minha homenagem publico  abaixo uma linda e contextual de suas poesias,  a qual penso que obviamente  fez para ser seu epitáfio  :

O tempo

De branco mármore e adorno reluzente

Majestoso e belo o mausoléu resplandece

Orgulhoso do olhar de toda gente

Que naquele campo santo o enaltece.

Outros sepulcros de corbelhas engalanados

No afã da gloria de seu dia

Não como ao primeiro em brilho comparados

Nem tão humildes quanto aos da periferia.

Nos fundos, marginais e desnudas covas

Escavadas em chão batido e ao relento

Resignados desde a origem em ter de suas

Somente a terra, a lua, o sol, e o firmamento.

Mas entre todos vi uma tão desprezada

Sem uma flor sequer a ornar-lhe a face

 Como se invisível estivesse ali postado

Ou ninguém mais no mundo dele se lembrasse.

Indaguei de sua sorte a triste sina

 O porquê de toda pompa do passado

Reduzir-se a aquele estado de ruína?

SIC TRANSITI GLORIA MUNDI

(Assim passa a gloria do mundo)

Respondeu-me transtornado:

Sou mais um túmulo que a insaciável traça crono devora

Ente eterno que no fundo dos séculos habita sem nenhuma piedade

Todas as coisas nele precipita.

Fui de reis, rainhas, e de toda a nobreza

Eis em mim tudo que restou da realeza.

Seus brasões, herdeiros, súditos, e seus tronos em ouro construídos

Foram por este que hoje me consome consumidos.

MAC TUB

(Estava escrito)

Porém creio que esta força que a tudo leva a destruição

Dê ao orgulho e a matéria sua real solução

Mas não apagara das gerações futuras

A lembrança daqueles que neste mundo cultuaram a

HUMILDADE, A CARIDADE E A ESPERANÇA !

                                                                                                                                                                    (Juarez Clementino da Silva)

 

 


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Adeus Pai !

1936 -2010

Hoje pela manhã meu pai, Juarez Clementino da Silva, faleceu aos 74 anos de idade em Pindamonhangaba, interior de SP; resistiu por mais de 90 dias internado devido a complicações após cair do telhado de casa.

Nascido no interior de Minas Gerais, perdeu o pai aos 9 anos e se mudou para a capital com a família, tendo passado por muitas dificuldades, se formou eletricista pelo SENAI e sentou praça no Exército, onde serviu por 28 anos, da arma de Engenharia, sua última transferência foi para o 2o. B E Cmb em Pindamonhangaba-SP em 1976, era Subtenente quando foi para reserva em 1986 e por lá ficou juntamente com a família; servi junto com meu pai por quatro anos e dei baixa poucos meses antes dele.

Homem extremamente culto, autodidata, sereno e bem humorado, de gosto refinado, falava línguas, amava cultura (incluindo a russa), História, Filosofia, música e as coisas boas da vida, tinha alma de inventor e de fato criou várias coisas; após a aposentadoria foi para a faculdade, se formou e pós-graduou em letras e filosofia.

Consciente, sempre se preocupou em trabalhar nossa auto-estima e consciência enquanto negros e sujeitos expostos ao preconceito e discriminação, foi também um militante crítico fazendo à sua maneira trabalho em prol da causa, devo muito ao que aprendi com ele.

Lembro muito de todas as coisas especiais e espetaculares que fez em nossa infância,  adolescência e juventude, foi um grande pai… e sinto muito orgulho de ter tido o privilégio de ser seu filho, o primogênito, o mais parecido em tudo  e carregar todo o seu nome.

A grande distância que nos separou regularmente nos últimos 20 anos, desde que me mudei para Manaus, também me impediu de estar lá agora com o restante da família e dos amigos para prestar as últimas homenagens; mas isso já não importa, sua alma agora liberta do sofrimento físico dos últimos meses há de estar em paz;  a morte faz parte da vida e também fico em paz aqui pois conforta saber que viveu a sua passagem terrena por período natural e da melhor forma que pôde.

Na minha fé resgatada de nossos ancestrais africanos, peço que minha mãe Yansã (que conduz os Eguns (espíritos dos mortos) ao Orun (outro mundo) ), o conduza a bom lugar para a vida após a vida.

Adeus Pai, valeu !