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Boogie Oogie, os 70 voltaram…

(Foto: Camila Camacho/TV Globo)

(Foto: Camila Camacho/TV Globo)

Ontem rolou o primeiro capítulo da nova novela das 18h da Globo, que  traz de volta o finalzinho dos anos 70, a mesma época que para a minha geração e a anterior ficou extremamente marcada como os “Dancin’ Days” (dias dançantes)  ou época da Disco (Discoteca), quem perdeu  pode  assistir online aqui.

Aliás “Dancin’ Days” foi uma novela também da Globo e que passou justamente no período retratado pela atual novela (e com certeza haverá referências…), o primeiro capítulo me trouxe uma série de lembranças icônicas muito pessoais, para  além dos carros, roupas comuns e detalhes de época; principalmente a tecnologia, já que em 1978 eu me aventurava não apenas pelas minhas primeiras saidinhas noturnas, mas também pela discotecagem amadora, em “brincadeiras dançantes” e festinhas,  como DJ, tudo que emitisse som e luz me interessava bastante 🙂 (em 1981 abri minha própria Disco e fui  DJ profissional por uns meses).

Outras coisas também foram resgatadas da memória, o bom e velho Cessna 172 Skyhawk ( avião monomotor que imperava na época, o meu quarto  de teenager era cheio de fotos de aviões, e um pouco depois, já  no começo dos 80 eu iria iniciar o curso de piloto privado),  o uniforme verde oliva do Exército (que meu pai usava ) e pouco depois eu mesmo usei um igualzinho ao  personagem  “Cabo Pedro” por quatro anos…, a gravata de crochet (febre na época).

Como não poderia deixar de ser, agora temos que falar do principal; a música e a dança…, logo na abertura, tem um pessoal dançando em uma “disco clássica”, eu só percebi um negro nessa turminha, e que por coincidência (ou não…) usando o mesmo estilo que eu usava na época, uma das minhas “marcas registradas” nas “nigths de disco”, era a boina militar, tênis, suspensórios, camisetas de lurex coladas, enfim…  :-), uma outra coisa foram os patins, eu patinava muito (até trabalhava de patins atendendo no nosso supermercadinho) só que isso já foi em 1980, no “pós-discoteca clássica”, na época  chamada de “roller disco” concomitante com a introdução do funk  (o verdadeiro, norte-americano, não confunda com o que os cariocas chamam de funk…) que por sua vez antecedeu a fase do rock nacional dos 80… .

O legal é que com a novela eu “volto forte à moda” (apesar de  na realidade eu  nunca ter saído…), ainda guardo e uso os meus discos de vinil e fitas K-7 :-).

Na moda..., tocando tudo, vinil e K-7 :-)

Na moda…, tocando tudo, vinil e K-7 🙂

A trilha sonora está bem representativa, mas obviamente devido ao limite faltaram várias  músicas fundamentais (como alguma das “As frenéticas”, Automatic Lover da Dee D. Jackson, e Bee Gees…, como é que uma novela que fala da era Disco não temna soundtrack uma única musiquinha deles sequer ???? ),  por fim (e até pelo título da novela… 🙂 ) uma outra que não deveria ter faltado de jeito nenhum, para qual dou link no final da postagem.

Confira abaixo a lista com a trilha sonora (coloquei asteriscos nas ++ imperdíveis)

MÚSICA AUTOR INTÉRPRETE
That’s the way (I like it) KC Casey/Richard Finch KC And The Sunshine Band Abertura
Celebration Kool And The Gang / Ronald Bell Kool And The Gang   *
Dance, Dance, Dance (Yowsah) Bernard Edwards / Kenny Lehman / Nile Rodgers Chic
Disco Inferno Leroy Green / Ron Kersey The Tramps  *
Don’ T Go Breaking My Heart Ann Orson (Elton John) / Carte Blanche (Bernard Taupin) Elton John & Kiki Dee
Fantasy Edddie Del Barr / Maurice White / V Barrio Earth, Wind & Fire  *
Got To Be Real Cherry Lynn / David Foster / David Paich Cheryl Lynn  *
Got To Give It Up Marvin Gaye Marvin Gaye
Heart Of Glass Chris Stein / Debbie Harry Blondie
Hot Stuff Harold Faltermeyer / Keyth Forsey / Pete Bellotte Donna Summer  *
I Go To Rio Adrienne Anderson / Peter Allen Peter Allen
If I Can’ T Have You Barry Gibb / Maurice Gibb / Robin Gibb Yvonne Elliman  *
Just The Way You Are Billy Joel Barry White  *
Love Hangover Leod Marilyn / Pamela Sawyer Diana Ross
Ring My Bell Frederick Knight Anita Ward  *
September Al Mckay / Alle Willis / Maurice White Earth, Wind & Fire  *
Three Times A Lady Lionel Richie Commodores
Your Song Elton John/Bernie Taupin Elton John
A Noite Vai Chegar Paulinho Camargo Lady Zu  *
Acabou Chorare Luiz Galvão/Moraes Moreira Novos Baianos
As Dores Do Mundo Hyldon Hyldon
Barato Total Gilberto Gil Gal Costa
Coisas Da Vida Rita Lee Rita Lee  *
Deusa Do Amor Baby Consuelo /
Pepeu Gomes
Pepeu Gomes
London London Caetano Veloso Caetano Veloso  *
Minha Teimosia, Uma Arma Pra Te Conquistar Jorge Benjor Jorge Benjor
Sossego Tim Maia Tim Maia   *

E como prometido…,  a  “faltante”  BOOGIE WITH ME (Com o duo POUSSEZ), clique e aguarde aparecer a capa do disco que toca automaticamente, senão clique no botão com símbolo de play :

http://indavideo.hu/video/Poussez_-_Boogie_with_me


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O rolezinho e a reação metaracista brazuca.

size_300_rolezinhoCom esse assunto disseminado neste final/inicio de ano, inicio as postagens de 2014, falando um pouco do  “rolezinho” (mobilização de jovens da periferia [leia-se pobres e majoritariamente negros] para “ocupação” de espaços tradicionalmente ocupados pelas classes mais abastadas e “brancas’, em especial os shopping centers).

A reação não apenas dos administradores dos shoppings (reprimindo a prática truculentamente, através das seguranças internas e com apoio de forças policiais) como o posicionamento solidário de lojistas e frequentadores e até manifestações claramente preconceituosas por parte da imprensa, desmascara completamente o que os “neo-democratas-raciais” insistem em tentar negar e “amenizar”,  o apartheid prático mas não declarado, estabelecido entre as classes hegemônicas e virtualmente brancas  e a “plebe” periférica, pobre e negra… .

Essa juventude que embalada pelo funk ostentação (que incita os excluídos do sistema a querer ser atores ativos no mundo do consumo supérfluo, a compartilhar dos espaços e símbolos dessa prosperidade acessível aos providos de “cidadania plena”), e mobilizada a partir das redes sociais (e muitos dirão: “maldita inclusão digital”) incomoda e assusta as  “pessoas de bem” que se julgam as naturalmente e  únicas habilitadas ao acesso aos templos do consumo e lazer… .

Os rolezinhos, apesar de “manifestações” pacíficas e dos jovens envolvidos e constrangidos por seguranças e policiais, até então não terem podido ser enquadrados em  nada de ilegal ou efetivamente danoso a segurança de lojistas e frequentadores,  são reprimidos baseados em… nada de concreto, apenas pelo preconceito, medo e incomodo com essa gente pobre e negra que resolveu coabitar os mesmos espaços de lazer .

Essa insurgência lembra um pouco a história de  Franklin McCain, um negro que ousou pedir café no balcão errado da América

Apenas para constar, essa aspiração ao shopping center antecede em muito ao funk ostentação, inclusive o termo “rolezinho” parece totalmente retirado do contextualizadíssimo sucesso do sinistrado grupo Mamonas assassinas, “Chopis Centis” do já longinquo 1995… :

Esse tal “Chópis Cêntis”
É muicho legalzinho,
Pra levar as namoradas
E dar uns rolêzinhos

Quando eu estou no trabalho,
Não vejo a hora de descer dos andaime
Pra pegar um cinema, do Schwarzenegger
“Tombém” o Van Daime.

Quanta gente,
Quanta alegria,
A minha felicidade
É um crediário
Nas Casas Bahia “

Como já expliquei em muitos dos meus escritos, o metaracismo é o racismo pós-moderno, cínico, velado e na maioria das vezes travestido de defesa da legalidade, da ordem, da igualdade…, sem a intermediação psicológica, violenta e declarada do racismo tradicional,  mas que na realidade nada mais é que uma tentativa de manter o Status Quo, de manter “a salvo” os recursos e espaços das classes tradicionalmente dominantes (leia-se ricas e/ou remediadas e  brancas), dos postulantes pobres e/ou não brancos a compartilhar tais recursos e espaços… .

Em tal sentido se comprova atualíssimo o que Blumer em 1939 já identificava : São quatro os sentimentos que, segundo Blumer, estarão sempre presentes no preconceito racial do grupo dominante: (a) de superioridade; (b) de que a raça subordinada é intrinsecamente diferente e alienígena; (c) de monopólio sobre certas vantagens e privilégios; e (d) de medo ou suspeita de que a raça subordinada deseje partilhar as prerrogativas da raça dominante. (GUIMARAES, 2004)

Nenhuma novidade no front…

Referências:

GUIMARAES, Antonio Sérgio Alfredo. Preconceito de cor e racismo no Brasil. Rev. Antropol.,  São Paulo ,  v. 47, n. 1,   2004 .   Available from . access on  14  Jan.  2014.  http://dx.doi.org/10.1590/S0034-77012004000100001.