Blog do Juarez

Um espaço SELF-MEDIA


Deixe um comentário

O laço branco e a violência contra as mulheres

Lá vamos nós de novo em uma reflexão que não duvido será mal entendida por algu(mas) (uns) neoativistas do feminismo (sejam mulheres ou homens).

Em 6 de dezembro de 1989, Marc Lepine, um jovem canadense de 25 anos, invadiu armado uma sala de aula da Escola Politécnica de Montreal (Canadá) e ordenou que todos os homens abandonassem o local, na sequência assassinou todas as mulheres daquela turma, 14 ao todo. Após o nefasto ato ele se suicidou, deixando uma carta na qual explicava que não admitia que mulheres frequentassem o curso de Engenharia, uma “área masculina” segundo ele.

O episódio de cruel misoginia levou homens canadenses a criar a Campanha do Laço Branco (White Ribbin Campaign), um movimento visando fomentar nos homens uma nova visão sobre a masculinidade e apoiar as demandas feministas. A data também virou Dia Internacional dos homens pela eliminação da violência contra a mulher.

Obviamente sou a favor do feminismo efetivo e repudio a violência contra a mulher, apesar de um “povo” limitado, “travado” e radicalizado entender justamente ao contrário… .

Pois bem, não sou a única pessoa, e sei de feministas que pensam da mesma forma, que a resolução ou redução do problema da violência contra a mulher, na verdade não passa pela “fruição narcísica” de homens que se colocam como “desconstruídos”, nem virá da reunião de homens voluntários e dispostos a discutir “masculinidade tóxica”. Isso passa sim por terapias COMPULSÓRIAS e PROFISSIONAIS para agressores e a disponibilização para as vítimas que se dispuserem a se desvencilhar do abuso enquanto é tempo.

Não é difícil perceber que esse tipo de homem voluntariamente “desconstruível” não é o mesmo que perpetra violências contra mulheres. Confundem machismos de baixo potencial ofensivo introjetados, com a misoginia patológica, aquela que passa pela personalidade sádica, que por sua vez proposital e preferencialmente busca e identifica mulheres com brechas de autoestima por onde podem dominar e saciar sua perversidade e prazer em humilhar e ferir lentamente, até o “gran finale”, o feminicídio.

Dois pontos a destacar, nada é absoluto, portanto, há dementes capazes de realizar sua misoginia e sadismo contra mulheres com as quais nunca tiveram relação específica ou de algum termo, assim como parte das vítimas nunca teve relação ou questões de autoestima e intimidades que fomentassem a violência sádica. Caso do evento que motivou o movimento e data citados no início.

Em resumo, apesar de achar válidas demonstrações de apoio masculino a não-violência contra a mulher, não creio que sejam efetivas as ações como o “laço branco” e suas passeatas ou discussões de masculinidade tóxica, pois elas em nada atingem os grandes e reais problemáticos. Por outro lado, em tempos em que ativistas reivindicam “lugar de fala”, como se tem feito majoritariamente de forma equivocada e beligerante contra aliados extra-recorte, é claro ser puro incentivo à “tretas” e “fogo-amigo” que consomem mais energia que a empregada contra os verdadeiros inimigos das causas.

Para finalizar, quero lembrar, reforçar e afirmar, que considero sim importante e necessário o apoio masculino no combate à violência contra a mulher, sempre a partir de premissas e ações que gerem efetividade.

Para quem lê inglês sugiro essa excelente matéria, escrita por uma feminista, sobre o assunto:

https://www.smh.com.au/opinion/it-s-time-to-shut-the-white-ribbon-campaign-down-20181021-p50b33.html


Deixe um comentário

Para rir, revoltar mulheres ou refletir ?

instinto-masculinoBom, se você é uma pessoa normal, provavelmente em primeiro momento deve ter dado umas risadinhas com a cena acima…, se é homem deve ter parado por ai…, se é mulher em um segundo momento deve ter posto o “modo revolta com a macharada” em ON e se for feminista a esta altura já deve estar se preparando para fazer uma “campanha” que inclui atirar esse pobre blog no rol de “blogs machistas” etc, etc 🙂 .

A imagem acima encontrei em uma das “andanças” pelo facebook, e resolvi comentar por lá  “bem-humorada” e brevemente mas com um pé na análise “sócio-antropológica” da coisa, e foi ai que a coisa complicou…, obviamente fui contestado em  minha linha de entendimento básica “crítica as convenções culturais X instinto masculino”, aqui só vou aproveitar para alongar um pouquinho a minha tréplica e estimular a reflexão de quem por ventura passar por estas linhas .

Antes de entrar na questão propriamente dita, só um ligeira observação, penso que assim como no meu tema mais recorrente (africanicidades e combate ao racismo), no feminismo há também posicionamentos um tanto equivocados por parte de ativistas quanto ao que venha a ser o real objeto da causa, os objetivos a alcançar e os discursos e métodos para tal…, sou solidário a todas causas (e verdadeiras causas são todas justas), e penso que o fato de discordar parcialmente de demandas arbitrárias (falsas demandas, desnecessárias ou equivocadas) não me faz “inimigo” de nenhuma delas, isto posto vamos ao cerne da questão.

A definição de homem (no sentido de ser humano) é o de “animal racional e social”, e por mais que sejamos afetados pelos códigos e posturas culturais (umas milenares outras nem tanto, umas vigentes em determinadas culturas outras não…, mas todas artificiais e “impostas” socialmente), não podemos nos afastar “racional e cientificamente” do fato simples e natural de que somos sim parte do mundo animal e que por tal estamos sujeitos a regras e características naturais comuns a outros nossos convivas não racionais…, sejam fisiológicas, ambientais, nascimento, doenças, morte, enfim…; uma dessas características são os instintos, e entre eles o de sobrevivência e o sexual…, sendo que isso não tem religião, cultura ou código legal que consiga estirpar da nossa natureza de “animal humano” com dizia Winnicott (quando muito reprimir ou fazer sublimar, mas nem sempre…), já o “sentimento feminino de posse exclusiva do macho”  e que não é comum na natureza a qual tanto já subvertemos (pelo menos não entre a nossa classe mamífera, exceção talvez para as toupeiras) é em análise direta tão “natural” e introjetado quanto o seria o racismo…, ou seja, não deveria existir já que entre os Sapiens de fato nunca configuramos diversas subespécies, nem há de fato nenhuma razão “natural” que o “justifique”, mas mesmo assim foi “inventado” e está lá culturalmente colocado nas psiques… (principalmente as ocidentais baseadas na moral judaico-cristã)….

A imagem que dá origem ao texto é obviamente uma coisinha premeditadamente feita para fazer rir… , e humor é baseado sempre em nossas desgraças e incoerências, e tentar seguir as convenções e ter dificuldades com instintos naturais é uma delas, e é disso que de maneira curta e ilustrada trata a tirinha….