Blog do Juarez

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Entenda o que tem a ver a guerra na Síria com o Brasil e Lula.

Muita gente não entende a guerra da Síria muito menos a relação do Brasil com ela, então vou tentar dar uma esclarecida básica “didática”.

Primeiro o contexto. A Síria está naquela “região complicada” do mundo conhecida por oriente médio. Cheia de conflitos milenares por conta de questões étnicas e religiosas, mas também por territórios, recursos naturais e de comércio. A partir do Séc. XX principalmente por causa do petróleo que abunda em alguns países na região. Hoje é governada por um presidente, Bashar Al-Assad, que já foi considerado “moderado” e por isso apoiado pelos norte-americanos, de olho nos seus interesses na região, só que Assad acabou virando um ditador violento, tendo problemas de insurgência interna, com vizinhos e também com o Estado Islâmico, movimento terrorista que tomou parte de seu território.

Segundo, a guerra. Nesse contexto já explicado, o presidente ditador Assad, começa a reprimir fortemente as tentativas de tirá-lo do poder e abre frentes de combate contra os insurgentes, os vizinhos e o Estado Islâmico, incluindo ai atos desumanos de perseguição e massacre contra partes da população civil síria, apanhada no meio de todo esse fogo cruzado, Assad é acusado de inclusive usar armas químicas. Os americanos deixam de apoiá-lo e passam a querer tirá-lo do poder apoiando os insurgentes (rebeldes) e formando uma coalizão com outros países com interesses na região como os britânicos e os franceses, passando a atacar alvos sírios, em especial instalações em tese relacionadas com armas químicas, tentam produzir também uma área de exclusão aérea a fim de evitar bombardeios.

Ai é que entram os russos, que também tem muitos interesses na região, principalmente petróleo…, tanto para seu uso, quanto a possibilidade de obstruir o acesso a ele por seus potenciais inimigos, ou seja, os americanos e aliados, dai ser estratégico para os russos manter um ponto de apoio “dominado” no mediterrâneo. Os russos passam então a apoiar Assad, entrando em oposição com a coalizão liderada pelos americanos. Eles tentam evitar o confronto direto com baixas nas forças da coalizão, porém funcionam como um “escudo” protegendo as forças de Assad e até participando de ataques tanto ao estado islâmico quanto aos insurgentes sírios (e reforçando, no meio disso tudo leva a pior partes da população civil vista como apoiadora dos rebeldes, exposta a bombardeios, sitiamentos e atrocidades como ataque químico, fora os ataques do Estado Islâmico, hoje praticamente eliminado na Síria).

Terceiro, o Brasil nessa história. Muita gente acha que o Brasil é um “eterno aliado norte-americano” e que nessa guerra o “nosso lado” é automaticamente o mesmo deles certo ?, ERRADO !.. . Apesar de obviamente não apoiarmos a violência e atrocidades de Assad, principalmente contra os civís, e também de termos uma tradicional relação de parcerias econômicas-culturais e aliada militarmente aos norte-americanos, na verdade hoje SOMOS GRANDES PARCEIROS DOS RUSSOS, e não apenas deles mas também dos CHINESES, junto com os indianos e os sulafricanos, em uma aliança econômica chamada BRICS, palavra formada pelas iniciais em inglês dos países da aliança (Brasil, Rússia,Índia,China e África do Sul), também é uma “referência irônica” à palavra “BRICK” que tem quase o mesmo som e em inglês quer dizer tijolo ou BLOCO, ou seja, potencialmente um bloco econômico como hoje é União Européia.

A expectativa é que uma vez encerrada a guerra da Síria, com a vitória de Assad apoiada pelos russos, os BRICS sejam os responsáveis pelos investimentos para reeguer e reestruturar o país, ou seja, negócios que ultrapassam os US$ 200 BILHÕES…, o que aquecerá e movimentará fortemente a economia dos cinco países da aliança, da qual faz parte o Brasil, portanto, estamos na verdade do lado dos russos, não dos norte-americanos.

Essa poderosa “aliança fora do eixo” (dos 5 países o Brasil é o único a não ter bomba atômica, apesar de também dominar tecnologia nuclear) que “ameaça” não apenas a posição européia como player global, mas também e principalmente a liderança econômica norte-americana, dai a ideia incomodar tanto lá por Wall Street e Washington… .

Quarto, e o Lula a ver com isso ?. O BRICS foi fundado em 2006, sob forte articulação e liderança do então presidente Lula, não à toa foi chamado de “O cara” por Obama e não à toa justamente dos EUA vem o maior interesse em neutralizar “O cara”… . Em uma época em que Rússia e China cada vez mais se abrem para um “capitalismo controlado”, e depois de 3 governos e meio do PT, sendo 2 de Lula no mesmo caminho e com grandes avanços sociais, só um completo alienado ou doutrinado por uma direita burra e desonesta ainda enxerga “perigos comunistas” no Brasil , vindo de Lula ou mesmo do PT, isso não existe.

O que existe é um capitalismo selvagem liderado pelos norte-americanos querendo dominar todos os recursos do planeta (com os neoliberais brasileiros, leia-se PSDB, Temer e aliados, entregando os nossos, como o petróleo do pré-sal, empresas nacionais e mercados, tudo “de bandeja” para o capital estrangeiro) e uma oposição à isso querendo tornar o Brasil em “cachorro grande” nessa briga, em “macho alfa”, não aquele subdesenvolvido que além de não “mandar” nada, ainda é abusado à vontade…, foi Lula, um “da Silva” , quem botou o Brasil nessa condição de grande “global player” (grande jogador global), e por isso não será perdoado, inclusive pela elite brasileira entreguista com “síndrome de vira-latas” e ridiculamente subserviente ao “império”.

Portanto, o interesse do Brasil como de boa parte do mundo é que a guerra na Síria e suas atrocidades acabem logo, tem gente torcendo para que seja com a queda do ditador Assad e o domínio dos americanos, porém o que se delinea é que a vitória será de Assad e dos russos, favorecendo por tabela também ao Brasil, infelizmente o preço da paz passa pela manutenção do ditador no poder, mas no momento alcançar a paz é a prioridade.

É isso…


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E de novo é 11 de setembro

Todo ano quando chega a data é impossível não lembrar daquela manhã de 2001, acordei com um telefonema “liga a televisão, agora !”, o fiz sonolento ainda a tempo de assistir o choque do segundo avião, que como acho que todo mundo achei inicialmente que era replay.

A frase “o mundo nuca mais será o mesmo” não era de puro efeito, naquele dia o mundo percebeu que absolutamente nenhum país (inclusive o antes imaginado invulnerável EUA) estava fora do alcance do terrorismo (em especial o do extremismo islâmico).

Constatamos hoje, 14 anos depois, vendo o surgimento de novas e poderosas organizações terroristas como o EI (ISIS) e atentados  também no Oriente Médio, África, Europa, Ásia Meridional (incluindo Índia e Paquistão) no Sudeste Asiático e até frustração de atentado na Austrália, que realmente tudo pode acontecer e em qualquer lugar.


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Fidel profeta? , 1973 : “Estados Unidos dialogará com Cuba quando tiver um Presidente negro e houver um Papa latino-americano”

Montagem by Blogdojuarez

Montagem by Blog do Juarez

Correndo ai pela web, e não poderia deixar de registrar aqui no blog .

Era o ano de 1973 e Fidel Castro, Primeiro Ministro de Cuba, retornava de uma visita ao Vietnã  antes do final da guerra, quando em um encontro como jornalistas internacionais, foi perguntado pelo britânico Brian Davis, “Quando acredita que poderiam se restabelecer as relações entre Cuba e EUA ? “, memorialistas registram que nesse momento Fidel com um olhar fixo no interlocutor, falou bem alto, de modo que todos presentes puderam ouvir : ” Estados Unidos vendrá a dialogar con nosotros cuando tenga un presidente negro y haya en el mundo un Papa latinoamericano” (acho que não precisa tradução mas…, basicamente disse “Quando os EUA tiverem um presidente negro e o Papa for latino-americano”), o que na conjuntura só poderia ser interpretado como uma resposta grandemente irônica .

O vaticínio soou como pilhéria para a maioria, já que ambas as condições pareciam ser pouco prováveis (pelo menos em curto espaço de tempo), principalmente quando sincronizadas.

Passados 42 anos as palavras de “El Comandante” se confirmam, claro que se não havia como saber se e quando os eventos do presidente negro e do papa latino-americano ocorreriam, ao ocorrerem não deve ter sido muito difícil convencer ambos que a segunda parte da profecia já não dependia do acaso, mas da boa vontade, primeiro do Papa em funcionar como facilitador desse diálogo e depois de Obama em marcar esse ponto histórico, e de quebra atribuir ao líder cubano mais um elemento “messiânico” à sua já legendária figura, o de Profeta… .


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+ Cinema em casa…

Em tempos de grana curta a melhor coisa é ficar em casa curtindo uns bons filminhos…(carinhosamente falando… ;)), exercitando uma das minhas multifacetadas características (a do "cinéfilo indicador" :D), ai vão duas indicações quentes:

Simplesmente demais…, com dois ganhadores do Oscar dividindo cenas…, a história revela alguns detalhes pouco conhecidos dos brasileiros comuns, como a existência de diversas faculdades exclusivamente para negros nos EUA dos tempos da segregação e a própria utilização massiva em Inglês da palava Negro  (assim mesmo como escrevemos e com pronúncia um pouco diferente, algo como ' Nigrou '…) ao invés de "Black", é que a palavra Negro tanto em inglês quanto português quer dizer "descendente de escravos"…, não é um sinônimo para preto que quer dizer  pessoa com aparência "padrão"africana, voltando ao filme, é baseado em uma história real, da equipe de debates de uma pequena faculdade para negros do Texas, que se tornou a campeã nacional e  imbatível de debates acadêmicos por 10 anos, competindo também com "universidades brancas" em uma época  de forte preconceito e discriminação, vencendo inclusive a respeitada Universidade de Harvard.

Recomendadíssimo !

O segundo, vai em uma linha diferente:

Maravilha de comédia romântica, leve e que arranca muitas gargalhadas com situações que muitas mulheres vivenciam na realidade, por conta da ansiedade para arranjar um relacionamento , mante-lo ou mesmo tentar cair fora… , hilário, só de ter o excelente Ben Afleck e a  "ternurinha" Drew Barrymore (de as Panteras) já vale a pena …

Recomendadíssimo


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E se fez "a vida"…, será ?

 

Ontem, explodiu na imprensa "a bomba" , Cientistas no EUA, criaram o  primeiro organismo vivo (célula ativa), a partir da combinação de substâncias químicas… .

Na realidade o evento tem um grande impacto e importância mas não é "exatamente" o que a imprensa alardeou (ou pelo menos o que se deu a entender pelas manchetes) .

O que aconteceu não foi " a vida a partir do zero" mas a ATIVAÇÃO de uma "célula oca" criada a partir de manipulação genética e "preenchida" a partir da combinação de substâncias químicas  em uma sequência de DNA criada  por computador, gerando uma célula que se reproduz, mas que  não teve um ancestral direto completamente natural, ou seja, um novo organismo vivo sem precedentes.

De qualquer forma é um avanço científico magnífico e  abre a perspectiva para  muitas aplicações, como "programar" a criação de novos organismos com características interessantes dos pontos de vista médico, ambiental,  social e econômico…  .

Resta apenas lembrar que toda tecnologia (o resultado prático da pesquisa científica), pode ser utilizada tanto para o bem quanto para o mal… (e isso não é  "virtude" nem "culpa" da mesma e sim da índole humana). é exatamente como a utilização das "energias" (que são "amorais"), quem as faz  "boas ou más" é a utilização determinada pelas pessoas… .


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Coincidência ou inspiração ?: Thomas Vivien e Hamilton Naki, da limpeza à cirugia cardíaca.

Assistindo ontem ao DVD do filme ” Quase Deuses”  (título original: Somethig the Lord made) que narra a história dos protagonistas da primeira cirurgia cardíaca direta bem-sucedida (ocorrida em Baltimore nos EUA  em meados dos anos 40), me veio imediatamente à cabeça a história de Hamilton Naki.   Sul-africano negro que em plena era do apartheid,  de faxineiro de centro de pesquisas se tornou o “braço direito” de Christiaan Barnard,  médico sul-africano branco, responsável pelo primeiro transplante cardíaco  do mundo em 1967 (no primeiro transplante da equipe o paciente sobreviveu 9 dias…, no segundo 19 meses, no terceiro em 1969, a paciente teve 24 anos de sobrevida).

As “coincidências” das duas histórias são muitas…; pelo lapso de tempo e repercusão da primeira, área profissional, contexto histórico e detalhes, fica a impressão que o Dr. Barnard se “inspirou”  na história de sucesso da parceria entre o Dr. Alfred Blalock e seu assistente  negro Vivien Thomas e “reproduziu” a mesma ao oportunizar Hamilton Naki (o efeito da “oportunização” também foi muito proveitosa para Barnard…).

Em linhas gerais, trata-se da história de geniais médicos pesquisadores de novas técnicas, que vivendo em ambientes de forte e oficial segregação racial, observaram em auxiliares negros  sem qualquer formação na área, a inteligência e aptidões  extraordinárias para a pesquisa e cirurgia; não obstante a “oportunidade oferecida”, aparentemente não se preocuparam (ou não foram muito enfáticos em contrariar  “o sistema”) em reverter a situação social de seus habilidosos e importantes assistentes, bem como “colaboraram”  no “ocultamento oficial”  dos mesmos.

Tanto Vivien quanto Hamilton, permaneceram sujeitos a injustiças como cargos e salários muito inferiores aos das habilidades e funções desenvolvidas, restrições sociais, não reconhecimento oficial, excluidos das fotos de equipe, etc… .

Ambos atuaram não apenas como cirurgiões mas também como PROFESSORES dos melhores profissionais da área em seus países. Somente com o fim oficial dos sistemas segregacionistas é que ambos puderam ter seu valor reconhecido publicamente (para Vivien, bem antes e mais), antes do final da vida ambos receberam títulos de Doutor por Notório Saber.

A mensagem que fica é que a diversidade e oportunidade ao talento podem ser muito produtivas.

Vale a pena, conhecer melhor essas duas histórias.

Dr. Vivien Thomas 

Dr. Hamilton Naki

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

E óbvio recomendo o filme …