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Pantera negra (o filme) : O que aprendemos em Wakanda ?

A partir da nossa última postagem (sobre a polêmica do “blackvoice” na dublagem do filme) recebemos uma solicitação para fazer uma resenha crítica sobre o filme em si (BAIXO SPOILER…), o interesse seria obter uma crítica a partir da visão de um ativista negro, o que certamente difere da de um espectador mais familiarizado ou preocupado com a temática dos super-heróis, da Marvel, ou do cinema em geral.

Desafio aceito, começamos por chamar a atenção para o fato do filme ter uma se não declarada, ao menos óbvia intenção afirmativa, o próprio personagem título e o fictício reino africano de Wakanda surgem timidamente no início dos anos 60 e ganham maior peso no rastro do movimento “blackexploitation” ou “blaxploitation” direcionado aos filmes, mas que atingiu também as HQs na década de 70. O fato de estar sendo chamado de filme mais politizado da Marvel não é à toa, tudo no filme caminha nesse sentido, desde a escolha do diretor (afroamericano) até a centralidade do enredo em Wakanda, o que obrigou a escalar um elenco majoritariamente afroamericano ou africano e introduzir na trama referências à valores culturais africanos que vão desde a estética até a filosofia, contrapondo a algumas  percepções afrodiaspóricas.

Passando um pouco pelo que já foi dito em todas as muitas críticas já disponíveis, o filme é excelente em imagens, figurinos, trilha sonora, efeitos, atuações, etc…, o que vale destacar é que contrariando a tradição Marvel entrega menos ação, mas quando entrega é da boa, concentrando-se porém nos diálogos e cenas que introduzem o espectador no mundo e perspectivas dos wakandianos, essa estratégia é sensacional, pois o espectador “se apropria”, torna Wakanda sua também, passa a fazer parte dela e enxergar mais criticamente “os outros” (ou seja, nós mesmos em nossas mentes ocidentais e colonizadas). Para ficar mais claro, comparemos com a Asgard de Thor, creio que pouca gente fora dos países escandinavos se identificou como “asgardiano”, mas gente do mundo todo e de todas as cores e origens se sentem ou gostariam de ser de Wakanda.

Vou me abster de comentar individualmente os personagens, isso tem por ai aos montes, importa dizer que eles mais do que estereótipos, são tal qual na tradição dos panteões mitológicos africanos, arquétipos, representações de tipos humanos com suas virtudes, defeitos e vicissitudes, aos quais tanto podemos associar outras pessoas, como nos identificar total ou grandemente. Assim como nas tradições de matriz africana, essas forças antropomorfizadas em deuses, heróis divinizados  e em arquétipos aos quais estão vinculadas as pessoas “comuns”, seguem a lógica do amoral ou de que nada nem ninguém é absolutamente bom ou mau, mas apenas circunstancialmente.

Do ponto de vista filosófico e cultural, impressiona, e é um “recado” a perfeita integração entre tradição, modernidade e tecnologia. Nesse ponto choca e dá um “tapa na cara” dos que pela mentalidade eurocentrada, não conseguem conceber que tradições tribais e cosmovisões de povos não-europeus/europeudescendentes, são valores civilizatórios que não significam atraso, inferioridade ou incompatibilidade com o desenvolvimento e as tecnologias mais avançadas. O filme também toca em questão importante na africanicidade, o respeito à ancestralidade e a espiritualidade altamente integrada à natureza, coisa talvez pouco estranha para os afroamericanos ou colonizados de todo o mundo, que acataram quase integralmente os valores e premissas judáico-cristãs, porém nem tanto para os  africanos, os afrodiaspóricos latino-caribenhos e os que orbitam a religiosidade afro. A questão de gênero não fica de fora, as mulheres poderosas, guerreiras, as relações e sinergia entre os gêneros é algo que se evidencia, referência aos efeitos da tradição matriarcal em muitos povos africanos.

O filme está cheio de metáforas, que poderão ser entendidas ou não, dependendo do grau de consciência e informação prévia do espectador, bom exemplo é a divisão das tribos que formam o povo do reino, o povo da fronteira é o que o mundo enxerga de Wakanda, terceiro mundo, um povo simples (visto como pobre), de fazendeiros e extrativistas, produtores de commodities, que trocam com vizinhos, um lugar que nada colaborou ou pode colaborar com o avançado mundo ocidentalizado. Essa não seria uma errônea visão geral que se tem da própria África em si ?, visão que ignora  o que realmente houve e há em África ?. Wakanda é a África, que a maioria do mundo desconhece, só enxerga folclórica e superficialmente e da qual não se espera nada de positivo ou útil.  Há tiradas sensacionais com a ignorância ou surpresa de quem tem uma visão estereotipada da África, tipo:

“Estamos em Wakanda ??? “

“-Não, é Kansas…”

Uma alusão à surpresa personagem Dorothy ao se ver na terra fantástica de OZ , no conhecido filme “O mágico de Oz”, ou seja, certas realidades seriam mais difíceis de crer que as fantasias criadas em torno delas, caso do continente africano. Na mesma cena é importante notar o tratamento dado ao personagem branco com um “Ei! COLONIZADOR não toque em nada…”, óbvia alusão ao estrago feito (e ainda possível) no contato dos brancos com as coisas africanas que desconheciam ou desconhecem, uma outra fala crítica no sentido da estereotipação africana e que talvez passe despercebida para muitos é justamente “Desculpe majestade, mas o que é que um país de terceiro mundo e de fazendeiros tem a oferecer ao mundo ???” .

Pantera negra dá uma “cutucada na ferida” na questão africano x afrodiaspórico, em cenas em que  os governantes wakandianos  demonstram que enxergam como seu povo apenas os próprios wakandianos, enquanto os afrodiaspóricos se enxergam panafricanamente como do mesmo povo de Wakanda, porém desconsiderados, abandonados e deixados à mercê dos colonizadores no passado e no presente, embora não exatamente, essa é uma questão atual que perpassa as reflexões nos movimentos negros. a identidade africana X afrodiaspórica. O filme também não deixa de cutucar outras questões atuais como na fala “governantes sábios constroem pontes, os idiotas constroem muros…”, para bom entendedor… .

No mais há muitos diálogos que expõem questões do campo de relações sociais e raciais, questionam estereótipos e apresentam perspectivas mais desejáveis para a vida no planeta.

Não poderia deixar de tocar brevemente na questão versão legendada X dublada, particularmente não gosto de filme dublado algum, mas esse em especial perde muito com a dublagem, pois o trabalho dos atores na incorporação de sotaques e timbres africanos é primoroso, um dos pontos altos do filme, e que se encaixa na pretensão afirmativa dele.  O modo geral de falar inglês dos africanos e também suas próprias línguas, é importante para imergir cinematograficamente em uma África mais realista e menos caricata, a dublagem brasileira simplesmente dá um bypass nisso, não se preocupa ou não consegue transpor essa africanicidade no falar para o português…, isso devido ao “blackvoice”. Bom exemplo é a personagem Shuri, a adolescente nerdíssima, irmã do Rei T’Chala e responsável pela inovação na tecnologia wakandiana, que na versão original possui uma voz algo grave e rascante, mas que na dublagem fica parecendo a de uma patricinha branca de Beverly hills… . Já nem acho mais que seria apenas o caso de melhor aproveitar timbres e vozes negras brasileiras na dublagem, sendo mais radical, fomentaria também a inclusão no mercado brasileiro de dubladores lusoafricanos, tenho certeza que as produções ganhariam muito com isso, é certo que ainda não temos tantos filmes com personagens africanos, mas as coisas estão evoluindo… .

Pantera negra é um filme que mostra possibilidades, trabalha para mudar mentalidades, tanto na trama quanto na sua própria produção, é paradigmático.

Por outro lado, acaba por mostrar o quão distantes estão a realidade americana e a brasileira, enquanto nos EUA a repercussão tem clima de avanço e crítica virtualmente toda positiva (não falemos da esperada reação “whitetrash”), no Brasil se abrem polêmicas e críticas em todas as direções, algumas justificadas e outras vazias ou de puro reacionarismo, provando que temos problemas de representatividade que ainda são subterrâneos, ou seja, pouco visualizados, e temos também um metaracismo galopante, que se apresenta na forma de críticas aos que problematizam o filme a partir de uma perspectiva das relações raciais, essa reação é percebida sempre e principalmente nas caixas de comentários, o melhor observatório do racismo brazuca.

Enfim,  já sou mais um cidadão de Wakanda.

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“Guardiões da galáxia”, o filme e sua super trilha sonora

guardioes-geral

Filmaço da Marvel, que começa com a cena de morte da mãe do personagem principal Peter Quill (Chris Pratt) o “Star Lord”, ainda criança na terra e pouco antes de ser abduzido (junto com seu inseparável walkman…) por uma nave alienígena.

Após um salto  de tempo de 26 anos  Quill  reaparece já como um “saqueador espacial”  (um “caçador” e negociador de artefatos antigos de alto valor, algo como um “Indiana Jones high tech” e “fora-da-lei”…) a serviço de  Youndu (Michael Rooker) o  “durão-bonzinho-fora-da-lei” alienígena que o abduziu…; a partir dai a trama se desenrola até a formação do quinteto improvável formado por Quill, o guaxinim falante e super gênio caçador de recompensas Rocket Racoon ( uma animação
CGI) e seu parceiro Groot (um misto de árvore e humanóide, que só fala “I am Groot” com entonações variadas, também feito por CGI) , Gamora (Zoe Saldana) uma alienígena humanóide verde e perigosa assassina a serviço dos vilões e que muda de lado, e por fim o musculoso alienígena humanóide Drax, o Destruidor (Dave Bautista),  o enredo faz um mix muito interessante de ficção ao estilo “star wars”,  comédia e muita ação.

Agora um dos pontos altos, a trilha sonora um tanto não usual em filmes “espaciais”, pois além dos temas exclusivamente instrumentais  incidentais compostos especialmente para o filme, uma seleção de hits super dançantes dos anos 70 e 80 que constam da fita K-7  nominada de “AWESOME MIX VOL 1”, que o “mocinho” Quill ganhou da mãe e o acompanha em todos os momentos em seu inseparável Walkman (ou no Tape deck de sua nave) e que se encaixam perfeitamente em várias passagens do filme, ou seja, um “herói espacial” que ouve música terráquea e que boa parte das pessoas conhecem é uma coisa praticamente inédita, que eu me lembre o mais parecido com isso seria o que ocorre no filme Oblivion, em que o personagem Jack Harper (Tom Cruise)  em seu refúgio ouve vinis do Procol Harum’s, Led Zeppelin, Rolling Stones e Duran Duran, só que apesar de ter componentes “espaciais” e de ficção científica, o filme se passa na própria Terra (desolada após um guerra com alienígenas) em um futuro cerca de 60 anos adiante do nosso tempo, portanto um contexto diferente.

Todas músicas muito legais, mas com Come and Get Your Love do Redbone  e  I Want You Back  do Jackson Five  é difícil ficar parado… 🙂

Veja o trailler e volte para ouvir a trilha sonora :

https://www.youtube.com/watch?v=z9MJXfTAdqI

Clique na imagem abaixo para a trilha Awesome mix Vol. 1 ,  depois é regular o grave e o agudo, aumentar o som e sair dançando 😉

tapelist-awesomemix


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Programa Na Moral: Racismo; e ai ? valeu ?

Snapshot do Programa Na Moral (sobre racismo, em 10/07/2014)

Snapshot do Programa Na Moral (sobre racismo, em 10/07/2014)

Escrevi esse post após ter visto alguns comentários de outros ativistas negros no facebook  sobre o programa  de TV comandado pelo Pedro Bial  e exibido na noite de 10 de julho de 2014 (ontem),  bem como, depois de ter também comentado por lá (aliás apaguei o comentário feito sem ter visto o programa, e refiz após assistir pela web no site do mesmo, afinal, quem combate o preconceito, não pode se deixar levar pelos próprios preconceitos e nem opinar sem conhecimento de causa, então sem medo de ser feliz, fiz a coisa certa… fui ver para opinar corretamente e alterei sim o meu primeiro entendimento/comentário).

Primeiramente, analisando a visão e discurso dos ativistas (de que o programa “não prestou” e não atendeu as expectativas), penso que há equívoco na avaliação, enquanto ativista até compreendo as críticas, afinal, somos todos pessoas envolvidas com a discussão temática há longo tempo ou dedicamos ao estudo do assunto bom tempo de nossas vidas, compreensível portanto, que esperemos sempre um volume de informações e  abordagens mais veementes e combativas…, ocorre que uma das coisas que aprendi na minha pós-graduação em Educação a Distância, é que todo curso (ou evento de cunho “educativo”, e um programa do tipo tem esse cunho) tem que ter um “desenho instrucional” (projeto da forma como será apresentado) compatível com o público-alvo e aproveitando os melhores recursos do meio empregado (no caso a televisão), dai vem a “decepção” de boa parte dos ativistas que “esperavam mais” do programa.

Em segundo, quero dizer que enquanto experiente palestrante sobre o tema, sei  muito bem que ouvir sobre racismo e efeitos, é uma coisa que não agrada muita gente (o brasileiro em geral acha “incômodo” falar sobre racismo, não se acha racista e acha que “sabe tudo” sobre o assunto), se é uma programação anunciada com esse fim, não junta muita gente… e se está “embutida” em uma outra atividade não específica sobre o tema, muitas  pessoas simplesmente se levantam e vão embora na hora que se começa a tratar do assunto…, logo,  é preciso muita criatividade, domínio de palco e principalmente das informações a serem passadas, para “segurar”  até o fim quem ficou… ; em se tratando de um programa de TV, é preciso compatibilizar a forma e as informações a serem passadas, primeiro com o formato do programa e o televisivo e segundo com a “paciência” do público, afinal TV vive de audiência…  e  fazer uma coisa “pesada e maçante” não é a melhor forma de conseguir e manter isso.

Em terceiro, fazendo uma análise das falas (inclusive as do Bial), penso que no contexto e tendo em vista o público-alvo, foi sim positivo…(não completo nem “preciso”, mas efetivo) no sentido de pelo menos “abrir a cabeça” de muitas pessoas, para pelo menos a legitimidade e necessidade da discussão da temática, de que a coisa existe sim, não é “papo de complexado”, de quem  “vê pelo em ovo” , nem de quem “se vitimiza sem razão”, as pessoas devem ter entendido pelo menos a violência psicológica que o racismo impõe aos jovens negros e negras, que a baixa-estima  não é um “auto-racismo”  voluntário e ideológico, mas efeito de uma construção social de opressão secular, que a cor é sim motivo de embarreiramento social no Brasil, e que estamos muito, mas muito atrás por exemplo dos norte-americanos (e que ironia, eles sendo vistos como  verdadeiramente racistas enquanto o brasileiro não enxerga o seu próprio racismo), ou seja, “didaticamente” , o programa abriu portas para o aprofundamente da questão, talvez menos pessoas “fujam” quando derem de cara comigo ou outros ativistas em uma palestra sobre a questão… ou entrem com uma visão menos negacionista em uma discussão virtual.

Para finalizar, digo que as participações de  quase todos (Ailton Graça, Zezé Motta, Taís Araújo, Joel Zito ) foram excelentes (dentro é claro das condições de um programa desse tipo e da condução dada pelo Bial), a do Diretor Daniel Filho não  foi ruim, mas pecou muito pela invenção da “desculpa fajuta” sobre a participação do ator Sérgio Cardoso (branco pintado de preto para interpretar o personagem principal) na novela ” A cabana do Pai Thomás” (1969), aliás a verdadeira história e motivos estão na página 92 do livro “A Negação do Brasil: o negro na telenovela brasileira” de Joel Zito Araújo (que participou do programa e por motivos óbvios não pode polemizar  a questão),  quanto a participação do Tiaguinho, não poderia ser diferente… bem fraquinha, mas também não se pode esperar muito dessa geração de pagodeiros e jogadores de futebol  negros, que além de faturarem alto e terem fama (reduzindo bastante a sua percepção do racismo e seu envolvimento sério com o antiracismo) tem como “ícones” pessoas como o cantor Alexandre Pires…

Enfim, não foi o que poderia ser, com quem poderia ser, nem o ideal a partir de uma visão ativista mais experiente, porém entre o zero absoluto e o meta-racismo kameliano clássico que impera na rede, penso que se não foi muito, pelo menos o saldo foi positivo.

No link abaixo tem os vídeos do programa, quem ler isso passado muito tempo vai ter que fazer busca pelo termo “racismo”  ou pela data ” 10/07/2014″.

http://gshow.globo.com/programas/na-moral/


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Olavo de Carvalho: um filósofo para racistas e idiotas

burro-olavista

Nas “andanças” pela web hoje (feriado em Manaus, devido ao jogo da copa do mundo entre Suiça e Honduras, último da série de quatro jogos destinados para a arena Amazônia), me deparei com um excelente texto do Historiador Bertone Sousa em seu blog (o qual entra agora para o meu blogroll).  Raramente reproduzo integralmente ou dou link para artigos de opinião de outros aqui no blog, mas tem alguns textos que são tão bons e relevantes que dói na consciência, não pelo menos indicar a leitura…, e este aqui eu dou como recomendadíssimo :

http://bertonesousa.wordpress.com/2012/10/28/olavo-de-carvalho-um-filosofo-para-racistas-e-idiotas/

 


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Filme “Vista a minha pele” ; vale a pena assistir…

Eu tenho esse filme em VHS faz tempo e sempre “me esqueço” de converter para DVD, hoje por coincidência encontrei uma versão online hospedada no myspace, o filme é curto (15 minutos + 11 de extras) e pelo menos para mim carregou extremamente rápido (extremamente mais rápido que videos do youtube).

O curta é nacional e para ser visto com atenção nos detalhes, mostra a “história invertida”, onde os negros são a classe dominante e os brancos foram os escravizados. Os países pobres estão na Europa, enquanto os países ricos são em maioria africanos.
A personagem principal é Maria, uma menina branca, pobre, que estuda num colégio particular com bolsa de estudos pois sua sua mãe é faxineira da escola, Maria é “esnobada” e sofre hostilidades da maior parte dos seus colegas, por sua cor e por sua condição social. Como amiga possui apenas Luana, uma menina negra filha de um diplomata (vivido por Aílton Graça).

O filme é light mas “choca” as pessoas não afeitas à temática e que normalmente preferem ignorar ou minimizar o racismo no Brasil; pois é impossível não “se incomodar” e até ” se revoltar” ao ver cenas “estranhas” em que os “papéis” e detalhes corriqueiros de brancos e negros na sociedade são meramente invertidos; excelente ferramenta para o trabalho e estímulo da discussão sobre a temática do racismo, principalmente com adolescentes.

http://mediaservices.myspace.com/services/media/embed.aspx/m=46707362,t=1,mt=video


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+ Cinema em casa…

Em tempos de grana curta a melhor coisa é ficar em casa curtindo uns bons filminhos…(carinhosamente falando… ;)), exercitando uma das minhas multifacetadas características (a do "cinéfilo indicador" :D), ai vão duas indicações quentes:

Simplesmente demais…, com dois ganhadores do Oscar dividindo cenas…, a história revela alguns detalhes pouco conhecidos dos brasileiros comuns, como a existência de diversas faculdades exclusivamente para negros nos EUA dos tempos da segregação e a própria utilização massiva em Inglês da palava Negro  (assim mesmo como escrevemos e com pronúncia um pouco diferente, algo como ' Nigrou '…) ao invés de "Black", é que a palavra Negro tanto em inglês quanto português quer dizer "descendente de escravos"…, não é um sinônimo para preto que quer dizer  pessoa com aparência "padrão"africana, voltando ao filme, é baseado em uma história real, da equipe de debates de uma pequena faculdade para negros do Texas, que se tornou a campeã nacional e  imbatível de debates acadêmicos por 10 anos, competindo também com "universidades brancas" em uma época  de forte preconceito e discriminação, vencendo inclusive a respeitada Universidade de Harvard.

Recomendadíssimo !

O segundo, vai em uma linha diferente:

Maravilha de comédia romântica, leve e que arranca muitas gargalhadas com situações que muitas mulheres vivenciam na realidade, por conta da ansiedade para arranjar um relacionamento , mante-lo ou mesmo tentar cair fora… , hilário, só de ter o excelente Ben Afleck e a  "ternurinha" Drew Barrymore (de as Panteras) já vale a pena …

Recomendadíssimo


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Abril demite editor da NG, que denunciou pelo Twitter racismo da Veja.

Já está rolando na blogosfera a notícia… que reproduzimos abaixo a partir  de uma entrevista concedida ao portal imprensa  e ao blog do Altino Machado, interessante é que um dos nossos últimos posts foi justamente sobre racismo ambiental,… antes da infeliz matéria da Veja sobre supostas farsas para demarcação de terras indígenas e quilombolas, que causaram grande repercussão e repúdio inclusive da ABA- Associação Brasileira de Antropologia; não fizemos post sobre o ocorrido., mas ai vai a questão da demissão de Milanez:

Uma crítica à revista Veja, feita no Twitter, provocou a demissão, nesta terça-feira (11), do repórter fotográfico Felipe Milanez, editor-assistente da revistaNational Geographic Brasil. As duas publicações são da editadas pela Abril.

"A decisão me foi comunicada pelo redator-chefe Matthew Shirts. Ela veio lá de cima e ainda estou zonzo ainda porque não imaginava que minha opinião fosse resultar nisso", declarou Milanez ao Blog do Altino Machado.

O editor-assistente fez acusações contundentes à Veja devido à preconceituosa matéria "A farsa da nação indígena", que deturpava o sentido da delimitação de reservas indígenas e quilombos no país. "Veja vomita mais ranso racista x indios, agora na Bolivia. Como pode ser tão escrota depois desse seculo de holocausto?", registrou Milanez no Twitter. 

Em mensagem no mesmo dia, Milanez afirmou que o "racismo" da publicação fez com que se manifestasse. "Eu costumava ignorar a idiota Veja. Mas esse racismo recente tem me feito sentir mal. É como verem um filme da Guerra torcendo pros nazistas".

Também no microblog, o jornalista informou sua demissão: "To destruido, muito chateado. Acabo de ser demitido por causa dessa infeliz conta de Twitter. Sonhos e projetos desmancharam no ar virtual."

Em entrevista ao Portal Imprensa, Milanez declarou que fez observações contundentes sobre a publicação, mas foi surpreendido pela demissão. "Fui bem duro, fiz comentários duros, mas como pessoa; não como jornalista. Fiquei pessoalmente ofendido. Mas estou chateado por ter saído assim. Algumas frases no Twitter acabaram com uma porrada de projetos", lamentou o ex-editor.

O redator-chefe da National, Matthew Shirts, confirmou ao Portal Imprensa que os comentários no Twitter resultaram na demissão de Milanez. "Foi demitido por comentário do Twitter com críticas pesadas à revista. A Editora Abril paga o salário dele e tomou a decisão", disse. Ao ser questionado se concordava com a demissão do jornalista, Shirts declarou que "fez o que tinha que fazer exercendo a função".

Bastante conhecedor da Amazônia, especialmente das tribos indígenas, Milanez estava com viagem marcada para o Amazonas na quinta-feira (13). Ele iria percorrer durante 15 dias a BR-319, que liga Manaus (AM) a Porto Vellho (RO), acompanhando uma equipe da Embratel que dá suporte às torres de telefonia.

Milanez também havia se manifestado no Twitter a respeito da nota do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, citado por Veja na reportagem, mas que nega ter dado entrevista para a revista. "Eduardo Viveiros de Castro achou um bom adjetivo pra definir a matéria da Veja: 'repugnante'", escreveu Milanez. "Veja é abusada. Assim E. Viveiros de Castro corre o risco de nunca mais ser citado na revista(!), como JonLee Anderson."

Além de ter reproduzido tweets em que o antropólogo acusa Veja de "fabricar" declaração, Milanez também chegou a citar os microblogs dos repórteres Leonardo Coutinho, Igor Paulin e Júlia de Medeiros, autores da reportagem, como exemplos de "anti-indígenas" para quem quisesse segui-los. "Não sei ainda o que vou fazer da vida. Não estou arrependido porque nunca imaginei que minha opinião pudesse causar uma reação tão drástica. Talvez eu tenha sido ingênuo, mas quem defende índio tem que estar com a cabeça preparada para levar paulada", concluiu Milanez.

Pois é companheiros…, repetidas vezes temos colocado aqui que a revista Veja não merece confiança e nem respeita a inteligência do leitor, vemos agora que para além das suas páginas, também não admite qualquer consciência e dissidência dentro do mesmo grupo editorial;  vimos outro dia em outro grande grupo do PiG (a Folha de SP ) um exemplo parecido, quando  a direção da empresa "usou"  DM para "enquadrar" via artigo truculento, dois repórteres que ousaram falar a verdade sobre as declarações  de um Senador  do  consórcio anti-cotas e AAs com recorte racial… ; falar a verdade onde isso não é prioritário (muito pelo contrário) pode custar muito caro…,  mas se servir de consolo ao Felipe Milanez pela sua coragem… cito Abraham Lincoln :  "Pecar pelo silêncio, quando se deveria protestar, transforma homens em covardes."

Parabéns Felipe, não se arrependa, pagou caro, mas garantiu seu nome ao lado dos que não aguentam mais tanta hipocrisia e injustiça e não se acovardam…, todo o dinheiro e vantagens que "os vendidos" tem, não pagam o preço de uma consciência limpa e da dignidade…