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Mandela, patrono mundial da EAD (Educação a Distância)

ead-mandela-patrono1Uma das coisas que quem me conhece (ou me lê rotineiramente) sabe, é o gosto por “juntar paixões”, ou seja, fazer ligações (para muitos completamente inusitadas) entre temas diversos e que me agradam; a EaD é um desses temas, História africana e afrobrasileira é outro, Direitos Humanos e movimentos sociais, mais um, pois é…, e essa aqui é mais uma dessas ocasiões em que “junto paixões” .

A morte do líder sul-africano e prêmio Nobel da paz, Nelson Mandela (aqui uma das suas biografias não-oficiais curtas mais fidedignas em português), tem trazido mundo afora muitas reflexões e homenagens; entre tantas outras coisas que a maioria das pessoas sabe e relaciona com Mandela, a importância que ele dava para a Educação como “arma” para as mudanças necessárias ao mundo, é uma delas, porém pouco percebido ou desconhecido mesmo da maioria; é o fato de Mandela ter sido um grande adepto da modalidade de EaD,  tendo sido o estudo por correspondência vital para a sua trajetória (ah ! e antes que alguém reclame, lembro que o a do “a distância” não é mesmo craseado ok ? ).

Mandela era de uma família nobre da etnia sul-africana Tembhu (e muito próximo do Rei, após ter ficado orfão de pai ) recebendo educação fundamental e média ocidentalizada e esmerada, na época devida entrou para a  University College of Fort Hare, porém foi expulso após o primeiro ano por ter se envolvido em protestos estudantis, depois disso conseguiu através do estudo a distância na University of South Africa se graduar (BA-Bachelor of Arts) em 1943, mudou-se para Johannesburg, e tempos depois foi estudar presencialmente Direito (LLB – Bachelor of Laws) na University of the Witwatersrand, uma universidade de alto nível e reconhecimento mundial, conseguindo um estágio em escritório de advocacia de alto prestígio, porém teve que abandonar os estudos em  1948 por falta de recursos financeiros.

Novamente Mandela recorreu ao estudo a distância, através da University of London, mas ainda dessa vez não conseguiu concluir completamente seu curso de Direito (o LLB é dividido em 3 níveis),  porém  já com um grau (diploma de dois anos) em Direito em cima do seu BA (Bacharelado em Artes, uma formação superior genérica) Mandela  conseguiu ser autorizado a exercer a advocacia, e em agosto de 1952, ele e Oliver Tambo haviam estabelecido o primeiro escritório de advocacia negro da África do Sul, foi após isso que a maior efervescência da sua  atividade antiapartheid se deu e também foi “banido” (proscrito, colocado na ilegalidade) e preso algumas vezes, até a condenação à prisão perpétua em 1964, que na realidade durou cerca de 28 anos, até fevereiro de 1990 quando foi finalmente libertado, após a anistia de antigos companheiros e a revogação de banimento do CNA – Congresso Nacional Africano, partido do qual era um dos líderes -fundadores e veio a se tornar presidente e posteriormente presidente do país.

Na prisão estudou de forma autodidata muitas coisas, entre elas línguas, e finalmente em 1989 já próximo ao final de sua prisão,  completou em curso a distância seu curso pleno em Direito pela University of South Africa, colando grau in absentia (em ausência, já que estava preso),  em uma cerimônia em Cape Town. ( Todos os dados biográficos foram retirados, do site oficial da Nelson Mandela Foundation, traduzidos e reorganizados por mim) .

Quem assistir com atenção o filme Mandela a luta pela liberdade (assista online) vai perceber que nas falas de Mandela com o seu “personal carcereiro” e o filho do mesmo (também carcereiro), a importância do estudo  e o estímulo que ele dá para que o rapaz branco mas de origem humilde, consiga ser o primeiro de sua família a se graduar, valendo-se de um curso a distância.

Mandela não foi a única celebridade mundial a estudar a distância, vide outros exemplos, mas dado o contexto, o valor e alcance simbólico do seu legado, e a relevância e influência direta dessa modalidade educacional na construção do mesmo, não há exemplo maior e apropriado, das possibilidades e das capacidades de estudantes EaD, assim como do poder que a Educação e no caso em especial a modalidade, possui para operar as grandes mudanças.

Por tudo isso, é que proponho Nelson Mandela como patrono mundial da Educação a Distância.


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Coincidência ou inspiração ?: Thomas Vivien e Hamilton Naki, da limpeza à cirugia cardíaca.

Assistindo ontem ao DVD do filme ” Quase Deuses”  (título original: Somethig the Lord made) que narra a história dos protagonistas da primeira cirurgia cardíaca direta bem-sucedida (ocorrida em Baltimore nos EUA  em meados dos anos 40), me veio imediatamente à cabeça a história de Hamilton Naki.   Sul-africano negro que em plena era do apartheid,  de faxineiro de centro de pesquisas se tornou o “braço direito” de Christiaan Barnard,  médico sul-africano branco, responsável pelo primeiro transplante cardíaco  do mundo em 1967 (no primeiro transplante da equipe o paciente sobreviveu 9 dias…, no segundo 19 meses, no terceiro em 1969, a paciente teve 24 anos de sobrevida).

As “coincidências” das duas histórias são muitas…; pelo lapso de tempo e repercusão da primeira, área profissional, contexto histórico e detalhes, fica a impressão que o Dr. Barnard se “inspirou”  na história de sucesso da parceria entre o Dr. Alfred Blalock e seu assistente  negro Vivien Thomas e “reproduziu” a mesma ao oportunizar Hamilton Naki (o efeito da “oportunização” também foi muito proveitosa para Barnard…).

Em linhas gerais, trata-se da história de geniais médicos pesquisadores de novas técnicas, que vivendo em ambientes de forte e oficial segregação racial, observaram em auxiliares negros  sem qualquer formação na área, a inteligência e aptidões  extraordinárias para a pesquisa e cirurgia; não obstante a “oportunidade oferecida”, aparentemente não se preocuparam (ou não foram muito enfáticos em contrariar  “o sistema”) em reverter a situação social de seus habilidosos e importantes assistentes, bem como “colaboraram”  no “ocultamento oficial”  dos mesmos.

Tanto Vivien quanto Hamilton, permaneceram sujeitos a injustiças como cargos e salários muito inferiores aos das habilidades e funções desenvolvidas, restrições sociais, não reconhecimento oficial, excluidos das fotos de equipe, etc… .

Ambos atuaram não apenas como cirurgiões mas também como PROFESSORES dos melhores profissionais da área em seus países. Somente com o fim oficial dos sistemas segregacionistas é que ambos puderam ter seu valor reconhecido publicamente (para Vivien, bem antes e mais), antes do final da vida ambos receberam títulos de Doutor por Notório Saber.

A mensagem que fica é que a diversidade e oportunidade ao talento podem ser muito produtivas.

Vale a pena, conhecer melhor essas duas histórias.

Dr. Vivien Thomas 

Dr. Hamilton Naki

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

E óbvio recomendo o filme …