Blog do Juarez

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Filmaço nacional : O Jardim das Folhas Sagradas

Eu já havia publicado este post no final de 2011, mas como o filme acabou não sendo lançado no circuito normal dos cinemas e nem em DVD, misteriosamente nem as já tradicionais “cópias-piloto” se encontrava ai pela web… (e não me pergunte os motivos, mas desconfio que “de repente” o filme entrou na categoria de “não comercializáveis” ou “exibíveis”, devido à temática…), por coincidência hoje descobri que foi disponibilizado integralmente no Youtube… :-), então estou atualizando o post, assista e se for o caso baixe logo pois sabe-se lá até quando estará disponível…, assisti e RECOMENDO, de fato um ótimo filme.

Um filme sobre a espiritualidade, ecologia e conflitos do cotidiano urbano. Jardim das Folhas Sagradas oferece o debate sobre bissexualidade, intolerância religiosa e preconceitos étnicos, ao mesmo tempo em que expõe nuances do Candomblé e discute a degradação das áreas verdes nas cidades vitimadas pela especulação imobiliária.

FILME COMPLETO :


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Rio +20, mais uma “comida de mosca” no texto final…

Como já era esperado pela maioria dos que tem acompanhado a questão, o texto final aprovado pelos 193 paises participantes da  Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável (Rio +20) foi bem menos ambicioso do que poderia ser ; apesar disso teve uma inovação, inclui em um de seus parágrafos (por iniciativa da SEPPIR – Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial  da Presidência da República,  e acolhimento dos negociadores da diplomacia brasileira) menção à questão das violações de Direitos Humanos de diversos recortes (ex. o racismo ambiental) .

O texto diz :  “We reaffirm the importance of the Universal Declaration of Human Rights, as well as other international instruments relating to human rights an international law. We emphasize the responsibilities of all states, in conformity with the Charter, to respect human rights and fundamental freedoms for all, without distinction of any kind to race, colour, sex, language or religion, political or other opinion, national or social origin, property, birth or other status”.

Tradução: “Reafirmamos a importância da Declaração Universal dos Direitos Humanos, bem como outros instrumentos internacionais relativos aos direitos humanos um direito internacional. Destacamos as responsabilidades de todos os Estados, em conformidade com a Carta, a respeitar os direitos humanos e liberdades fundamentais para todos, sem distinção de qualquer tipo de raça, cor, sexo, língua ou religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, posição econômica, nascimento ou outra “.

E é ai que está o VACILO (popular “comida de mosca”), o texto seguindo uma tendência formalista (aquela que  ” iguala” formalmente a todos, a exemplo do art. 5º e parte do art. 3º da nossa CF) pode complicar o entendimento de que MATERIALMENTE tal igualdade não existe ou nem sempre está equalizada, necessitando portanto as vezes de uma DESIGUALAÇÃO DE TRATAMENTO (que é diferente de distinção, mas normalmente confundida)  quando essa se fizer necessária para fins AFIRMATIVOS.

Logo após toda a polêmica e esforços envolvidos nas questões do Estatuto da Igualdade Racial e das cotas universitárias, um detalhe importante desses não poderia ter passado desapercebido, pois todos sabemos como é que os META-RACISTAS (principalmente os ambientais e ligados ao agronegócio) costumam manipular tal tipo de disposição legal, para no sentido inverso da intenção do legislador, tentar bloquear ou anular o direito das populações e recortes sociais tradicionalmente prejudicados, em ter instrumentos que impeçam o seu vilipêndio pelos grupos tradicionalmente sócio-econômicamente  hegemônicos.


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Abril demite editor da NG, que denunciou pelo Twitter racismo da Veja.

Já está rolando na blogosfera a notícia… que reproduzimos abaixo a partir  de uma entrevista concedida ao portal imprensa  e ao blog do Altino Machado, interessante é que um dos nossos últimos posts foi justamente sobre racismo ambiental,… antes da infeliz matéria da Veja sobre supostas farsas para demarcação de terras indígenas e quilombolas, que causaram grande repercussão e repúdio inclusive da ABA- Associação Brasileira de Antropologia; não fizemos post sobre o ocorrido., mas ai vai a questão da demissão de Milanez:

Uma crítica à revista Veja, feita no Twitter, provocou a demissão, nesta terça-feira (11), do repórter fotográfico Felipe Milanez, editor-assistente da revistaNational Geographic Brasil. As duas publicações são da editadas pela Abril.

"A decisão me foi comunicada pelo redator-chefe Matthew Shirts. Ela veio lá de cima e ainda estou zonzo ainda porque não imaginava que minha opinião fosse resultar nisso", declarou Milanez ao Blog do Altino Machado.

O editor-assistente fez acusações contundentes à Veja devido à preconceituosa matéria "A farsa da nação indígena", que deturpava o sentido da delimitação de reservas indígenas e quilombos no país. "Veja vomita mais ranso racista x indios, agora na Bolivia. Como pode ser tão escrota depois desse seculo de holocausto?", registrou Milanez no Twitter. 

Em mensagem no mesmo dia, Milanez afirmou que o "racismo" da publicação fez com que se manifestasse. "Eu costumava ignorar a idiota Veja. Mas esse racismo recente tem me feito sentir mal. É como verem um filme da Guerra torcendo pros nazistas".

Também no microblog, o jornalista informou sua demissão: "To destruido, muito chateado. Acabo de ser demitido por causa dessa infeliz conta de Twitter. Sonhos e projetos desmancharam no ar virtual."

Em entrevista ao Portal Imprensa, Milanez declarou que fez observações contundentes sobre a publicação, mas foi surpreendido pela demissão. "Fui bem duro, fiz comentários duros, mas como pessoa; não como jornalista. Fiquei pessoalmente ofendido. Mas estou chateado por ter saído assim. Algumas frases no Twitter acabaram com uma porrada de projetos", lamentou o ex-editor.

O redator-chefe da National, Matthew Shirts, confirmou ao Portal Imprensa que os comentários no Twitter resultaram na demissão de Milanez. "Foi demitido por comentário do Twitter com críticas pesadas à revista. A Editora Abril paga o salário dele e tomou a decisão", disse. Ao ser questionado se concordava com a demissão do jornalista, Shirts declarou que "fez o que tinha que fazer exercendo a função".

Bastante conhecedor da Amazônia, especialmente das tribos indígenas, Milanez estava com viagem marcada para o Amazonas na quinta-feira (13). Ele iria percorrer durante 15 dias a BR-319, que liga Manaus (AM) a Porto Vellho (RO), acompanhando uma equipe da Embratel que dá suporte às torres de telefonia.

Milanez também havia se manifestado no Twitter a respeito da nota do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, citado por Veja na reportagem, mas que nega ter dado entrevista para a revista. "Eduardo Viveiros de Castro achou um bom adjetivo pra definir a matéria da Veja: 'repugnante'", escreveu Milanez. "Veja é abusada. Assim E. Viveiros de Castro corre o risco de nunca mais ser citado na revista(!), como JonLee Anderson."

Além de ter reproduzido tweets em que o antropólogo acusa Veja de "fabricar" declaração, Milanez também chegou a citar os microblogs dos repórteres Leonardo Coutinho, Igor Paulin e Júlia de Medeiros, autores da reportagem, como exemplos de "anti-indígenas" para quem quisesse segui-los. "Não sei ainda o que vou fazer da vida. Não estou arrependido porque nunca imaginei que minha opinião pudesse causar uma reação tão drástica. Talvez eu tenha sido ingênuo, mas quem defende índio tem que estar com a cabeça preparada para levar paulada", concluiu Milanez.

Pois é companheiros…, repetidas vezes temos colocado aqui que a revista Veja não merece confiança e nem respeita a inteligência do leitor, vemos agora que para além das suas páginas, também não admite qualquer consciência e dissidência dentro do mesmo grupo editorial;  vimos outro dia em outro grande grupo do PiG (a Folha de SP ) um exemplo parecido, quando  a direção da empresa "usou"  DM para "enquadrar" via artigo truculento, dois repórteres que ousaram falar a verdade sobre as declarações  de um Senador  do  consórcio anti-cotas e AAs com recorte racial… ; falar a verdade onde isso não é prioritário (muito pelo contrário) pode custar muito caro…,  mas se servir de consolo ao Felipe Milanez pela sua coragem… cito Abraham Lincoln :  "Pecar pelo silêncio, quando se deveria protestar, transforma homens em covardes."

Parabéns Felipe, não se arrependa, pagou caro, mas garantiu seu nome ao lado dos que não aguentam mais tanta hipocrisia e injustiça e não se acovardam…, todo o dinheiro e vantagens que "os vendidos" tem, não pagam o preço de uma consciência limpa e da dignidade…


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Racismo ambiental: fique por dentro…

Fotomontagem by blogdojuarez

Racismo ambiental ???, isso existe ? .

Resposta : SIM existe e saiba do que se trata.

Para começar  cito duas definições para o termo :

" [..] 'racismo ambiental' se refere a qualquer política, prática ou diretiva que afete ou prejudique, de formas diferentes, voluntária ou involuntariamente, a pessoas, grupos ou comunidades por motivos de raça ou cor. Esta idéia se associa com políticas públicas e práticas industriais encaminhadas a favorecer as empresas impondo altos custos às pessoas de cor."(Robert Bullard) .

“Chamamos de Racismo Ambiental às injustiças sociais e ambientais que recaem de forma implacável sobre grupos étnicos vulnerabilizados e outras comunidades, discriminadas por sua origem ou cor”. (racismoambiental.net.br)

Para ilustrar  com um exemplo prático (apesar de fictício e 'fantástico',  mas  de ampla visualização hoje), cito a situação vivida pelo povo alienígena "Naa' Vi"  no premiado filme "AVATAR" de James Cameron; no filme os  nativos do planeta pandora, tem seus valores culturais e sua visão/ ligação com o meio ambiente em seu território, desconsiderados pelos dirigentes da  colônia humana no planeta, tecnológica e militarmente dominantes; o que culmina em expulsão e destruição do seu habitat, para atender  os interesses terráqueos nos minerais do planeta.

O exemplo acima é "fantástico" mas tem muitos correspondentes na vida real .

  • Invasão de terras indígenas para exploração econômica das mais variadas.
  • Tentativas  e efetivações de desalojamento de populações e grupos tradicionais (Quilombolas, ribeirinhos, indígenas,  religiosos de matriz africana, outras minorias étnicas), para implementação de projetos de interesse exclusivo dos grupos social-economicamente dominantes .
  • Utilização de áreas ocupadas por populações tradicionais para despejo de resíduos nocivos ao meio-ambiente e saúde.
  • Alocação ou negligência com a ocupação de áreas ambientais inadequadas/perigosas por populações majoritariamente não-brancas.   

Diversos casos reais e recentes se enquadram no conceito :

Como esses há vários outros casos, citei principalmente os da questão quilombola por serem os menos divulgados e também  percebidos pela população em geral ; já que os da questão indígena tem grande visibilidade inclusive internacional.

O "caso da vez" é o da  construção da usina de Belo Monte ( rio Xingu) no Pará, que deve desalojar a população de 30 terras indígenas na região e causar a inundação de mais de 516 km quadrados (com todo o dano ambiental previsível).

Entre os vários protestos contra a construção, não é a toa que se fez presente em Brasília em um deles, ninguém menos que James Cameron,  justamente o diretor de Avatar…, alguma clara ligação  ? .