Blog do Juarez

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21 de março – Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial

21-de-março

O Dia Internacional da Combate à Discriminação Racial é celebrado todo 21 de março (calendário da ONU), esse foi o dia do conhecido “Massacre de  Shaperville” no ano de 1960 em Joanesburgo, África do Sul, em que  20 mil manifestantes negros protestavam contra a lei do passe, que os obrigava a portar cartões de identificação, especificando os locais por onde eles podiam circular, quando se depararam com tropas do exército, mesmo sendo uma manifestação pacífica, o exército atirou sobre a multidão, matando 69 pessoas e ferindo outras 186.

Apesar de justa e significativa, a lembrança da data, ainda não se fixou fortemente entre a militância anti-racista brasileira, que prefere dar foco às datas nacionais como o dia do Índio e o dia da Consciência Negra. Uma outra data que além de “não decolar” entre a militância é “solenemente ignorada” (e por bom motivo) é o 03 de julho – Dia Nacional de Combate à Discriminação Racial, data que celebra a aprovação da lei n° 1.390, mais conhecida como lei Afonso Arinos, de 1951. A lei, proposta pelo jurista, político e escritor mineiro, constituiu como infração penal o preconceito por raça ou cor, ocorre que essa lei foi em verdade apenas “para inglês ver”, nunca foi de fato aplicada (a exceção de um caso e envolvendo judeus), é portanto uma “invenção” de quem está desconectado da real luta contra o racismo no Brasil, ao contrário da Lei Caó (LEI Nº 7.437, de 20 de dezembro de 1985), que ampliou o conceito da criminalização, o colocou na Constituição e já foi aplicada muitas vezes, essa sim uma lei efetiva.


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Mandela day (um pouco atrasado :-) )

Nelson Mandela (ou simplesmente Madiba, para os mais próximos ) é unanimidade mundial quando se fala em Paz  (ganhou o Nobel) e  Direitos Humanos;  um exemplo de superação, resistência e sabedoria;  amado  não apenas pelo  povo sul-africano mas  por todo o mundo. Na segunda passada  completou 93 anos.

A data do seu  seu aniversário (18/07) foi transformada em “Mandela day” , um dia para comemorar e refletir sobre o perdão, o combate as intolerâncias e discriminações e a luta por um mundo mais justo e pacífico; no Mandela day uma das práticas sugeridas é o envolvimento por 67 minutos  (lembrando os 67 anos em que Mandela manteve a ação política por uma África do sul mais justa) em uma atividade qualquer desde que seja  para o bem comum.

Painel nova África do Sul no Apartheid Museum, Johannesburg

Bonequinho do Bispo TUTU no Apartheid Museum

Em fins de 2004 tive a oportunidade de visitar o “Apartheid Museum” em Joanesburgo e conhecer  melhor a história da luta de Mandela e de outros tantos ativistas conhecidos (como o Bispo Desmond TUTU) e anônimos, contra os absurdos do extinto regime de segregação sul-africano, é um tremendo programa que recomendo a todos que puderem um dia visitar a África do sul… , mas se não der fica a sugestão para dois ” filmaços”  que dão bem a dimensão de quem é Mandela e da sua história de luta  :

  Mandela , Luta pela liberdade,  no papel de Mandela está Dennis Haysbert (que interpreta o             Presidente David Palmer na  conhecida série de TV  “24 Horas“) ; o filme conta a história dos últimos      anos  de prisão de Mandela  até sua libertação e início da campanha pela presidência.

 Invictus, com o Morgan Freeman e Matt Damon (direção de Clint Eastwood), mostra a história de    Mandela a partir da Presidência e no processo de unificação de pretos e brancos em uma nova nação, no  filme enfocado através dos esforços e preparativos para a copa do mundo de rugby em 1995, primeiro grande evento da  nova “nação arco-íris” a unir toda a nação, independente de cor e origem. Emocionante e também com momentos hilariantes.

Tá dada a dica…


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Os "chifres" do Sr. Presidente e a poligamia

 

Zuma e esposa


Presidente Zuma e suas esposas, a primeira da esquerda para direita é Nompumelelo Ntuli

Mais do que a abertura da copa do mundo de futebol 2010, na África do Sul, as atenções por lá e agora por aqui, tem sido direcionadas para  a notícia do adultério praticado com um dos seguranças presidenciais por uma das primeiras-damas do país (Nompumelelo Ntuli, a segunda das 3 atuais esposas do Presidente sul-africano Jacob Zuma de 67 anos), que inclusive teria engravidado do guarda-costas Phinda Thomo (que se suicidou após a história toda vir a tona).

Zuma que é do grupo étnico (tribo) Zulu, é um ferrenho defensor dos costumes tradicionais dos Zulus, entre eles a poligamia;  casou 5 vezes e tem cerca de 20 filhos reconhecidos; divorciou-se de uma das esposas  e ficou viúvo de outra (que se suicidou após 24 anos de casamento) ; além das 3 atuais esposas Zuma tem também uma “noiva” com quem tem anunciado pretensão de casamento para breve.

Antes de qualquer coisa acho justo lembrar que “chifre” é uma coisa extremamente democrática, atinge poderosos, pobres, poligamos, monogâmicos, pretos, brancos, asiáticos, indígenas, gente de todos os credos,, heterosexuais, homosexuais, jovens, velhos, bonitos, feios  e até quem não é casado…,  portanto nada de querer fazer a automática ligação de poligamia ou  de amantismo com “bem merecidos chifres”… , como dizem os norte-americanos “Shit happens…”

Ao invés de apenas repercutir  o caso ou  fazer comentário sobre a situação específica, achei que seria uma ótima oportunidade para falar sobre uma questão cultural não apenas africana, mas histórica e mundial, que é a poligamia (e que sempre achei um assunto muito interessante…).

A poligamia, que é a composição familiar tipicamente patriarcal a partir do casamento de um homem com várias mulheres, é coisa natural e antiga, remonta à  mais longíqua antiguidade e está (ou esteve) presente na base de todos os povos e culturas do mundo.

Quando se fala em poligamia, a primeira imagem que vem à mente, são os misteriosos e vigiados haréns de mandatários árabes, mas na realidade essa prática de muitas esposas e concubinas reais ocorreu em muitos outros povos, aliás não apenas reis e outros poderosos praticavam a “poligamia oficial” , pessoas “comuns” também, mas é certo que para tal, a condição básica sempre foi a capacidade provedora suficiente do homem, ou seja, se poderia ter a quantidade de mulheres e filhos que se aguentasse sustentar… .

Na natureza (entre os mamíferos)  a  “familia poligama” é o padrão na maioria das espécies, o chamado macho-alfa é o lider do grupo, sendo o único sexualmente ativo naquele grupo familiar, os que quiserem constituir familia própria tem que desafiar  e vencer em luta  o macho-alfa do próprio grupo ou   de outro, tomando então todas as fêmeas  para si  (The Winner takes All…), o interessante é que as fêmeas não brigam entre si por “exclusividade”  e também não aceitam sexualmente  outros machos que não o macho-alfa.

Só para lembrar aos que entendem a poligamia como sinônimo de atraso ou que por motivos “religiosos” e culturais a recriminam, temos nas bases da religiosidade e da cultura ocidental vários exemplos de lideranças e referências  morais” que eram  poligamas :

Na Bíblia: praticamente todos os patriarcas eram polígamos; O Rei Davi  era um reconhecido mulherengo e seu filho Salomão (o rei-sábio) tinha mais de 700 esposas e mais 300 concubinas…, isso é fato, embora muitos tentem justificar através de muitas outras citações que tal comportamento não era “bem visto” por Deus e deveria ser “convenientemente” substituido pela monogamia.

No oriente: Gregos, Romanos, Hindús, Babilónios, Persas, Árabes, Chineses, Nipônicos e muitos outros povos praticaram históricamente a poligamia,  coisa ainda muito comum em alguns países mesmo não havendo poligamia oficializada, a China por exemplo com todo o controle estatal exercido e apesar de ter proibido a poligamia no inicio do período comunista, ainda hoje se vê as voltas com casos de poligamia não oficializada mas de fato… .

Na europa pré-cristã:  até por volta do primeiro milênio da era cristã (séc. X) era comum a poligamia, que  somente a muito custo deixou de ser aberta e oficializada pelos estados recentemente convertidos ao cristianismo.

O islamismo:   segunda religião mais professada no mundo (21%) e  que hoje não se restringe apenas ao povos árabes e descendentes, mas está espalhada por todo o mundo  (segundo as autoridades islâmicas só no Brasil,  há mais de  1 milhão de adeptos), admite a poligamia com até 4 esposas.

Cristãos : entre os mesmos a poligamia institucionalizada ou  de fato também  já foi muito praticada, inclusive houve papas casados (o último papa casado foi Adriano 2º (867 – 872).) que mantinham concubinas ; mesmo sem casamento a prática de relacionamentos “estáveis e duradouros” com várias mulheres  persistiu algum tempo, por exemplo o Papa Alexandre 6º (Rodrigo Bórgia – 1.492 – 1.503),  tinha 6 filhos…  ;  nos EUA entre os conhecidos Mórmons (Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias) a prática da poligamia foi natural por mais de 100 anos tendo sido abolida oficialmente em 1890,  porém ainda hoje grupos dissidentes como a Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, possui na região de UTAH e redondezas,  cerca de 40.000 membros que se recusam a abandonar a prática (não oficializada obviamente).

Em várias outras partes do mundo e da história, a poligamia se fez e faz presente, na África muitas etnias mantém a tradição, na Suazilândia (última monarquia absolutista do mundo, país encravado dentro da África do Sul e fronteiriço com Moçambique) o Rei tem mais de 30 esposas (e todo ano há um festival para escolher mais uma…); nos antigos reinos da região havia desde há muito tempo a figura do “assistente real”, que nada mais era que um “ricardão oficial” que “fazia a manutenção” das esposas que o Rei já não visitava mais com frequência, o detalhe é que uma vez atendida pelo assistente, nunca mais a esposa voltava ao leito real, mas continuava esposa… .

É importante frisar que ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, a poligamia tem regras rígidas que exigem responsabilidade do homem e tem servido para evitar que mulheres e crianças fiquem desprovidas de direitos e dignidade familiar, no ocidente hipocrita o que se pratica é o AMANTISMO…, que é nada mais nada menos, que o relacionamento de um homem com várias mulheres onde apenas uma é  esposa, por vezes constituindo famílias paralelas, mas de forma dissimulada e infâme, mantendo mulheres e filhos ilegítimos na clandestinidade; a lei brasileira por exemplo ampara o filho ilegítimo que tem a paternidade reconhecida legalmente (de forma voluntária ou compulsória), mas não reconhece qualquer direito à concubina de homem já legalmente casado.

Para finalizar deixo uma recomendação para uma leitura envolvente sobre o tema, um dos meus livros favoritos,  o romance  da escritora moçambicana Paulina Chiziane : Niketche, uma história de poligamia (tem na livraria Saraiva e dá para comprar pela Internet), é um livro daqueles imperdíveis que além de desvendar várias facetas do comportamento humano nos faz viajar conhecendo detalhes de outras culturas. ver a resenha em : http://www.irohin.org.br/imp/n10/36.htm


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Coincidência ou inspiração ?: Thomas Vivien e Hamilton Naki, da limpeza à cirugia cardíaca.

Assistindo ontem ao DVD do filme ” Quase Deuses”  (título original: Somethig the Lord made) que narra a história dos protagonistas da primeira cirurgia cardíaca direta bem-sucedida (ocorrida em Baltimore nos EUA  em meados dos anos 40), me veio imediatamente à cabeça a história de Hamilton Naki.   Sul-africano negro que em plena era do apartheid,  de faxineiro de centro de pesquisas se tornou o “braço direito” de Christiaan Barnard,  médico sul-africano branco, responsável pelo primeiro transplante cardíaco  do mundo em 1967 (no primeiro transplante da equipe o paciente sobreviveu 9 dias…, no segundo 19 meses, no terceiro em 1969, a paciente teve 24 anos de sobrevida).

As “coincidências” das duas histórias são muitas…; pelo lapso de tempo e repercusão da primeira, área profissional, contexto histórico e detalhes, fica a impressão que o Dr. Barnard se “inspirou”  na história de sucesso da parceria entre o Dr. Alfred Blalock e seu assistente  negro Vivien Thomas e “reproduziu” a mesma ao oportunizar Hamilton Naki (o efeito da “oportunização” também foi muito proveitosa para Barnard…).

Em linhas gerais, trata-se da história de geniais médicos pesquisadores de novas técnicas, que vivendo em ambientes de forte e oficial segregação racial, observaram em auxiliares negros  sem qualquer formação na área, a inteligência e aptidões  extraordinárias para a pesquisa e cirurgia; não obstante a “oportunidade oferecida”, aparentemente não se preocuparam (ou não foram muito enfáticos em contrariar  “o sistema”) em reverter a situação social de seus habilidosos e importantes assistentes, bem como “colaboraram”  no “ocultamento oficial”  dos mesmos.

Tanto Vivien quanto Hamilton, permaneceram sujeitos a injustiças como cargos e salários muito inferiores aos das habilidades e funções desenvolvidas, restrições sociais, não reconhecimento oficial, excluidos das fotos de equipe, etc… .

Ambos atuaram não apenas como cirurgiões mas também como PROFESSORES dos melhores profissionais da área em seus países. Somente com o fim oficial dos sistemas segregacionistas é que ambos puderam ter seu valor reconhecido publicamente (para Vivien, bem antes e mais), antes do final da vida ambos receberam títulos de Doutor por Notório Saber.

A mensagem que fica é que a diversidade e oportunidade ao talento podem ser muito produtivas.

Vale a pena, conhecer melhor essas duas histórias.

Dr. Vivien Thomas 

Dr. Hamilton Naki

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

E óbvio recomendo o filme …


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Rape-aXe, o pesadelo dos estupradores…

AntiRape300x200

Imagem:  site oficial http://www.antirape.co.za/images.htm

Trata-se de uma “camisinha feminina” colocada na vagina como um tampão,  não ficando portanto aparente, mas a Rape-aXe conta com uma interessante e “cruel” peculiaridade…, é anti-estupro e possui farpas internas que se enterram no pênis do estuprador no primeiro movimento de “saída”, causando um enorme “desconforto”.

A “camisinha que morde” foi inventada na África do Sul em 2005 por  Sonnet Ehlers, uma sul-africana cansada de testemunhar casos de atendimento pós-estupro em números elevados e crescentes.

E não fica só por ai,  além de “cortar o barato” do estuprador logo de início, o artefato fica preso e só pode ser retirado cirurgicamente, o que leva à fácil identificação e prisão do agressor.

Apesar de não evitar o assalto sexual e penetração inicial, a “camisinha que morde” já começa marcando pontos pelo psicológico, em uma determinada cidade por exemplo, tão logo começou a ser divulgada, reduziu a zero por 3 meses os estupros, que tem se mantido em números reduzidíssimos, na dúvida os potenciais estupradores tem preferido não arriscar.

Outra vantagem é em ocorrendo o assalto sexual,  evita a contaminação por HIV e outras doenças ou gravidez, situação comum nesses casos; e como já dito facilita a identificação do criminoso.

Para a copa de 2010 na África do Sul, essa é uma das grandes apostas para reduzir a violência sexual.

Por outro lado…, fico pensando no  “uso reverso” que mulheres “mal-intencionadas e vingativas ”  poderiam fazer da “mordedora” com por exemplo “maridos infiéis” ou  violentos…;  também dá para imaginar o inusitado “mico” de alguém chegando em um pronto-socorro com uma dessas presa no dedo…:), mas podia ser muito  pior… 


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Rape-aXe, o pesadelo dos estupradores…

Imagem:  site oficial http://www.antirape.co.za/images.htm

Trata-se de uma "camisinha feminina" colocada na vagina como um tampão,  não ficando portanto aparente, mas a Rape-aXe conta com uma interessante e "cruel" peculiaridade…, é anti-estupro e possui farpas internas que se enterram no pênis do estuprador no primeiro movimento de "saída", causando um enorme "desconforto".

A "camisinha que morde" foi inventada na África do Sul em 2005 por  Sonnet Ehlers, uma sul-africana cansada de testemunhar casos de atendimento pós-estupro em números elevados e crescentes.

E não fica só por ai,  além de "cortar o barato" do estuprador logo de início, o artefato fica preso e só pode ser retirado cirurgicamente, o que leva à fácil identificação e prisão do agressor.

Apesar de não evitar o assalto sexual e penetração inicial, a "camisinha que morde" já começa marcando pontos pelo psicológico, em uma determinada cidade por exemplo, tão logo começou a ser divulgada, reduziu a zero por 3 meses os estupros, que tem se mantido em números reduzidíssimos, na dúvida os potenciais estupradores tem preferido não arriscar.

Outra vantagem é em ocorrendo o assalto sexual,  evita a contaminação por HIV e outras doenças ou gravidez, situação comum nesses casos; e como já dito facilita a identificação do criminoso.

Para a copa de 2010 na África do Sul, essa é uma das grandes apostas para reduzir a violência sexual.

Por outro lado…, fico pensando no  "uso reverso" que mulheres "mal-intencionadas e vingativas "  poderiam fazer da "mordedora" com por exemplo "maridos infiéis" ou  violentos…;  também dá para imaginar o inusitado "mico" de alguém chegando em um pronto-socorro com uma dessas presa no dedo…:), mas podia ser muito  pior…