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O blackface do Teló e do Mariano

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Os famosos cantores “sertanejos”  Mariano (da dupla com o Munhoz) e Michel Teló acabam de se incorporar ao rol dos antológicos casos do antiracismo imbecil, claro que todo mundo sabe que a “intenção era das melhores” e no sentido oposto ao de racismo (não vamos tocar na possibilidade de isso ter sido uma jogada de reforço de imagem que saiu pela culatra), o que nem todo mundo sabe (e de certo eles também não sabiam) é que para isso escolheram uma prática aparentemente antiracista, porém  para quem discute a questão racial, imediatamente associada com um dos ícones do racismo que é o blackface (prática teatral/circense a partir do XIX em que atores e humoristas brancos se pintavam de preto, para interpretar personagens negros, não raro em tom de galhofa, exagerando traços como lábios, nariz e cabelos), isso seria o equivalente a querer mostrar solidariedade aos judeus mortos no holocausto, colocando uma grande estrela amarela no peito (como as dos tempos dos guetos e campos de concentração nazistas) e postando nas redes sociais, isso acho que nem o Luciano Huck, com sua especialidade em mancadas faria (até por ser de origem judaica…).

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Imediatamente após suas postagens nas redes sociais iniciaram as críticas, o que resultou na retirada das postagens e pedidos de desculpas, porém já era tarde, várias publicações condenando a “ideia genial” antiracista dos artistas, levou a uma acirrada discussão nas caixas de comentários, obviamente com a maioria das pessoas “sem entender o que tinha de errado” com as postagens “fofas e antiracistas” ou criticando quem criticou, os clássicos “complexados”, “exagerados”, “chatos” , “psicopatas” , “vitimistas” aparecendo aos borbotões contra quem se manifestou contra o meio-blackface.

O episódio demonstra mais uma vez, que muita gente realmente não se interessa por se informar sobre racismo, acha que não é racista, não tem mentalidade racista… e por tal não deve estudar sobre o tema, quando são atingidos de forma inescapável por algum evento de esclarecimento, acham suficiente, não se aprofundam, não buscam por conta própria informações relacionadas, outros absurdamente acham que  “racismo”  é tocar em questões raciais.

Enfim, é torcer para que esses episódios envolvendo personalidades massivas ganhem alcance e visibilidade, e que estimulando a discussão, cumpram o necessário objetivo de aos poucos fazer o “letramento racial” de quem não sabe que é analfabeto…

Veja também:  Os comedores de banana e o antiracismo imbecil

#antiracismoimbecil

Autor: Juarez Silva (Manaus)

Analista de T.I, Prof. Universitário, Tít. de Especialista em Educação a Distância (Univ. Católica de Brasília), Certificação em História e Cultura africana e afrobrasileira (FINOM-MG) e em Direitos Humanos e Mediação de Conflitos (SEEDH- Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República), Mestre em História Social pela UFAM - Universidade Federal do Amazonas, Ex-Conselheiro Estadual de DH; Analista Judiciário do Quadro efetivo do Tribunal de Justiça do Amazonas. Ativista dos Movimentos Negros.

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