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“Saem os índios, agora é a hora do povo brasileiro” (Galvão Bueno)

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indioxpovobrasileiroAbertura da Copa 2014, o espetáculo não se pode dizer que não foi bonito, mas decididamente foi muito aquém do que poderia ter sido…, na terra do carnaval e do Boi-bumbá de Parintins (que aliás nem sequer tiveram qualquer menção estilizada), poderia se esperar (mesmo sob uma ótica belga) algo mais grandioso e representativo de TODAS regiões do país… (até se pode entender que uma apresentação sobre um tapete colocado para não prejudicar o gramado, tem suas limitações…, mas do mesmo modo que pode se representar o sul e o nordeste, poderia se representar o norte, o centro oeste, o pantanal e até o Rio de Janeiro…).

Agora, bem representado mesmo foi o espírito do racismo “inconsciente” que perpassa boa parte da nossa eurocentrada (leia-se “branqueada” e colonizada mentalmente) sociedade brazuca…, que apesar de sempre se valer do “mito das 3 raças” para apontar o Brasil como um país miscigenado e “livre” de preconceitos e discriminações em função de “raça”, repete em atos falhos a visão que se tem de índios e negros como “alienígenas” em seu próprio país…, interessante é que Herbert Blumer, sóciológo americano, já tinha cantando essa pedra em 1939… (BLUMER, Herbert ( 1 939). “The Nature of Racial Prejudice”) olha só que interessante :

“Os quatro tipos de sentimentos sempre presentes no preconceito racial:
a) um sentimento de superioridade;
b) um sentimento de que a raça subordinada é intrinsecamente diferente e alienígena;
c) um sentimento de monopólio sobre certas vantagens e privilégios;
d) medo ou suspeita de que a raça subordinada deseja partilhar as prerrogativas da raça dominante.” 

Ao dizer “Saem os índios, agora é a hora do povo brasileiro”, Galvão Bueno em ato falho, “excluiu” os índios do “povo brasileiro”, ou seja, apesar de estarem aqui e serem os  “brasileiros originais”  foram colocados como “alienígenas” (de fora / estrangeiros) ao “povo brasileiro”, o pior de tudo é que teve muita gente que por ter também essa visão naturalizada e introjetada na mentalidade, nem percebeu  a gravidade da fala…

Por isso é que nós ativistas, quando dizemos que o brasileiro é em geral insconsciente do seu racismo e denunciamos ações racistas ou realidades de desigualdade racial, ou somos ignorados, ou tachados de “chatos”  ou “procuradores de pelo em ovo”…, mas os fatos estão ai, não enxerga quem não quer… .

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Autor: Juarez Silva (Manaus)

Analista de T.I, Prof. Universitário, Tít. de Especialista em Educação a Distância (Univ. Católica de Brasília), Certificação em História e Cultura africana e afrobrasileira (FINOM-MG) e em Direitos Humanos e Mediação de Conflitos (SEEDH- Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República), Mestrando em História pela UFAM - Universidade Federal do Amazonas, Ex-Conselheiro Estadual de DH; Analista Judiciário do Quadro efetivo do Tribunal de Justiça do Amazonas. Ativista do Movimento Negro.

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