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A proficiência, o “mérito” e a pós-graduação…

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Uma das coisas de que sempre discordei, é da generalizada visão  limitada de “mérito” que se tem na academia e fora dela, no tocante ao acesso universitário de graduação e principalmente de pós-graduação no setor público; uns enxergando o “mérito” como uma coisa absoluta e plenamente observável apenas a partir de uma pontuação obtida em provas majoritariamente objetivas (no caso da graduação),  e de prova subjetiva, acrescida de projeto (cuja a análise não é menos subjetiva) e por fim de uma entrevista (que por mais que se tente estabelecer “pontos de avaliação padronizados”) tem sempre condução  e “variáveis de valor” em nada precisamente colocadas ou medidas, ou seja, um integrante diferente na banca, um humor alterado, uma postura, enfim, um item qualquer que pode ser considerado inapropriado, dependendo da visão  de cada examinador, pode alterar radicalmente o resultado, portanto, uma avaliação não menos carregada de subjetividade.

Agora, deixando de lado a subjetividade, vamos ver o que não tem (ou não deveria ter) subjetividade alguma, ou seja, os requisitos mínimos necessários (obrigatórios); no que pese o artigo 44, inciso III, da LDB, autoriza as IES – Instituições de Ensino superior a adotarem as exigências e critérios que julgarem compatíveis com a condição de mestrando ou doutorando, é praxe em todas os PPGs de todas as IES e condição ELIMINATÓRIA, a não aprovação em exame ou não apresentação de certificado de proficiência em língua estrangeira.

Tal exame ou comprovação tem prazos que variam de edital para edital, uns pedem como última etapa do processo seletivo, outros dão prazo de um ano (ou previamente à fase de qualificação) outros exigem para a defesa da dissertação…, mas penso eu que sendo item de caráter eliminatório (portanto condição “Sine qua non”) e como “poderoso” indicador de “universalidade e potencial intelectual”, deveria vir antes de qualquer elemento de seleção aplicada, deveria ou fazer parte da documentação a ser homologada para confirmação da inscrição, ou ser o primeiro dos instrumentos avaliativos (e eliminatório), para só então seguir avaliando outros itens de “mérito”… .

Ocorre que se fosse assim (e não estou nem levando em conta a questão do nível de distanciamento da língua escolhida para o português…), de metade a 2/3 dos “selecionados” (por critérios super subjetivos) não estariam “aptos” a sequer se matricularem…, mas isso não ocorre pelo fato dos acadêmicos que defendem o “mérito”, saberem muito bem que “outros critérios mais pessoais e nublados”  já não poderiam “socorrer” as escolhas digamos “mais simpáticas”  e “perfiladas” com o padrão que entendem geralmente contemplar “os meritosos”.

Exemplo real, exame de proficiência para alunos já matriculados e cursando…:  232 candidatos, apenas 97 aprovados (41%), destes : 24 em inglês, 3 em francês e 70 em ESPANHOL… (fico imaginando a catástrofe se fosse OBRIGATÓRIA a proficiência em inglês…) .

Confesso que tenho a impressão que esses números poderiam ser na realidade mais favoráveis…, o “rigor” da correção parece ter sido exigentíssimo, fiz essa prova (que reputo como de nível intermediário), ou seja, “gostei da prova”, não vi “dificuldades” no texto nem no seu entendimento geral e em pormenores, texto simples sem muitas “pegadinhas” ( bom, pelo menos na minha concepção…, já que leio corriqueiramente longos textos em inglês em jornais, artigos em revistas, livros, web…, já atuei como “comprador internacional” [realizando contatos via email e telefone até com a China…], sou daquele tipo que assiste filme legendado e percebe diferenças entre o que foi falado e a tradução escrita… e também antecipa ou repete as falas, todas as vezes que precisei do meu inglês, inclusive fora do Brasil em países de língua inglesa, ele nunca me deixou na mão…, espanhol idem…); e mesmo assim tirei  a nota “mínima” (7.0),  sem modéstia esperava ao menos 8.5…, mas vi muitos colegas (até quem trabalha com turismo em 4 línguas…) não obterem sequer o mínimo 7.0… em inglês.

Então, com uma pedra a mais fora do caminho, vamos em frente, … NEXT !

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Autor: Juarez Silva (Manaus)

Analista de T.I, Prof. Universitário, Tít. de Especialista em Educação a Distância (Univ. Católica de Brasília), Certificação em História e Cultura africana e afrobrasileira (FINOM-MG) e em Direitos Humanos e Mediação de Conflitos (SEEDH- Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República), Mestrando em História pela UFAM - Universidade Federal do Amazonas, Ex-Conselheiro Estadual de DH; Analista Judiciário do Quadro efetivo do Tribunal de Justiça do Amazonas. Ativista do Movimento Negro.

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