Blog do Juarez

Um espaço SELF-MEDIA

Os médicos cubanos, o “avião negreiro” e as máscaras caídas…

Deixe um comentário

Patricinhas de Jaleco, hostilizam e vaiam Médico cubano, na saída da aula inaugural do +Médicos  em Fortaleza, imagem que vale por mil palavras...

Patricinhas de jaleco branco hostilizam e vaiam Médico cubano na saída da aula inaugural do +Médicos em Fortaleza, imagem que vale por mil palavras… (Foto :Jarbas Oliveira/Folhapress)

Qualquer semelhança com a famosa cena da “recepção” da  primeira negra norte-americana matriculada em uma escola pública até então exclusiva para brancos, não é mera coincidência… .

Dorothy Counts, entrando na escola e sendo hostilizada  em 1957.

Dorothy Counts, entrando na escola e sendo hostilizada em 1957.

Por incrível que pareça ainda não me tinha “caido a ficha” sobre esta outra motivação para tanta reação à iniciativa do governo brasileiro em “importar” médicos estrangeiros (em especial os cubanos) para atuar nas regiões “desprezadas” pela classe médica brazuca.

Não obstante o óbvio corporativismo xenófobo, o sentimento de “superioridade formativa” em relação aos colegas latino-americanos e uma indisfarçável ideologia capitalista/elitista que só enxerga os pontos negativos de sociedades sob regime socialista/comunista; com a associação feita no título e conteúdo de recente matéria de Eliane Catanhede para a Folha de SP (além das de outras de outros ícones da “mídia má”) “saiu da sombra” uma questão que ainda não havia ganhado foco, o racismo…  (por mais que alguns tentem desviar a atenção desse “detalhe” , alegando que “não é uma questão de cor”, pois bem, que  não seja totalmente uma questão de cor…, mas que também conta, conta e muito…).

Sim, Cuba é uma ilha com população negra majoritária (O Instituto para Estudos Cubanos e Cubano-Americanos da Universidade de Miami, diz que 62% da população é negra, enquanto as estatísticas do censo do governo cubano afirmava que 65,05% da população era branca em 2002.), isso em uma sociedade em que o acesso à educação em geral e a superior em especial são muito mais democratizados do que no Brasil por exemplo, isso se reflete em uma grande representatividade negra nas profissões de nível superior, incluindo a medicina (mesmo que não diretamente proporcional à representatividade populacional, pois cuba também não está  isenta de desigualdade racial),  por “coincidência” os outros médicos mais “repudiados” (apesar de com menor estardalhaço) são justamente os bolivianos e peruanos (em grande parte de origem indígena…) .

As técnicas metaracistas (racistas sem falar em raça e dissimuladas, e as vezes nem tanto…) empregadas pela “mídia má” e os neo-democratas-raciais em geral, se fazem presentes e são claramente identificáveis nos textos e argumentações dessa turma, uma pseudo “preocupação” com a igualdade de direitos, etc… e a defesa cínica de posições que hora ignoram as diferenças materiais, apelando para uma igualdade meramente formal, hora evidenciando diferenças materiais ao mesmo tempo que exigem formalidades “igualativas”…, tanto em uma quanto em outra abordagem, o objetivo é tentar embarreirar avanços ou conquistas das populações não-brancas (mesmo que não nacionais) .

Em outras palavras, a burguesada não quer ver  doutores negros e negras  (nem “índios”), atendendo a população e mostrando que podem fazer um atendimento mais humanizado, relativamente eficiente e com muito menos recursos…, pois isso retira da elite (virtualmente branca) a “exclusividade do mercado” e pior…, vai que o pessoal “se acostuma” com médicos negros e  “a negrada brazuca” pelo exemplo  “pega gosto pela medicina” ? , em tempos de ações afirmativas (cotas em universidades) um maior interesse de negros pela medicina (e obviamente reduzindo as vagas que poderiam ser usadas por brancos) não deve lhes parecer nada interessante… .

Esse episódio da hostilização aos cubanos na chegada ao Brasil e na saída da primeira aula do programa + Médicos , na qual os profissionais foram obrigados a passar por um “corredor polonês” (corredor humano) montado pelos cearenses que gritavam palavras como “revalida”, “incompetentes” e “voltem para a senzala”. só reforça o que eu já havia dito em um post anterior sobre a classe médica brasileira estar caminhando para um total desgaste da imagem… https://blogdojuarezsilva.wordpress.com/2013/08/16/os-medicos-a-greve-e-a-opiniao-publica/

Pois é…,  máscaras OFF .

Autor: Juarez Silva (Manaus)

Analista de T.I, Prof. Universitário, Tít. de Especialista em Educação a Distância (Univ. Católica de Brasília), Certificação em História e Cultura africana e afrobrasileira (FINOM-MG) e em Direitos Humanos e Mediação de Conflitos (SEEDH- Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República), Mestre em História Social pela UFAM - Universidade Federal do Amazonas, Ex-Conselheiro Estadual de DH; Analista Judiciário do Quadro efetivo do Tribunal de Justiça do Amazonas. Ativista dos Movimentos Negros.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s