Blog do Juarez

Um espaço SELF-MEDIA

“jornalismo” com j minúsculo

2 Comentários

"jornalismo de esgoto", imagem "pinçada" do excelente blog do Celso Jardim

Na blogosfera encontramos de tudo, conteúdo bom, conteúdo ruim, ideologias das mais diversas e práticas idem, amadores com mídia própria e profissionais da comunicação livres da “mordaça editorial”  a que estão sujeitos nos grandes meios de comunicação  e outros que apenas “assinam”  blogs atrelados,  em que continuam a fazer o jogo dos patrões midiáticos.

Porém, o que mais causa ojeriza, é quando profissionais que se intitulam Jornalistas (e por formação ou realidade profissional até o são), não aplicam ou respeitam as regras mais elementares de publicação noticiosa ou mesmo de opinião…, afinal, o blog (queira ou não) é um canal de comunicação, que em tese está sujeito a regras  básicas de publicação (como por exemplo  o direito de resposta) e tanto faz que seja um blog “pessoal”  ou “de opinião”,  sendo inclusive  passível de responsabilização legal .

Todo esse preâmbulo foi para poder comentar um caso de “jornalismo com j minúsculo” ocorrido recentemente e ao qual testemunhei e interagi  enquanto reclamante ;  o  jornalista  Paulo Roberto Lopes,  “ateu militante” (e até ai nada de mais) possui um blog “pessoal” e  que tem aparentemente a principal função de perseguir e divulgar notícias que de alguma forma sejam negativas à religiões e religiosos (e nisso é “democratico”, pois todas e todos são atacados indistintamente);  resolveu variar um pouco e mudou “o alvo” para a causa negra e seus ativistas,  publicando matéria em que uma modelo negra, se diz vítima de preconceito e  ameaças por parte de pessoas e ativistas negros de todo o Brasil, após ter obtido destaque em matéria em publicações negras de alcance e grande repercussão  nacional (Revista Raça Brasil e  Portal Geledés) alegando que o motivo é o fato de ser casada com um homem branco e por ser contra cotas raciais… e que tais ativistas seriam contra a miscigenação e casamentos interraciais  (o que é um argumento claramente falacioso para quem conhece minimamente as premissas dos movimentos de negritude, dos ativistas  e a sua configuração majoritária).

Acontece que,  toda a reação contra a modelo (e sem qualquer conotação “racista” vinda justamente de quem combate o racismo), se deu na realidade após o acesso massivo de pessoas negras e ativistas ao seu site divulgado na matéria, e a constatação pelas mesmas que a modelo expunha ideias equivocadas sobre a temática negra, racismo e ações afirmativas,  se colocando completamente na contra-mão das premissas dos movimentos de negritude e pessoas engajadas independentemente na causa negra; contribuiu para isso, manifestações e o comportamento  arrogante e antipático  da mesma em grupos de discussão temática no facebook, como ao se intitular nas palavras dela ” a UNICA e Guerreira MULHER NEGRA que vai vencer todos os males e preconceitos sociais que existem no Brasil e fora dele !! ”  .

Além dos protestos diretos contra os posicionamentos da modelo, ocorreram também protestos contras as publicações que lhe deram amplo espaço midiático sem verificar antes o seu conteúdo  ideológico e as conseqüências negativas para a causa negra, de tal divulgação.

O jornalista, alheio ao meio e à temática (bem como ao contexto), se “solidarizou” com a versão exposta exclusivamente pela jovem,  publicou trechos de protestos com pessoas identificadas… e não satisfeito, do alto de seu total desconhecimento na temática, ainda publicou : “As manifestações de racismo contra Livia estão sendo feitas a propósito de uma reportagem sobre ela no site da revista Raça Brasil. ” (prática “inversionista” comum as pessoas contrárias  às ações afirmativas de recorte racial ) ; não bastante, acrescentou inadequado “lembrete” sobre a lei caó (que trata do crime de racismo) e bloqueou comentários na matéria, impedindo assim o contraditório.

Instado por email, continuou inarredável em oferecer a oportunidade do contraditório, ora solicitando detalhamentos e exposições completamente desnecessárias para tal,  ora reclamando falta de “concisão” e objetividade (uma forma de tentar “justificar” e manter seu posicionamento obviamente travado com a questão); penso que seria excelente a manifestação da COJIRA (Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial), de veículos da imprensa negra e de todos que desaprovam esse tipo de comportamento vindo de um jornalista; bem, está dado o recado.

link para a matéria citada: http://www.paulopes.com.br/2011/09/negra-casada-com-branca-diz-ser-vitima.html

Autor: Juarez Silva (Manaus)

Analista de T.I, Prof. Universitário, Tít. de Especialista em Educação a Distância (Univ. Católica de Brasília), Certificação em História e Cultura africana e afrobrasileira (FINOM-MG) e em Direitos Humanos e Mediação de Conflitos (SEEDH- Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República), Mestre em História Social pela UFAM - Universidade Federal do Amazonas, Ex-Conselheiro Estadual de DH; Analista Judiciário do Quadro efetivo do Tribunal de Justiça do Amazonas. Ativista dos Movimentos Negros.

2 pensamentos sobre ““jornalismo” com j minúsculo

  1. Pessoa de alma pequena e com raiva, inventa sempre um modo de querer atingir aquele no qual INVEJA…

    Desprezado e nao satisfeito escreve essa besteira…francamente muita falta do que fazer.

    • 🙂 Inveja de quê ??? de comportamentos reprováveis, falta de conhecimento em determinadas temáticas e uso nocivo da mídia ??? , o post é claro e já cumpriu sua finalidade…; tem gente que precisa aprender que o direito e possibilidade de livre expressão e meios para isso, não é mais restrito a meia dúzia de veículos de comunicação ou a profissionais de comunicação…, recado dado.

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