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O novo avião do TJAM

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Foto : ABr

Lendo matéria no site do TJAM (onde trabalho) bem como a repercussão do assunto na imprensa,  e sendo eu um aficcionado de aviação desde a tenra idade, não poderia deixar de comentar ao meu estilo  (com o enfoque e os detalhes que acho interessantes) aqui no blog.

O Tribunal de Justiça do Amazonas recebeu em solenidade em Brasília no último dia 4, um avião monomotor Cesnna 206 (também conhecido como Stationair) doado pela PF (originário de apreensão, pois o mesmo foi utilizado pelo narcotráfico; , pode então ser objeto de doação com o apoio do CNJ- Conselho Nacional de Justiça), após processo burocrático, completa revisão e regularização estará no serviço, não há ainda informação de  quando e como entrará em operação .

Coincidência ou não, nas últimas semanas, estivemos discutindo bastante no nosso setor (Escola de Aperfeicoamento do Servidor ou simplesmente EASTJAM) sobre aviões;  o motivo é que há  toda uma programação de capacitações de Servidores em  todo o interior do estado (na modalidade presencial), além desta vez da  realização do processo seletivo para estagiários na Comarca de Parintins (atribuições da EASTJAM), e depois os concursos regionais para servidores do quadro das comarcas do interior, surgiu então a discussão sobre a questão dos deslocamentos de  pessoal e material.

Diante das várias dificuldades (da qual falarei no próximo parágrafo) a solução foi apelar para uma providencial  “mãozinha” da Força Aérea, que gentilmente providenciou o transporte em um Cesnna C-98 Caravan (digamos um “irmão maior do nosso  ainda não estreiado Cesnna 206…),  o C-98 tem 9 lugares e  capacidade para  mais  de 900 Kg de carga, pousa praticamente em qualquer pista (ou coisa que o valha) e tem possibilidade de instalar  kit Anfíbio,   é  talvez o melhor avião de pequeno porte para voar na Amazônia…, tanto que é o único modelo nessa categoria utilizado pela FAB  e também pela  Polícia Federal …, foto abaixo:

Pois bem, para quem é do Amazonas (98% de território com florestas preservadas), nem é preciso explicar por qual motivo o Tribunal  (ou qualquer outra instituição com presença em todo território estadual) deveria ter um avião…, para quem é de fora explico;   no Amazonas praticamente não há estradas, as distâncias são continentais e atingir determinadas localidades de barco pode levar até 3 semanas…;    são quase 60 comarcas no interior e a absoluta maioria é  inatingível por terra…, a logística para deslocamentos nesse cenário é complexa, cara, perigosa e nem sempre coincidente cronológicamente com as necessidades de deslocamento  e a oferta das empresas de transporte locais (fluviais ou aéreas), portanto como diz expressão atualmente muito em voga aqui pela região : “Então, TÁ EXPLICADO ! ” .

Voltemos ao avião…, o Cesnna 206  é um mundialmente aclamado modelo de aeronave monomotor de pequeno porte (6 lugares, piloto + 5 ) para transporte misto/reversível de  pessoal e/ou de carga, seu projeto  é  originalmente do início da década de 60 e nesses mais de 50 anos de sucesso e atualizações, continua seguindo como ” O cara” da categoria, nesse período teve a produção interrompida por 15 anos (retornou em 1994) ganhou vários nomes comerciais  como Super Skywagon (1965) , Turbo Super Skywagon (1966) , Super Skylane (versão transporte pessoal)  e finalmente   StationAir 6; pode também receber um compartimento de carga extra afixado na “barriga” ou um kit para transforma-lo em hidro-avião ou anfíbio.

Um de seus apelidos (o  “Skywagon”) não surgiu a toa…, o 206 é uma verdadeira “Van dos céus” ,  espaço e conforto para passageiros  e/ou relativamente  muito espaço para carga… , uma combinação acertada de robustez , performance e baixo custo operacional; o valor de mercado de um equipamento em condições  similares do ora recebido fica na faixa de 350 mil  a 400 mil reais (entram na composição do preço, a idade, aviônicos, conservação, etc…).

foto ilustrativa (porta lateral traseira de um 206)

Foto ilustrativa : cockpit de um 206

Alguns detalhes técnicos  do 206:

  • Teto de serviço: 5.000 Metros;
  • Velocidade de cruzeiro: 250 Km/h;
  • Consumo de combustível (MTOW) : 65 Litros / hora (85% potência);
  • Capacidade: um piloto e cinco passageiros;
  • Motorização:  Lycoming IO 540 Aspirado (300 Hp);
  • Comprimento mínimo de pista necessário para decolagem: 850 Metros (Lotado / dias quentes / tanques cheios).
  • Alcance: 1335 km

  (fonte : Wikipedia)

Para fechar…,  essa é uma postagem pessoal,  portanto não institucional; mas enquanto uma pessoa que tem a exata noção das características regionais e do trabalho desenvolvido pelo TJAM (e suas dificuldades), somado ao já citado interesse pela temática aviação;  confesso ter ficado meio “chateado” com algumas “alfinetadas”  e tentativas de “crítica velada”  vistas na  imprensa  local com relação  à aquisição por doação  da nova (nova para o TJAM, bem dito…,  já que é usada) aeronave ; não há que se questionar  necessidade, relação custo/ benefício,  custos de manutenção ou coisa que o valha;  basta dizer que a ação teve a participação ativa do Conselho Nacional de Justiça e faz parte de um programa de aparelhamento do Judiciário nacional, portanto coisa séria e pensada… , só isso  já deveria  bastar.

Ah ! em tempo, o TJAM  já possui uma outra aeronave e tem piloto e co-piloto como servidores contratados;  a aeronave já em serviço  é  um Piper P31 Navajo (bimotor executivo que foi também fabricado pela EMBRAER como modelo EMB 820, capacidade configurável  para 6  a 8 assentos ( piloto +5 ou +7) ),  que não é exatamente nenhum “modelo novo”… (aliás como praticamente toda frota de aeronaves de pequeno/médio porte em uso no Brasil), consome o  dobro de combustível, exige manutenção muito apurada e óbvio mais cara, não pousa ou decola de “qualquer lugar”… ,   foto ilustrativa abaixo:

                                                 

Modelo Navajo

O Navajo do TJAM  é um excelente avião… e está em muito boas condições, porém observando as necessidades reais, a “dobradinha” com o 206 é muito interessante (principalmente se virar hidro ou anfíbio, já que além da maior economia poderia  atingir localidades onde não há pista (ou pistas precárias)), outra opção muito  interessante seria  um Caravan, (“pé-duro”, robusto e confiável), igual aos da FAB… , mas essa já é outra história…

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Autor: Juarez Silva (Manaus)

Analista de T.I, Prof. Universitário, Tít. de Especialista em Educação a Distância (Univ. Católica de Brasília), Certificação em História e Cultura africana e afrobrasileira (FINOM-MG) e em Direitos Humanos e Mediação de Conflitos (SEEDH- Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República), Mestrando em História pela UFAM - Universidade Federal do Amazonas, Ex-Conselheiro Estadual de DH; Analista Judiciário do Quadro efetivo do Tribunal de Justiça do Amazonas. Ativista do Movimento Negro.

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