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O Soletrando do Hulk e as Cotas universitárias

6 Comentários

imagem cascavilhada da web

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O excelente programa promovido pelo “boa praça” (sem irônia) Luciano Hulk, premia bons estudantes (que obviamente não são bons apenas em soletrar… ) da rede pública de todo o país;  mais que isso, incentiva e leva esperança a muitos estudantes de escolas públicas  e ao povão de que “nem tudo está perdido”….

Hoje o program teve a sua final 2009 , dos 3 “guerreiros” quem levou o título foi uma mocinha do nordeste e aluna de Colégio Militar , filha de um Engenheiro e de uma profissional de nível superior que não lembro exatamente qual formação.

O interessante é que pouco antes da disputa final , Luciano traçou um perfil do segundo colocado, garoto branco e pobre do nordeste, sem pai e criado pela mãe  que não pode trabalhar pois cuida dos  pais  que  tem mal de Alzheimer…, a família vive da aposentadoria dos avós e do bolsa família do governo… ou seja , paupérrimos…, mas mesmo assim o garoto “é fera”  e fez bonito até o final, mas … “morreu na praia”…, minutos antes o terceiro colocado (do Rio de Janeiro e morador da favela da rocinha)  também “perecera” … .

Mas o que isso tem a ver com as COTAS ????

Várias vezes tenho escrito que as condições prévias (sócio-históricas, familiares e de origem escolar) fazem toda a diferença em qualquer “concurso”  (e isso inclui o vestibular ou qualquer outra forma de acesso a universidade) .

O resultado do concurso soletrando só vem comprovar a tese que tenho defendido…, mesmo em um ambiente de “teórica”  igualdade , as diferenças existem … escolas públicas não são todas iguais… , as condições sociais familiares não dão condições absolutamente iguais… e a origem étnico-racial idem…;  pensar que aluno de escola pública e privada tem as mesmas condições é um absurdo…, pensar que alunos de escola pública são todos iguais não é uma verdade absoluta, da mesma forma, achar que “pobre é tudo igual” e que não faz nenhuma diferença ser “pobre branco” ou “pobre negro” é uma tremenda ignorância…, dezenas de estudos acadêmicos sérios já comprovaram a desigualdade na pobreza também… .

Todo mundo sabe que apesar de públicos, os Colégios Militares e os antigos CEFETs (agora IFETs) tem situação diferenciada da quase totatildade das outras escolas públicas (mesmo as que tem programas especiais e geram alunos excelentes, com o nível dos participantes e principalmente dos finalistas do programa soletrando), ai enxergamos  quão falaciosa é outra questão que os anti-cotas insistem em alardear, o tal do “mérito”  e a “qualidade”, afinal ?  vamos imaginar que os concorrentes em questão  fossem candidatos cotistas ao vestibular (direito que todos tem) , será que o “mérito”  deles seria “menor” que o de um concorrente não-cotista ???, será que a “diferença acadêmica” ou mesmo o “potencial” desses “melhores da pública” é tão distante dos “piores da privada” ??? .

É justamente isso que acontece com as cotas, os cotistas  que entram na universidade são “os melhores” da escola pública… que apesar de todas as dificuldades, tem o desempenho muito similar ao dos “piores” da escola privada… e em alguns casos como os egressos de CEFETs e Colégios Militares, igual ou superior ao dos “melhores” da privada…; o problema é que em “competição direta” e sem “equalizadores” os egressos das outras escolas públicas, apesar de excelentes e de  se superarem incrívelmente , “morrem na praia” da  classificação vestibular, por “uma ou duas questões” (a “diferença” que  classifica os bem nutridos e preparados “piores da privada” mesmo com todas oportunidades prévias )   .

A mesma lógica deve ser utilizada quando falamos do recorte racial dentro da cota da escola pública…, entre os negros e “brancos” da escola pública existem diferenças que mesmo “mínimas “, são suficientes para causar uma desvantagem competitiva no vestibular (mas não  no potencial acadêmico) .

Não acredita ?  , pois ai vai mais uma “prova fresquinha”  que não somos “todos iguais” e que fatores como preconceito e racismo infuenciam diretamente no rendimento dos estudantes do ensino básico.

Preconceito na escola  piora desempenho escolar

Pesquisa indica que há 99,3% de preconceito no ambiente escolar

Veja a repercussão e opiniões de especialistas

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Autor: Juarez Silva (Manaus)

Analista de T.I, Prof. Universitário, Tít. de Especialista em Educação a Distância (Univ. Católica de Brasília), Certificação em História e Cultura africana e afrobrasileira (FINOM-MG) e em Direitos Humanos e Mediação de Conflitos (SEEDH- Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República), Mestrando em História pela UFAM - Universidade Federal do Amazonas, Ex-Conselheiro Estadual de DH; Analista Judiciário do Quadro efetivo do Tribunal de Justiça do Amazonas. Ativista do Movimento Negro.

6 pensamentos sobre “O Soletrando do Hulk e as Cotas universitárias

  1. REVOLUÇÃO QUILOMBOLIVARIANA!
    Viva Zumbi! Viva Che!Viva Hugo Chávez! Feliz 2010!
    Conscientização Justiça Prosperidade Solidariedade
    Fraternidade Amor Paz. Socialismo Quilombolivariano
      Ao Nosso Povo Viva Brasil! Venceremos Feliz 2010!
    Manifesto em solidariedade, liberdade e desenvolvimento dos povos afro-ameríndio latinos, no dia 01 de maio dia do trabalhador foi lançado o manifesto da Revolução Quilombolivariana fruto de inúmeras discussões que questionavam a situação dos negros, índios da América Latina, que apesar de estarmos no 3º milênio em pleno avanço tecnológico, o nosso coletivo se encontra a margem e marginalizados de todos de todos os benefícios da sociedade capitalista euro-americano, que em pese que esse grupo de países a pirâmide do topo da sociedade mundial e que ditam o que e certo e o que é errado, determinando as linhas de comportamento dos povos comandando pelo imperialismo norte-americano, que decide quem é do bem e quem do mal, quem é aliado e quem é inimigo, sendo que essas diretrizes da colonização do 3º Mundo, Ásia, África e em nosso caso América Latina, tendo como exemplo o nosso Brasil, que alias é uma força de expressão, pois quem nos domina é a elite associada a elite mundial, é de conhecimento que no Brasil que hoje nos temos mais de 30 bilionários, sendo que a alguns destes dessas fortunas foram formadas como um passe de mágica em menos de trinta anos, e até casos de em menos de 10 anos, sendo que algumas dessas fortunas vieram do tempo da escravidão, e outras pessoas que fugidas do nazismo que vieram para cá sem nada, e hoje são donos deste país, ocupando posições estratégicas na sociedade civil e pública, tomando para si todos os canais de comunicação uma das mais perversas mediáticas do Mundo. A exclusão dos negros e a usurpação das terras indígenas criaram-se mais e 100 milhões de brasileiros sendo este afro-ameríndio descendente vivendo num patamar de escravidão, vivendo no desemprego e no subemprego com um dos piores salários mínimos do Mundo, e milhões vivendo abaixo da linha de pobreza, sendo as maiores vitimas da violência social, o sucateamento da saúde publica e o péssimo sistema de ensino, onde milhões de alunos tem dificuldades de uma simples soma ou leitura, dando argumentos demagógicos de sustentação a vários políticos que o problema do Brasil e a educação, sendo que na realidade o problema do Brasil são as péssimas condições de vida das dezenas de milhões dos excluídos e alienados pelo sistema capitalista oligárquico que faz da elite do Brasil tão poderosas quantos as do 1º Mundo. É inadmissível o salário dos professores, dos assistentes de saúde, até mesmo da policia e os trabalhadores de uma forma geral, vemos o surrealismo de dezenas de salários pagos pelos sistemas de televisão Globo, SBT e outros aos seus artistas, jornalistas, apresentadores e diretores e etc.
    Manifesto da Revolução Quilombolivariana vem ocupar os nossos direito e anseios com os movimentos negros afro-ameríndios e simpatizantes para a grande tomada da conscientização que este país e os países irmãos não podem mais viver no inferno, sustentando o paraíso da elite dominante este manifesto Quilombolivariano é a unificação e redenção dos ideais do grande líder Zumbi do Quilombo dos Palmares a 1º Republica feita por negros e índios iguais, sentimento este do grande líder libertador e construí dor Simon Bolívar que em sua luta de liberdade e justiça das Américas se tornou um mártir vivo dentro desses ideais e princípios vamos lutar pelos nossos direitos e resgatar as histórias dos nossos heróis mártires como Che Guevara, o Gigante Oswaldão líder da Guerrilha do Araguaia. São dezenas de histórias que o Imperialismo e Ditadura esconderam.Há mais de 160 anos houve o Massacre de Porongos os lanceiros negros da Farroupilha o que aconteceu com as mulheres da praça de 1º de maio? O que aconteceu com diversos povos indígenas da nossa América Latina, o que aconteceu com tantos homens e mulheres que foram martirizados, por desejarem liberdade e justiça? Existem muitas barreiras uma ocultas e outras declaradamente que nos excluem dos conhecimentos gerais infelizmente o negro brasileiro não conhece a riqueza cultural social de um irmão Colombiano, Uruguaio, Argentina, Boliviana, Peruana, Venezuelano, Argentino, Porto-Riquenho ou Cubano. Há uma presença física e espiritual em nossa história os mesmos que nos cerceiam de nossos valores são os mesmos que atacam os estadistas Hugo Chávez e Evo Morales Ayma,não admitem que esses lideres de origem nativa e afro-descendente busquem e tomem a autonomia para seus iguais, são esses mesmos que no discriminam e que nos oprime de nossa liberdade de nossas expressões que não seculares, e sim milenares. Neste 1º de maio de diversas capitais e centenas de cidades e milhares de pessoas em sua maioria jovem afro-ameríndio descendente e simpatizante leram o manifesto Revolução Quilombolivariana e bradaram Viva a,Viva Simon Bolívar Viva Zumbi, Viva Che, Viva Martin Luther King,Malcolm X Viva Oswaldão, Viva Mandela, Viva Chávez, Viva Evo Ayma,Rafael Correa, Fernando Lugo, Viva a União dos Povos Latinos afro-ameríndios, Viva 1º de maio, Viva os Trabalhadores do Brasil e de todos os povos irmanados.

    Movimento Revolucionário Socialista QUILOMBOLIVARIANO
    vivachavezviva.blogspot.com/
    quilombonnq@bol.com.br
    Organização Negra Nacional Quilombo
    O.N.N.Q. Brasil fundação 20/11/1970
    por Secretário Geral Antonio Jesus Silva

     
     
     
     

    • Bom…, pessoalmente achei o discurso “muito a esquerda” e principalmente “bolivariano demais”, eu detesto a Veja e a “mídia-má” , mas sinceramente, não levo a sério nada que venha enaltecendo “Los hermanos socialistas bolivarianos” .
      Bom , mas está ai, democráticamente está publicado.

  2. Não Sérgio 🙂 link a vontade…, gostei muito da sua visita e do seu posicionamento, que achei muito coerente, na realidade pensamos de forma semelhante, aliás todos os que labutam em prol das cotas ditas “raciais” e os projetos em tramitação tem o foco no sócio-racial com autodeclaração, ninguém é a favor (nesse caso da cota pura e simplesmente “racial” ) , o problema é que os inimigos das AA fazem questão de confundir a cabeça dos menos informados , colocando a coisa como simplesmente racial ou como resultado de “Tribunal racial” (o que nem a UnB com a sua comissão de verificação é na realidade) o padrão da UneB é o que está sendo adotado pela maioria das Universidades.

    O perigo de termos cotas majoritárias para escola pública sem recorte social e/ou racial , é a sobrerepresentação pelas escolas públicas ” de elite” tipo CEFETs e Colégios Militares , ou os Ricos matriculando seus filhos na escola pública (e fazendo “reforço” por fora) só para “garantir” a vaga…

  3. A propósito, parabéns pelo blog!
    Um abraço!

  4. Caro Juarez, com relação a esse assunto das cotas, é importante termos muito cuidado. Eu, particularmente, coloco-me ora contra, ora a favor (calma!… não sofro de distúrbio bipolar… rsrs).

    Deixe-me explicar.

    Para aqueles que querem acabar com as cotas, posiciono-me firmemente a favor delas, pois sou ciente da intenção mesquinha dos que a elas se opõem, que visam somente perpetuar as desigualdades sociais. O sistema de cotas racha duramente o modelo atual de divisão do trabalho, no qual quem já é rico ou classe média (e branco, na quase totalidade) ocupa os cargos que definem os rumos da sociedade e os pobres (negros e mestiços, em sua maioria) ficam relegados aos trabalhos sem poder de decisão. Isso incomoda muito a quem hoje detém o poder.

    Para quem é a favor das cotas, posiciono-me contra alguns modelos que estão sendo apresentados. Se a intenção do Movimento Negro (embora não exista um, mas vários movimentos negros, alguns, inclusive, muito equivocados) é democratizar o espaço social e, não, segregar, então olhar para a cor da pele não é o suficiente.

    Para ser mais claro, cito os exemplos dos sistemas de cotas da UNB (Universidade de Brasília) e da UNEB (Universidade do Estado da Bahia). No primeiro, há uma comissão que valida a cor informada no formulário de inscrição, para confirmar ou não se o candidato é negro e merece o sistema de cotas. Já na UNEB, para aceder ao sistema de cotas, o candidato deve se autodeclarar afrodescendente (o que ninguém valida), mas o que irá definir seu direito às cotas é ele ter feito os 3 últimos anos do ensino fundamental em escolas públicas. Penso que esse último sistema é muito mais correto que o primeiro.

    Ainda assim, no meu ponto de vista, o sistema de cotas está invertido. Nas universidades públicas deveria ser criada uma cota de 10% para estudantes de qualquer escola, pública ou privada. Os outros 90% deveriam ser exclusivos para quem cursou os 5 ou 7 últimos anos do ensino fundamental em escolas públicas. As universidades públicas devem ser para quem estudou em escolas públicas. Quem pode pagar pelo ensino particular, que o faça também no ensino superior.

    Isso seria muito mais democrático. Também não deixaria de ser uma ação afirmativa, já que a maior parte dos estudantes de escolas públicas é composta por afrodescendentes (negros, como você, e mestiços, como eu).

    E sem segregar, o que também é importante.

    PS: A propósito, vou colocar o link desse seu post no meu blog e minha resposta na sequência, ok? Se vc não gostar, retiro.

  5. Pingback: Fique por dentro Escola » Blog Archive » O Soletrando do Hulk e as Cotas universitárias

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