Marina Silva: Mitos X Fatos

Marina-duvidas

A ideia dessa postagem é comparar algumas “premissas” e dúvidas que se tem colocado contra a candidata à Presidência da República Marina Silva (PSB), mostrando como as pessoas “vendem e compram”  ideias contra  Marina que não correspondem a realidade… vejamos por exemplo a de que ela “fecha” com o pastor Marco Feliciano, vejamos o que ele próprio diz dela… :

“Em sua crítica à missionária assembleiana Marina Silva, Feliciano pôs em cheque inclusive sua fé: “Já fiz diversas críticas a postura da Marina e a forma como ela se comporta, mesmo se dizendo evangélica – se é que um dia foi. Marina tentou vender a imagem de boa crente, mas pecou em suas próprias ações”, disparou o pastor em texto publicado ontem, 04 de julho, em sua página no Facebook.”; pois então…, não sei de onde tiraram essa ideia estapafúrdia de que Marina apoiou ou apoia a fala absurda do Feliciano sobre “raça amaldiçoada”,  porém está mais do que claro que o próprio Feliciano “não morre de amores” por Marina (que por sua vez parece que “não está nem ai” para o que o ele acha certo ou errado…)
Deu na imprensa toda, inclusive na “gospel” : http://goo.gl/SzDci6

Quer saber como Marina se posiciona com relação a sua negritude e políticas afirmativas ?, posicionamento religioso, aborto, etc… ?, detesto recomendar algo nesta revista, mas dê uma olhada na entrevista de Marina em  2009 para a Veja, tá tudo lá…: http://veja.abril.com.br/020909/marina-imaculada-p-19.shtml .

Com relação ao plano de governo, ele foi produzido a várias mãos e aprovado pelo falecido Eduardo Campos (que era socialista, mas nenhum “comunista maluco” ao estilo “bolivariano”), bem como por Marina (que tem formação socialista igual a dos Petistas, afinal ela foi PT 30 anos, não é “tão diferente” assim…), o detalhe importante é quem coordenou a confecção do plano…, se chama NECA SETUBAL (uma das herdeiras do ITAÚ, portanto MUITO RICA), acontece que apesar de rica a história de vida e a prática social dela são impressionantes, formada em Ciências Sociais com doutorado, mantém ONGs pela qual recebeu premios sérios de reconhecimento, apoia as políticas públicas de inclusão e e apoiou a cota para negros nas universidades… , conheça-a aqui: http://goo.gl/Olmbzj  .

O programa de governo não é segredo nem mistério… quer ver ?  é só acessar: http://www.psb40.org.br/imprensa/programa.pdf

Só para adiantar veja o que tem na página 39 :

” • Garantir aos diferentes grupos étnicos, raciais, religiosos, de gênero e aqueles apoiados nas diferentes opções sexuais o espaço próprio de participação política de respeito e atenção às suas demandas específicas.

• Reforçar políticas de igualdade racial, inclusive a manutenção das cotas, como parte de um processo de restauração do equilíbrio aos desequilíbrios históricos contra as minorias. “

Penso que é sempre melhor lidar com fatos verificáveis e dados idem do que com especulações que não se sabe de onde vem (ou sabendo não são em nada “confiáveis”).

Invisibilização negra, uma questão de desconhecimento ou ideológica ?

silencio

 

Juarez C. da Silva Jr.

Não é raro ouvirmos no estado a repetição da sentença “não há negros no Amazonas !” (e obviamente replicado com relação a capital Manaus), vindo democraticamente tanto de pessoas simples e pouco instruídas quanto de figuras públicas de projeção nacional e instrução esmerada…, até mesmo em publicações oficiais essa negação ocorre (mesmo que não tão  direta e explicitamente)

O texto citado abaixo fez parte de um dos sites governamentais locais (hoje não mais disponibilizado em nenhum deles, porém ainda pode ser encontrado facilmente na web pois foi  largamente reproduzido em trabalhos escolares sem citação de fonte e sites outros disponibilizados na web) :

“Contribuição Étnica

Uma cidade marcada pelos traços culturais, políticos e econômicos herdados dos portugueses, espanhóis e franceses. Manaus cresceu assim, marcada pelos ciclos de exploração predatória do capitalismo de arribação. Mas, voltando um pouco na história do estado, não se pode esquecer a importância dos ameríndios no quesito contribuição étnica. Foram eles que iniciaram a ocupação humana na Amazônia, e seus descendentes caboclos desenvolveram-se em contato íntimo com o meio ambiente, adaptando-se às peculiaridades regionais e oportunidades oferecidas pela floresta.”

Percebe-se que não há  uma palavra sequer a respeito da presença ou influência negra na cultura, etc; ou seja, uma invisibilização por omissão .

O que piora quando uma publicação oficial (figura abaixo) traz equívocos grosseiros, demonstrando o real desconhecimento da temática étnico-racial (vide a definição de “amarelos” na figura abaixo), ou reproduz imprecisões e falácias preconceituosas como no destaque em amarelo, já não mais omitindo completamente, mas com clara intenção de minimizar e reforçar tal invisibilização da presença negra na cidade e no estado.

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Projeto Mapeamento Econômico do Comércio da Cidade de Manaus, 2009,  pag 12, no seguinte link oficial:

fonte : http://www.seplan.am.gov.br/arquivos/download/arqeditor/projetos_mapeamentos_economicos.pdf

A publicação ignora a diferença conceitual e estatística entre “preto” e ” negro”, desconsidera os registros históricos que dão conta da presença local de africanos e descendentes escravizados,  a  longa campanha abolicionista no estado ( 16 anos, e concluída em 1884 com a Abolição da escravidão no Amazonas, quatro anos antes da lei áurea) , dos  trabalhadores “africanos livres” em Manaus, dos primeiros “barbadianos” (trabalhadores negros falantes de inglês, contratados para as grandes obras do período áureo da borracha), dos migrantes do Pará e Maranhão…, e tudo isso ainda no século XIX, portanto muito antes  e com muito maior relevância do que o alegado. A confusão se dá pela utilização do ano de 1907 (quando se amplia a presença barbadiana na região amazônica em função da retomada da construção da Estrada de ferro Madeira-Mamoré em Rondônia, bem como, de diversos outros empreendimentos ingleses em Belém e Manaus, mas nem isso elimina a sua presença prévia)  a exemplo da seguinte citação:

Entre 1890 e 1925, a Amazônia recebeu número considerável de imigrantes da colônia inglesa de Barbados no Caribe. Na sua grande maioria vieram como mão de obra especializada para trabalhar nas companhias inglesas responsáveis pelos serviços públicos no Pará. “Negros em quase sua totalidade, os barbadianos foram identificados na cidade como negros estrangeiros” 19. A vida social desses imigrantes era organizada em torno da Igreja Anglicana, transformando-a num centro de preservação sua identidade.”   (FIGUEIREDO, 2004).

A ideia central do discurso negacionista parece ser reforçar a  premissa de que a presença negra não ocorre no Amazonas de forma histórica e em período de formação do que é considerado “a base  do “povo amazonense”, muito menos com relevância…,  o que remeteria a população negra que ” insiste em não desaparecer”  a  um status de “alienígena”,  extemporânea,  raras exceções e “incidentais”, com a intenção de “preservar isolado” da composição étnico-racial local o elemento negro, “indesejável” enquanto permeador e formador de uma  sociedade que se deseja ver “europeizada” ou no máximo (já que não é possível negar dada a óbvia prevalência visual geral) caldeada com o indígena (vide também “Diretório dos índios do Marquês de Pombal: ou quando se acirrou a diferença social entre nativodescendentes e afrodescendentes no norte do Brasil.“)
Tal discurso excludente,  aparece como dito no início,  de forma generalizada e por exemplo na fala de diversos intelectuais e  lideranças políticas:
“Como parlamentar amazonense, o que tenho a observar é que nós temos uma identidade cabocla no Amazonas. É escassa a população negra naquele estado. A predominância é absolutamente do elemento indígena com o elemento europeu [..] Para mim, Zumbi é um herói, mas um herói muito mais próximo de mim é o índio Ajuricaba, que resistiu até a morte contra Portugal, liderando com enorme maestria uma verdadeira guerrilha contra o colonizador português. Então são valores que não podem ser esquecidos.” (Arthur Virgílio Neto, Agência Senado, 2009)  
Ou do Ex-Reitor da Universidade do Amazonas  Lourenço Braga que em entrevista à Agencia Brasil  afirmou :
“A universidade não enfrentou a questão dos negros porque eles se constituem uma minoria bastante pequena na região. A minoria mais significativa na região é de índios”. (Lourenço Braga, Agência Brasil, 2004)
Vale ressaltar  que à  época  e  segundo o Censo do IBGE de 2000, a população do Amazonas (2.817.252 habitantes) era  formada por 4,02% (113.391) de índios, 3,1% de pretos (87.334), 66,89% de pardos ( lembrando que oficialmente, pelos critérios do IBGE , políticas públicas, academia e Movimento Negro, a soma os autodeclarados pardos e pretos compõem a chamada população negra)  e 24,19% de brancos; ou seja, está óbvio que o reitor desconhecia o fato ou preferiu ignorar e seguir de acordo com a ideologia de invisibilização corrente, já que uma diferença de um ponto percentual (dentro da margem de tolerância para o chamado empate estatístico) em termos técnicos não teria o condão de “justificar” cotas indígenas e “não enfrentar” cotas para negros devido a”não significância” do segmento, e novamente lembrando que falamos apenas de pretos, a se considerar o conceito estatístico de negro (pretos + pardos) a coisa atingiria  simplesmente 70% da população…  .
 A CONTRA-INVISIBILIZAÇÃO

Mais recentemente, próximo da virada do século, se intensificou no meio acadêmico e em consonância com o que já se vinha há um bom tempo sendo demandado pelo movimento negro, um movimento no sentido de reverter tal invisibilização;  Luis Pinheiro Balkar  e Patricia Maria Melo Sampaio (respectivamente meu Professor e Orientadora  no Mestrado)  já denunciavam tal invisibilização histórica:

Em artigo recente sobre a presença negra na Amazônia de meados do XIX, Luís Balkar Pinheiro aponta para as limitações de abordagem encontradas na produção historiográfica e conclui que um de seus principais desdobramentos é o fato de que “o ocultamento da presença negra na Amazônia continua efetivo, mantendo incólume uma das mais graves distorções na escrita da história da região.” (SAMPAIO, 1999, s/p)

Novamente citando Patrícia Sampaio em importante e mais recente (2011) obra por ela organizada, “O FIM DO SILÊNCIO: presença negra na Amazônia”, verifica-se a relevância de todos os trabalhos no sentido de eliminar esse persistente silêncio.

[..] tema tido como fundamental nos mais diferentes campos acadêmicos: economia, sociologia, antropologia, direito, além da história, obviamente. Contudo em se tratando de Amazônia e, mais particularmente, do Amazonas, estamos diante de um tema muito pouco frequentado pelos estudiosos. Um silêncio persistente que insiste em apagar memórias, histórias e trajetórias de populações muito diversificadas que fizeram desta região seu espaço de luta e sobrevivência. Esta é uma dívida de muitas gerações que ainda reclama sua paga. (SAMPAIO, 2011, p8 )

De fato, uma nova geração de pesquisadores amazonenses em sua maioria influenciados ou seus orientandos, como Ygor Olinto Cavalcante, Provino Neto, Tenner Inauhiny entre tantos outros, formados e em formação, tem dado significativa contribuição para reverter essa invisibilização.

Corroborado pelos esforços dos militantes dos movimentos de negritude, que recentemente tem alcançado os programas de pós-graduação, como Ednailda dos Santos,  Arlete Anchieta, Gláucio da Gama,  Socorro Lima , além de outros já mais antigos como o Dr. KK Bonates,  trazendo aos poucos a  justa reversão do quadro.

Para finalizar, cabe lembrar um dos últimos fatos com relação a essa invisibilidade negra no Amazonas, muitas pessoas afirmam sem maiores constrangimentos, que a população negra na cidade de Manaus só “aparece”  ou “cresce grandemente” a partir da chegada dos imigrantes haitianos, refugiados do grande terremoto de 2010, quando em grandes levas chegavam a Manaus, lotando as instalações da igreja São Geraldo, na avenida Constantino Nery, ou circulando a pé aos pares ou grupos atrás de empregos com as indefectíveis pastas com documentos e curriculuns, ocorre que no período de 2010 a 2014 entraram no Brasil, cerca de 34 mil haitianos, desses 20%  (6.800) direto de port-au-prince  para o sudeste do Brasil, 75% entraram pelas fronteiras do norte (Tabatinga-AM ou Brasileia-AC), pelas facilidades para entrar e seguir por terra a maioria entra por Brasileia-AC, até  meados de 2013 mais de 10 mil haviam passado por lá, o sendo a rota preferida o número triplicou desde 2010 , o que deixaria como saldo máximo para a entrada  por Tabatinga – Manaus de cerca de 17 mil ao longo de quatro anos, sabe-se que hoje, embora estejam em 286 cidades brasileiras, 75% dos haitianos estão concentrados em São Paulo, em torno de 10% em Manaus (ou seja 3.400)  e 7% – cerca de 3 mil – em Minas Gerais.

De acordo com o relatório do IBGE de 2007, em 2000, a Região Norte possuía uma população de 12,9 milhões de habitantes, dos quais 3,6 milhões se classificaram como brancos (28,0%), 641 mil como pretos (5,0%), 29 mil como amarelos (0,2%), 8,3 milhões como pardos (64,0%) e 213 mil indígenas (1,7%). (lembrando que nem estamos entrando na questão dos “pardos” que na região norte tem a especificidade de não ser majoritariamente de origem africana, mas indígena)

A questão é, como é que notaram os talvez 17 mil haitianos que passaram por Manaus e os 3.400 que ficaram por aqui, mas não perceberam os 87.334 pretos brasileiros, que já estavam por  aqui pelo Amazonas de acordo com o Censo de 2000, ou os 143.888  de acordo com o censo de 201o… ????;  por outro lado ninguém tem dúvidas em colocar o Amazonas como “estado indígena” pelos 168.624 indígenas apurados no mesmo censo (uma diferença   + + 0,7% pontos percentuais em relação a de pretos), mas insistem sistematicamente na negação da presença negra ou na sua “alienigezação”, mas (BLUMER, 1939) explica bem isso :

Os quatro tipos de sentimentos sempre presentes no preconceito racial: 

  1.  um sentimento de superioridade;
  2.  um sentimento de que a raça um sentimento de que a raça subordinada  é intrinsecamente diferente e alienígena;
  3.  um sentimento de monopólio sobre um sentimento de monopólio sobre certas vantagens e privilégios
  4.  medo ou suspeita de que a raça medo ou suspeita de que a raça subordinada deseja partilhar partilhar as prerrogativas da raça dominante.

Pelo resultado das ações práticas, se explica e pode-se identificar os verdadeiros sentimentos que motivam a histórica invisibilização negra no Amazonas.

 

 

Mestrando em História Social do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Amazonas (PPGH-UFAM) turma de 2014 e cursista da disciplina Metodologia das Ciências Sociais no Mestrado em Sociologia do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal do Amazonas (PPGS-UFAM).

 

REFERÊNCIAS

AFROAMAZONAS. Desenvolvida pelo Movimento Afrodescendente do Amazonas, 2006, Informações gerais sobre a Instituição e referencial teórico sobre negritude . disponível em: < http://movimentoafro.amazonida.com >. Acesso em 18. ago. 2014.

BLUMER, H. 1939 “The nature of racial prejudice”, Social Process in Hawaii, v. 11-20. 1965 “Industrialization and race relations”, in HUNTER, G., Industrialization and Race Relations, Westport, Greenwood.

FIGUEREDO. Aldrin. Belém dos Imigrantes: História e Memória. Belém- Pará.  Museu de Arte de Belém , 2004.

GARCIA, Etelvina. Manaus, Referências da História, disponível em : < http://www.manaus.am.gov.br/manaus/referenciasdahistoria/sumario>. acesso em 29. out. 2013.

HAITIANOS BRASIL. Desenvolvida SERVIÇO VOLUNTÁRIO PRÓ HAITI e jesuítas do Brasil em Manaus/Amazonas. , 2013, Informações gerais sobre a Instituição e serviços relacionados. disponível em: < http://haitianosbrasil.blogspot.com.br/ >. Acesso em 18. ago. 2014.

IBGE. Censo Demográfico 2010. Disponível em: http://www.ibge.gov.br. Acesso em: 18. ago. 2014.

LIMA, Maria Rosane. Ingleses Pretos, Barbadianos Negros, Brasileiros Morenos? Identidades e Memórias (Belém, Século XX e XXI). Dissertação de mestrado, UFPA. 2004

MONTEIRO, Mário Ypiranga. O folclore afro-negro no Amazonas.

Caderno do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, Manaus, 1987

REIS, Arthur. História do Amazonas, Belo Horizonte: Itatiaia, 1989

SAMPAIO, P. M. O fim do silencio: Presença negra na Amazônia. Belém: Açaí: CNPq, 2011.

SILVA JUNIOR, J. C. A presença negra no Amazonas, 2006. disponível em< http://movimentoafro.amazonida.com/presenca_negra_no_amazonas.htm>. acesso: 18. ago. 2014.

Um dia em um mundo sem negros

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Essa é uma estorinha muito interessante, disponibilizada no site de uma das pessoas tidas como um dos maiores gênios científicos da atualidade, Philip Emeagwali  (vale a pena conhecer sua biografia), já tendo passado por várias traduções e adaptações, essa é uma delas, mas está bem fiel à original em Inglês.

Apesar de baseada apenas nos inventores/cientistas afroamericanos “modernos”, dá bem a ideia da contribuição negra para a civilização moderna (não vamos nem falar das antigas para a história de toda a humanidade), fatos desconhecidos da grande maioria das pessoas e que uma vez conhecidos podem mudar muitas visões preconceituosas… .

COMO SERIA O MUNDO SEM OS NEGROS ?
Philip Emeagwali 

O garoto, um dia, acordou e perguntou à mãe:

“Mãe, o que aconteceria se não existissem pessoas negras no mundo?” Sua mãe pensou por um momento e então falou:

“Filho, siga-me hoje e vamos ver como seria se não houvesse pessoas negras no mundo”. E, então, disse:

“Agora vá se vestir e nós começaremos” Theo correu para seu quarto para colocar suas roupas e sapatos.

Sua mãe deu uma olhada nele e disse: “Theo , onde estão seus sapatos? E suas roupas estão amassadas, filho, preciso passá-las”.
Mas quando ela procurou pela tábua de passar, ela não estava mais lá. Veja, 
Sarah Boone, uma mulher negra, inventou a tábua de passar roupa.

Jan E. Matzelinger, um homem negro, inventou a máquina de colocar solas nos sapatos. “Então… – ela falou – Por favor vá e faça algo em seu cabelo.”

Theo decidiu apenas escovar seu cabelo, mas a escova havia desaparecido. Veja, Lydia O. Newman, uma mulher negra, inventou a escova. Ora, essa foi uma visão… nada de sapatos, roupas amassadas, cabelos desarrumados.

Mesmo o cabelo da mãe, sem as invenções para cuidar do cabelo feitas por Madame C. J. Walker… Bem, vocês podem vislumbrar… A mãe disse a Theo : “Vamos fazer nossos trabalhos domésticos e, então, iremos ao mercado”.

A tarefa de Theo era varrer o chão. Ele varreu, varreu e varreu.
Quando ele procurou pela 
pá de lixo, ela não estava lá. Lloyde P. Ray, um homem negro, inventou a pá de lixo.

Ele decidiu, então, esfregar o chão, mas o esfregão tinha desaparecido. Thomas W. Stewart, um homem negro, inventou o esfregão. Theo gritou para sua mãe: “Não estou tendo nenhuma sorte!”

Ela responde: “Bem, filho, deixe-me terminar de lavar estas roupas e prepararemos a lista do mercado”. Quando a lavagem estava finalizada, ela foi colocar as roupas na secadora, mas ela não estava lá. Acontece que George T. Samon, um homem negro, inventou a secadora de roupas. A mãe pediu a Theo que pegasse papel e lápis para fazerem a lista do mercado. Theo correu para buscá-los, mas percebeu que a ponta do lápis estava quebrada.
Bem… ele estava sem sorte, porque 
John Love, um homem negro, inventou o apontador de lápis. A mãe procurou por uma caneta, mas ela não estava lá, porque William Purvis, um homem negro, inventou a caneta-tinteiro.

Além disso, o negro Lee Burridge inventou a máquina de datilografia e outro negro, W. A. Lovette, a prensa de impressão avançada.

Theo e sua mãe decidiram, então, ir direto para o mercado. Ao abrir a porta, Theo percebeu que a grama estava muito alta.
De fato, 
a máquina de cortar grama foi inventada por um homem negro, John Burr.

Eles se dirigiram para o carro, mas notaram que ele simplesmente não sairia do lugar. Isso porque Richard Spikes, um homem negro, inventou a mudança automática de marchas e Joseph Gammel inventou o sistema de supercarga para os motores de combustão interna. Eles perceberam que os poucos carros que estavam circulando, batiam uns contra os outros, pois não havia sinais de trânsito. Garret A. Morgan, um homem negro, foi o inventor do semáforo.

Estava ficando tarde e eles, então, caminharam para o mercado, pegaram suas compras e voltaram para casa. Quando eles iriam guardar o leite, os ovos e a manteiga, eles notaram que a geladeira havia desaparecido. É que John Standard, um homem negro, inventou a geladeira.

Colocaram, assim, as compras sobre o balcão. A essa hora Theo começou a sentir bastante frio. Sua mãe foi ligar o aquecimento. Acontece que Alice Parker, uma mulher negra, inventou a fornalha de aquecimento. Mesmo no verão eles não teriam sorte, pois Frederick Jones, um homem negro, inventou o ar condicionado.

Já era quase a hora em que o pai de Theo costumava chegar em casa. Ele normalmente voltava de ônibus. Não havia, porém, nenhum ônibus, pois seu precursor, o bonde elétrico, foi inventado por outro homem negro, Elbert R. Robinson.

Ele usualmente pegava o elevador para descer de seu escritório, no vigésimo andar do prédio, mas não havia nenhum elevador, porque um homem negro, Alexander Miles, foi o inventor do elevador.

Ele costumava deixar a correspondência do escritório em uma caixa de correio próxima ao seu trabalho, mas ela não estava mais lá, uma vez que foi Philip Downing, um homem negro, o inventor da caixa de correio para a colocação de cartas e William Berry inventou a máquina de carimbo e de cancelamento postal.

Theo e sua mãe sentaram-se na mesa da cozinha com as mãos na cabeça. Quando o pai chegou, perguntou-lhes: “Por que vocês estão sentados no escuro?”. A razão disso? Pois Lewis Howard Latimer, um homem negro, inventou o filamento de dentro da lâmpada elétrica.

Theo havia aprendido rapidamente como seria o mundo se não existissem as pessoas negras. Isso para não mencionar o caso de que pudesse ficar doente e necessitar de sangue. Charles Drew, um cientista negro, encontrou uma forma para preservar e estocar o sangue, o que o levou a implantar o primeiro banco de sangue do mundo. E se um membro da família precisasse de uma cirurgia cardíaca? Isso não seria possível sem o Dr. Daniel Hale Williams, um médico negro, que executou a primeira cirurgia aberta de coração.

Então, se você já se perguntou, como Theo, onde estaríamos sem os negros? Bem, é muito fácil de ver. Ainda estaríamos no escuro!

Eduardo Campos morre em acidente aéreo

eduardo-campos

 Notícia pega o Brasil de surpresa, o ex-governador de Pernambuco e candidato à Presidência da República pelo PSB estava em um jatinho de empresa da qual era sócio,  indo do Rio de Janeiro para o Guarujá  para compromissos de campanha, o avião durante o pouso em Santos arremeteu devido ao mau tempo e caiu logo depois,  assessores de Campos também estavam a bordo.

Demais candidatos à presidência, autoridades, amigos e eleitores, manifestaram seu pesar,  bem como a candidata a vice de Campos, Marina Silva.

Cedo para dizer, mas com a morte de Eduardo Campos, a corrida presidencial ganha novos contornos, se confirmado Marina como cabeça de chapa, tudo pode mudar, nas últimas eleições Marina foi muito bem votada (mais de 20 milhões de votos),  portanto, pode surpreender crescendo muito na preferência popular e  chegando ao segundo turno,  já que como ex-petista histórica, e mulher, está muito mais próxima do perfil da favorita nas pesquisas a Presidente Dilma Roussef.

 

 

Boogie Oogie, os 70 voltaram…

(Foto: Camila Camacho/TV Globo)

(Foto: Camila Camacho/TV Globo)

Ontem rolou o primeiro capítulo da nova novela das 18h da Globo, que  traz de volta o finalzinho dos anos 70, a mesma época que para a minha geração e a anterior ficou extremamente marcada como os “Dancin’ Days” (dias dançantes)  ou época da Disco (Discoteca), quem perdeu  pode  assistir online aqui.

Aliás “Dancin’ Days” foi uma novela também da Globo e que passou justamente no período retratado pela atual novela (e com certeza haverá referências…), o primeiro capítulo me trouxe uma série de lembranças icônicas muito pessoais, para  além dos carros, roupas comuns e detalhes de época; principalmente a tecnologia, já que em 1978 eu me aventurava não apenas pelas minhas primeiras saidinhas noturnas, mas também pela discotecagem amadora, em “brincadeiras dançantes” e festinhas,  como DJ, tudo que emitisse som e luz me interessava bastante :-) (em 1981 abri minha própria Disco e fui  DJ profissional por uns meses).

Outras coisas também foram resgatadas da memória, o bom e velho Cessna 172 Skyhawk ( avião monomotor que imperava na época, o meu quarto  de teenager era cheio de fotos de aviões, e um pouco depois, já  no começo dos 80 eu iria iniciar o curso de piloto privado),  o uniforme verde oliva do Exército (que meu pai usava ) e pouco depois eu mesmo usei um igualzinho ao  personagem  “Cabo Pedro” por quatro anos…, a gravata de crochet (febre na época).

Como não poderia deixar de ser, agora temos que falar do principal; a música e a dança…, logo na abertura, tem um pessoal dançando em uma “disco clássica”, eu só percebi um negro nessa turminha, e que por coincidência (ou não…) usando o mesmo estilo que eu usava na época, uma das minhas “marcas registradas” nas “nigths de disco”, era a boina militar, tênis, suspensórios, camisetas de lurex coladas, enfim…  :-), uma outra coisa foram os patins, eu patinava muito (até trabalhava de patins atendendo no nosso supermercadinho) só que isso já foi em 1980, no “pós-discoteca clássica”, na época  chamada de “roller disco” concomitante com a introdução do funk  (o verdadeiro, norte-americano, não confunda com o que os cariocas chamam de funk…) que por sua vez antecedeu a fase do rock nacional dos 80… .

O legal é que com a novela eu “volto forte à moda” (apesar de  na realidade eu  nunca ter saído…), ainda guardo e uso os meus discos de vinil e fitas K-7 :-).

Na moda..., tocando tudo, vinil e K-7 :-)

Na moda…, tocando tudo, vinil e K-7 :-)

A trilha sonora está bem representativa, mas obviamente devido ao limite faltaram várias  músicas fundamentais (como alguma das “As frenéticas”, Automatic Lover da Dee D. Jackson, e Bee Gees…, como é que uma novela que fala da era Disco não temna soundtrack uma única musiquinha deles sequer ???? ),  por fim (e até pelo título da novela… :-) ) uma outra que não deveria ter faltado de jeito nenhum, para qual dou link no final da postagem.

Confira abaixo a lista com a trilha sonora (coloquei asteriscos nas ++ imperdíveis)

MÚSICA AUTOR INTÉRPRETE
That’s the way (I like it) KC Casey/Richard Finch KC And The Sunshine Band Abertura
Celebration Kool And The Gang / Ronald Bell Kool And The Gang   *
Dance, Dance, Dance (Yowsah) Bernard Edwards / Kenny Lehman / Nile Rodgers Chic
Disco Inferno Leroy Green / Ron Kersey The Tramps  *
Don’ T Go Breaking My Heart Ann Orson (Elton John) / Carte Blanche (Bernard Taupin) Elton John & Kiki Dee
Fantasy Edddie Del Barr / Maurice White / V Barrio Earth, Wind & Fire  *
Got To Be Real Cherry Lynn / David Foster / David Paich Cheryl Lynn  *
Got To Give It Up Marvin Gaye Marvin Gaye
Heart Of Glass Chris Stein / Debbie Harry Blondie
Hot Stuff Harold Faltermeyer / Keyth Forsey / Pete Bellotte Donna Summer  *
I Go To Rio Adrienne Anderson / Peter Allen Peter Allen
If I Can’ T Have You Barry Gibb / Maurice Gibb / Robin Gibb Yvonne Elliman  *
Just The Way You Are Billy Joel Barry White  *
Love Hangover Leod Marilyn / Pamela Sawyer Diana Ross
Ring My Bell Frederick Knight Anita Ward  *
September Al Mckay / Alle Willis / Maurice White Earth, Wind & Fire  *
Three Times A Lady Lionel Richie Commodores
Your Song Elton John/Bernie Taupin Elton John
A Noite Vai Chegar Paulinho Camargo Lady Zu  *
Acabou Chorare Luiz Galvão/Moraes Moreira Novos Baianos
As Dores Do Mundo Hyldon Hyldon
Barato Total Gilberto Gil Gal Costa
Coisas Da Vida Rita Lee Rita Lee  *
Deusa Do Amor Baby Consuelo /
Pepeu Gomes
Pepeu Gomes
London London Caetano Veloso Caetano Veloso  *
Minha Teimosia, Uma Arma Pra Te Conquistar Jorge Benjor Jorge Benjor
Sossego Tim Maia Tim Maia   *

E como prometido…,  a  “faltante”  BOOGIE WITH ME (Com o duo POUSSEZ), clique e aguarde aparecer a capa do disco que toca automaticamente, senão clique no botão com símbolo de play :

http://indavideo.hu/video/Poussez_-_Boogie_with_me

Vira e mexe, de novo os haitianos…

imigrantes-o-que-fato-sucedeApesar de não mais com o “entusiasmo” de alguns anos atrás, quando começaram a chegar os primeiros haitianos fugindo do caos  após a destruição causada pelo terremoto de 2010, vira e mexe alguém “lembra” que eles continuam vindo, não raro demonstrando alguma “preocupação” ou “dúvida” com relação a por que e como eles vem…, muito embora não tenha havido qualquer grande problema social (a exceção do grande acúmulo de imigrantes aguardando nas “cidades estanques” de entrada), nada de aumento de criminalidade, choques culturais, invasão de terras, moradia perigosa…, ou seja, nada do que ocorre normalmente com nossas próprias migrações internas, a única coisa que tem ocorrido é gente contente por poder estar trabalhando e ganhando o seu honestamente e patrões contentes com trabalhadores dedicados e  que “pegam rápido” as coisas.

Hoje temos no Brasil, cerca de 34 mil haitianos (podendo chegar a 50 mil no final do ano), 20% deles conseguem vistos no próprio país e desembarcam direto nos aeroportos de Belo Horizonte, Brasília ou  São Paulo;  pouco mais de 40% dos imigrantes haitianos têm escolaridade de nível médio completo ou incompleto, 30% do total  desses imigrantes são absorvidos pela construção civil os demais em outras ocupações em geral “indesejadas” ou não muito visadas pelos brasileiros (jardineiros, garçons, zeladores ou mesmo chão de fábrica). Como eles vem não é segredo, quem ficou com a casa em pé  hipoteca a casa em troca de algum dinheiro vivo, existe também as “vaquinhas familiares”, no médio prazo ter parentes trabalhando e enviando um fluxo constante de divisas a partir do Brasil é mais interessante que investir na destruída economia haitiana…, o custo dessa vinda é de cerca de 2,9 mil dólares por pessoa (~R$ 6.500) o que não é pouco, mas devido aos esquemas apresentados também não é nada “impossível”.

Apenas para ilustrar, no período da imigração massiva (de 1824 a 1969) tivemos  mais  de  250 mil  alemães entrando, sendo (76 mil) em um período de 10 anos(1920-1929), entre 1904 e 1972, desembarcaram um milhão e 240 mil portugueses, 505 mil espanhóis, 484 mil italianos, 248 mil japoneses, isso tudo em uma época em que a população brasileira era bem menor… , e para lembrar uma imigração mais recente (a dos coreanos) que hoje já são 50 mil no país,  sem contudo se ver “dúvidas ou questionamentos” quanto a qualquer uma delas (e muito pouco sobre os bolivianos escravizados em SP…),  a entrada maciça de imigrantes europeus na virada do século XIX para XX sob o argumento de que havia escassez de mão de obra com o fim da escravidão é totalmente falaciosa, já que segundo o historiador Petrônio Domingues, não havia escassez de mão de obra em finais do século XIX. Domingues calculou que havia no Brasil, naquela época, cerca de 4 milhões de brasileiros ociosos, entre negros e não negros. Entre 1851 e 1900, entraram no Brasil 2 milhões de imigrantes, ou seja, metade do total de nacionais fora do mercado de trabalho. Não existia, portanto, uma real necessidade de atrair esse contingente de imigrantes para o país, pois os próprios brasileiros poderiam ter suprido a demanda.

Logo, essa importação massiva de europeus e asiáticos fazia parte de uma política chamada “política nacional de branqueamento” , cuja intenção era óbvia…,

Citando José Honório Rodrigues, João Camilo de Oliveira Torres[2] documenta (p.90-91):

“Excluídos os chineses, começaram os defensores da branquidade, da europeidade de nossa gente, a opor-se à entrada de negros e amarelos. Foi a república que iniciou a discriminação. Já o Decreto nº 528, de 28 de junho de 1890, sujeitava à autorização especial do Congresso a entrada de indígenas da Ásia e da África, que não tinham assim a mesma liberdade de imigração que os outros.

Em 28 de julho de 1921, Andrade Bezerra e Cincinato Braga propuseram ao Congresso um projeto cujo artigo 1º dispunha: ‘Fica proibida no Brasil a imigração de indivíduos humanos das raças de cor preta. Dois anos depois, a 22 de outubro, o deputado mineiro Fidélis Reis apresentava outro projeto relativo à entrada de imigrantes, cujo artigo quinto estava assim redigido: ‘É proibida a entrada de colonos da raça preta no Brasil e, quanto ao amarelo, será ela permitida, anualmente, em número correspondente a 5% dos indivíduos existentes no país.(…)

No campo especificamente jurídico, essa ideologia pode ser constatada, emblematicamente, no Decreto-lei nº 7.967/1945. Cuidando da política imigratória, dispôs que o ingresso de imigrantes dar-se-ia tendo em vista “a necessidade de preservar e desenvolver, na composição étnica da população, as características mais convenientes da sua ascendência européia.” (artigo 2º).

Para encurtar a conversa, não havendo qualquer problema real causado pela entrada dos refugiados haitianos e sendo o seu número muito menor que a maioria das entradas históricas de imigrantes, só nos resta concluir que “o problema” continua sendo o mesmo introjetado pela política de branqueamento…, por tal motivo é que insistimos que por mais que as pessoas não se enxerguem como racistas, e nem tenham essa intenção consciente, permanecem reproduzindo e perpetuando visões preconceituosas e discriminatórias, só o conhecimento pode despertar uma mente embotada  pelo nevoeiro eurocentrista (base do racismo), esse é o nosso trabalho, não é sair por ai acusando uns e outros de “racistas”, mas sim despertar consciências a partir de fatos e dados claros e inequívocos (mas que nem sempre estão reunidos ou são de interesse de quem não estuda a temática seriamente), só assim as coisas mudam…

Anão é o escambau…

Anão-o-escambau

Antes de mais nada, cabe lembrar que a indignação não tem absolutamente nada a ver com o nanismo biológico ou qualquer interpretação como ofensa  ou estigmatização a partir do mesmo, nascer anão  é uma das  naturais possibilidades humanas e não cabe ai nenhum motivo para discriminação ou ofensa.

O que estou falando é da falta de respeito de um representante de um estado (Israel) o porta-voz do ministério das Relações Exteriores de Israel, Yigal Palmor,  para com um outro estado (Brasil), e o pior um estado “amigo”… (por enquanto), ao dizer que a medida de chamar o embaixador brasileiro em Tel Aviv (por conta das recentes atrocidades israelenses na faixa de Gaza)  “era uma demonstração lamentável de como o Brasil, um gigante econômico e cultural, continua a ser um anão diplomático”; se há “estados-nanicos” pela extensão territorial, pela  economia ou pela  influência internacional (não necessariamente sobrepostos, uma vez que temos países pequenos e riquíssimos, ou muito influentes internacionalmente, como a Suíça, o Vaticano e o próprio Israel…), o Brasil não se enquadra em nenhuma das possibilidades de “nanismo-estatal”, é gigante em tamanho, em economia e  em influência internacional, se não é um “gigante diplomático”  (para citar a fala do “Speaker”  israelense) caminha a passos largos para isso…, não é a toa que acabamos de sediar uma Copa da FIFA, sediaremos as próximas Olimpíadas, comandamos uma força de Paz da ONU (passo decisivo para a pleiteada cadeira permanente no Conselho de Segurança (CS) da ONU) e fazemos parte ombro a ombro de uma coalização econômica (BRICS) que reúne duas enormes superpotências mundiais (China e Rússia… não por coincidência membros permanentes do CS da ONU) e duas potências superestratégicas em Ásia e África (Índia e África do Sul), coalizão que mudará a face geopolítica do mundo, nem falemos em G8, e nas excelentes relações que o Brasil mantém com países ricos e pobres de todo o planeta… .

Israel com seu “terrorismo de estado” (não tem outro nome para as atrocidades em Gaza cometidas contra uma população civil, usando uma poderosa máquina de guerra de forma desproporcional e covarde),  já não gozava da simpatia do mundo árabe, agora ultrapassou total e inequivocamente os limites da “auto-defesa”  e já não angaria mais a simpatia mundial à exceção de alguns “sionistas convictos” e anti-islamitas em geral e é óbvio dos governos que mantém Israel como “ponta de lança” no oriente médio…, com mais essas atitudes arrogantes está perdendo e vai perder todo e qualquer apoio dos “amigos”  e ver os “neutros” tomarem partido contrário.

Vamos ver quem é  verdadeiramente o “anão diplomático”…  .

Ver matéria motivadora do post : http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/07/israel-lamenta-decisao-do-brasil-de-convocar-embaixador-em-tel-aviv.html

Justiça feita

arma-candomblé

Imagino que devido a repercussão midiática todos lembrem o caso do juiz federal, que em decisão sobre retirada do youtube de vídeos de intolerância religiosa contra as religiões de matriz africana, afirmou que as mesmas “não se tratavam de religiões” e que o direito à livre expressão e crença permitia a manutenção do vídeos online,  se retratando depois com relação ao “ser religiões”, mas não com relação a manutenção dos vídeos.

Pois bem,  o que passou bem discretamente pela mídia,  foi  a derrota sofrida pelos intolerantes, na instância de recurso do TRF-2 por meio de liminar (veja detalhes aqui na matéria do Estadão : TRF  manda Google, retirar vídeos  de intolerância religiosa), mas a coisa não vai ficar só por ai… aguardem “cenas dos próximos capítulos”.

Agora…, o impressionante mesmo nas notícias brasileiras sobre racismo, intolerâncias, ou ações afirmativas(AA) são sempre os comentários…, como tem gente reacionária e “cara-de-pau” que mesmo contra as evidências e a lógica, insiste na “justificação” das ofensas e injustiças racistas e intolerantes e na manutenção do “não façam nada, deixe tudo como está”  (principalmente quando se trata de AAs) a partir de argumentos falaciosos e uma interpretação deturpada do direito e liberdade de expressão e mesmo da igualdade.

Por outro lado, não precisava tanta “polêmica jurídica”, nem “altos estudos teóricos” para determinar o que é claro, simples e está  “com todas as letras” no nosso próprio arcabouço jurídico nacional…

LEI Nº 12.288, DE 20 DE JULHO DE 2010. (Estatuto da Igualdade Racial)

Art. 26. O poder público adotará as medidas necessárias para o combate à intolerância com as religiões de matrizes africanas e à discriminação de seus seguidores, especialmente com o objetivo de:

I – coibir a utilização dos meios de comunicação social para a difusão de proposições, imagens ou abordagens que exponham pessoa ou grupo ao ódio ou ao desprezo por motivos fundados na religiosidade de matrizes africanas;

(Apenas tal artigo já seria suficiente para embasar a decisão pela retirada de vídeos típicos de intolerância…, pode qualquer decisão ignorar ou ir contra uma lei clara e aplicável ???? )

LEI Nº 9.459, DE 13 DE MAIO DE 1997. (Altera o CP)

“Art. 1º Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.”

“Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.

Ou seja, o direito a “livre expressão” deixa de se-lo, quando se encaixa perfeitamente na descrição de um crime…, a lei está ai e é claríssima, não enxerga ou não cumpre quem não quer…, só não vai dar mais para contar com  plena impunidade nem “complacência judiciária”, novos tempos…

O MEC e o Mestrados “a distância”

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No já longínquo final de 2005, quando o Decreto n o 5.622, de 19 de dezembro de 2005 veio à luz,  finalmente pré-regulamentando os mestrados via EAD (previstos desde a LDB de 1996), muita gente acreditou que dali a 180 dias (prazo dado para que a CAPES conclui-se o detalhamento da regulamentação) o cenário da pós-graduação stricto sensu em fim seria democratizado, ledo engano… .

Idas e vindas da legislação e nada de mestrados a distância nas mais variadas áreas se tornarem realidade no Brasil…, a CAPES (a grande “entravadora” da questão) acabou ironicamente recebendo a incumbência de “cuidar” da EAD no ensino superior.

Depois de muuuitooossss anos finalmente, a UAB-Universidade Aberta do Brasil (na realidade um pool de universidades públicas) recebeu  autorização para um mestrado “a distância”, só que além de ser semi-presencial (e com uma exigência de presença elevada), a área escolhida foi matemática,  área diversa das desejadas  pelos potenciais interessados, projeto  direcionado exclusivamente para professores do ensino básico da rede pública…  o PROFMAT, para piorar o mestrado recebeu a pecha de “profissionalizante” (em tese não aplicável para o magistério superior…, mas sim para qualificação de exercícios profissionais que não a docência), fica a pergunta:  se o mestrado é para professores que obviamente atuam na docência, por qual motivo é “profissionalizante” ??? ; a resposta talvez seja :  “Para evitar que os novos mestres, façam o que em tese é a função precípua dos mestres, lecionar em nível superior (muito embora haja quem entenda que mestre é tão somente um pesquisador, um “pré-doutor”)  e “invadir” o reduto dos  “acadêmicos”…   ” (reserva de mercado ????) ; depois do super interessante PROFMAT,  veio o Mestrado profissionalizante em Letras e nos mesmos moldes o PROFARTES, voltado para professores de artes… .

Enquanto isso…, nada de autorizações de mestrados de interesse geral (e com maior assincronia, com o formato online majoritariamente e as atividades presenciais minímas exigidas por lei), muito menos sem o “apartheid profissionalizante”, com isso gerações de  profissionais  já graduados  que poderiam já serem  mestres ou doutores, continuam tendo que depender exclusivamente do PPGs (programas de pós-graduação) presenciais das universidades públicas (oferta relativamente baixa e de seleção tradicionalmente excludente…) ou dos caríssimos de algumas intituições privadas topo de linha…, eventualmente se arriscando em algum curso estrangeiro (preferencialmente do Mercosul) de custos muito menores e maior flexibilidade, mas sem garantias de revalidação no Brasil… .

Eu falando de futebol ? INÉDITO !

HolandaXBrasil

Resultado do jogo de despedida do Brasil na Copa 2014, depois do acachapante 7×1 levado da Alemanha.

Pois é…, quem acompanha o blog e quem me conhece  fora do ciberespaço, sabe que futebol não é “minha praia”, não jogo, não sou torcedor de nenhum time,  não uso camisa de time (só usei camiseta da seleção quando morei um tempinho fora do país, não pelo futebol, mas como destacador da minha “brasilidade”), não assisto jogos, evito noticiário sobre e discussões futebolísticas; assisto sim algumas  partidas das copas (afinal até o Obama, de um país que não tem o futebol como grande esporte assistiu ao menos um jogo nessa…),  em geral assisto os dois jogos “valendo” de Camarões (tomei simpatia pela seleção na copa de 90, quando foi muito melhor que o Brasil) e algumas partidas  decisivas do Brasil.

Não vou aqui comentar lances, nem escalações, nem tática…, isso não me apetece nem me compete, vou apenas falar da gestão do futebol, esporte que mexe tanto com o brasileiro.

Desde que vim ao mundo, transcorreram 13 copas (12 eu acompanhei, a de 70 para a frente), a configuração do quadro mundial das seleções mudou bastante, novas potências surgiram, velhas potências se esmaeceram e outras literalmente desapareceram, como a extinta Iugoslávia (que se transformou em um monte de países, entre eles a Croácia), os árabes, asiáticos e os africanos entraram no jogo… e até o “impermeável” EUA;  durante um bom tempo existia “time bobo”, daqueles em que não havia estrelas jogando fora dos seus países com contratos milionários, mais do que um grande negócio, futebol era então “apenas” um esporte, entusiasticamente jogado tanto  por craques memoráveis  quanto apagados “pernas-de-pau” (logicamente os melhores de cada pátria), nesse período, os clubes se internacionalizaram com atletas de outros países, os técnicos começaram a correr mundo também, gerando memes imperdíveis como o famoso inglês do Joel Santana, três dos cinco títulos brasileiros foram conquistados nesse período,  no qual o Brasil solidificou a imagem de “mostro sagrado” do futebol, e além do velho e conhecido “Rei” Pelé (ignoremos as reivindicações  argentinas :-) ), passou a ser referenciado também por outros “Reis”, “Imperadores”, “Fenômenos” e o que o valha .

Basicamente o que eu quero dizer, é que o futebol mudou, os “bobos” não existem mais, ninguém mais treme só de ver a “amarelinha” (nem pensa duas vezes antes de “descer o cacete” em um “superastro” mundial da bola) , o “futebol-negócio”  é um Show Business, e todo show exige mais do que talentos GESTÃO, não qualquer gestão, mas gestão moderna e acima de tudo EFICIENTE, e um dos caminhos para isso é a renovação e atualização, não “entendo” nada de futebol pois não acompanho interessadamente, inevitavelmente ouço algo sobre “alta cartolagem” brasileira, na FIFA ou CBF (antes era CBD), e só me vem à cabeça dois nomes,  Havelange e Teixeira (sério, não conheço outros e isso em 46 anos…), comissão técnica para mim é sempre um susto, o técnico da década de 70 está ativo em outro cargo já no século XXI, assim como me assusto com a mistura de técnicos de várias gerações no mesmo banco…, parece não haver aposentadorias nessa área, tudo é um grande “Déjà Vu”… .

Dizer que grandes seleções “caíram” antes da nossa, não é argumento razoável, para quem detém o maior número de títulos mundiais da história e até essa copa mantinha recordes de produtividade em campo, além do mais,  as grandes que caíram não o fizeram com  tão triste  intensidade e forma (e em casa com tudo a favor).

A promiscuidade entre poderosos da mídia e a CBF, a elite de cartolas e políticos associados, atravanca o futebol brasileiro, coisas como jogos as 10 da noite para não atrapalhar horário de novela, insistência em não renovar na comissão técnica, e sei lá mais o que rola…, foi fatal para a seleção de futebol, é como aquele jogo de queda de dominó, vimos a última pedra cair, mas isso começou  lá atrás … .

As vésperas da grande  final  da “Copa das Copas”  podemos dizer que foi um grande sucesso, lição de casa feita e nota com estrelinha, mas com relação ao nosso futebol, sem mudanças na gestão vai continuar a  reprovação certa … .

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