Programa Barriga Zero [Started ON]

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Apesar da “ajuda” do DNA, que desde sempre manteve a aparência jovial e o corpo sem evidências visuais gritantes da passagem célere das décadas, o  meio século de existência parece que “destravou”  o limite do peso e das formas (e trouxe junto os inconvenientes de saúde relacionados), coisa aliás esperada para todos que tem uma vida sedentária.

Como não sou muito fã de esportes, muito menos adepto da malhação em academias (sei lá, não me apetece o ambiente de “culto ao corpo”, nem as futilidades da “sociabilidade made in gym” ), optei por retomar as soluções caseiras e independentes de “fitness”, com algumas alterações… (esteira, bicicleta ergo, uns exercícios lights e “dançar” ), a ideia é só perder peso e melhorar o condicionamento, nada de ficar “fortão”.

Para quem está pensando em fazer o mesmo, recomendo umas coisinhas que podem ajudar :

1º – Se você vai usar esteira (e se sua esteira é nova e está com tudo funcionando), poderá contar com os controles e indicadores básicos do próprio equipamento (velocidade da caminhada/corrida, tempo da atividade, “distância” percorrida, calorias eliminadas e controle de batimentos cardíacos), mas se por algum motivo esses controles não estiverem  disponíveis, ou você vai caminhar/correr fora de casa, pode contar com vários aplicativos para Smartphone que fazem isso, os pedômetros (que calculam tudo isso a partir das vibrações e movimentos percebidos pelo acelerômetro que a maioria dos smartphones atuais possuem), ou seja, eles contam seus passos e a partir dai calculam todo o resto, para quem usa Samsung (Android) sugiro o freeware RUNTASTIC PEDOMETER ( e aqui a versão paga, que custa só R$ 5,08  e vale muito a pena), ah! e se você por acaso você anda sendo “cobrado” ou “zoado” pelos amigos porque ninguém te vê se exercitando, no final da sessão o aplicativo pode postar no seu facebook, o que você fez…

pedometro-result

2º – Na esteira, em outro equipamento ou  em atividades ao ar livre, uma musiquinha é sempre recomendável…, aliás musiquinha não, umas POWERSONGS, músicas que te animam a realizar o exercício com mais ânimo…, você pode fazer download e  curtir no som de casa, em um dispositivo móvel de som, ou no próprio smartphone, e se estiver em casa pode ainda aproveitar o WiFi e  usar uma playlist online ( inclusive com vídeo) a partir do computador ligado a um conjunto de caixas de som, de tablets (dá para por na frente da esteira) ou mesmo do smartphone, tem muitas listas por ai, eu particularmente gostei dessa aqui.

Ah! acho que não preciso dizer que  seria muito interessante avaliar suas condições de saúde antes de sair fazendo exercícios loucamente, se não fizer os exames  pelo menos “pegue bem leve” de início e  vá aumentando o nível de esforço lenta e gradualmente, respeitando muito os seus limites.

Bom, basicamente é isso.

Driblando Tsunâmis …

Morro de Arica, costa norte do Chile.

Morro de Arica, costa norte do Chile.

Segunda vez que ocorre um Tsunâmi pouco tempo depois de eu ter visitado um lugar, a primeira vez foi no oceano índico em 2004 na costa  meio-norte de Moçambique (que  foi pouquíssimo atingida é verdade, mas foi), porém  todo mundo lembra do que aconteceu um pouco mais “para cima”,  na asiática Tailândia na ocasião…

Agora foi  a vez do oceano pacífico…, na costa do Chile (principalmente na extremo norte, que foi justamente onde passei a virada do ano novo…), a presidente chilena declarou a região “área de desastre”, ocorreram 6 mortes (a maioria literalmente de susto, causando infartos fulminantes), vide matéria no G1 .

Iquique e Arica (cidade onde passei o reveillon) foram evacuadas, e no morro de Arica (onde tirei a foto acima, teve um grande deslizamento de terra…),  eu já tinha até me esquecido, mas uma das coisas que me ‘intrigaram” em Arica, foi justamente as placas de “área livre de tsunâmi” ou “rota de fuga”, de fato não estavam lá por brincadeira ou “exagero”…  :-) .

#partiumestrado

Finalmente após as providências burocráticas e o período de recesso de aulas que antecedeu o início do período letivo 2014 na UFAM, cá estamos em atividades.

As primeiras aulas ocorreram não no mestrado em História (que tem aula inaugural dia 28/03), mas no de Sociologia, o motivo é que pelo fato de vir academicamente de áreas “alienígenas” às Ciências Sociais (apesar de por conta própria sempre ter estudado temas e autores e debatido no âmbito delas), achei interessante fazer como disciplina optativa METODOLOGIA DAS CIÊNCIAS SOCIAIS, não apenas como um “nivelamento” a fim de dar mais base à formação central, mas também como forma de efetivar um caro paradigma pessoal que é a interdisciplinaridade… .

Aproveitei também para iniciar “o trânsito” em outros PPGs das Ciências Sociais como o Sociedade e Cultura da Amazônia, onde assisti a aula inaugural proferida por professores do PPGSCA, Renan Freitas (emérito), Marilene Corrêa e a convidada da UNICAMP Elide Rugai Bastos (todos tiveram como mestres e orientadores nada mais nada menos que os “legendários” da Sociologia brazuca, os USPianos Otávio Ianni  e Florestan Fernandes) e transitam muito bem em temas pelos quais tenho muito interesse como relações raciais e pensamento social brasileiro.

Estou gostando muito e a minha professora de Metodologia das Ciências Sociais, é “fera”, com um curriculum e bagagens teórica e prática que dão um sentido muito interessante à formação, vale a pena conhecer só pela história de vida…, mulher negra, nascida em seringal no meio da Amazônia e que atingiu os píncaros da vida acadêmica (tendo sido inclusive Reitora), veja o vídeo abaixo, da série “A Ciência que eu faço” onde ela fala da sua trajetória.

Com o avanço do curso vou mostrando os de outros professores, como o da minha caríssima orientadora Prof. Dra. Patricia Sampaio.

O Bessa tá certo… (de novo)

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Logo do Blog referido

Apenas socializando mais um excelente texto do José Ribamar Bessa Feire, agora sobre recursos hídricos e sua malversação, ANA E OS LADRÕES DE ÁGUA : http://www.taquiprati.com.br/cronica.php?ident=1079

“Todo camburão tem um pouco de navio negreiro”

Cláudia-arrastada

A frase/título retirada da música  “TODO CAMBURÃO TEM UM POUCO DE NAVIO NEGREIRO” com  LETRA  de  MARCELO YUKA,  sucesso da banda O RAPPA, se demonstra mais que uma crítica em forma de poesia, é de uma atualidade/literalidade cruel e absurda quando nos chegam as notícias e imagens do caso da dona de casa e auxiliar de limpeza Cláudia da Silva Ferreira  (38 anos e negra), baleada em confronto entre policiais e supostos criminosos  no Rio de Janeiro (vide mais detalhes) quando saía de casa para comprar pão,  depois de baleada foi jogada no camburão de uma viatura (a mídia e o Comando da PMERJ tem usado eufemisticamente o termo “porta-malas” da viatura) à guisa de socorro (socorro esse que deveria ter sido feito por ambulância, não como foi feito), como se não fosse já trágico o suficiente, a porta traseira do camburão se abriu durante o deslocamento até o hospital, tendo o corpo desacordado de Cláudia, caído e ficado preso por parte da roupa da mesma, sendo arrastada pelo asfalto por cerca de 250 metros, ferindo ainda mais a dona de casa, que segundo o hospital já chegou morta.

Para quem ainda não entendeu o título da postagem nem viu qualquer relação entre a fatalidade e práticas racistas, algumas observações :

1- Nos navios negreiros o “transporte” era feito de forma “organizadamente desumana”, o número de vidas perdidas nas travessias pela simples forma das condições como o transporte e as vilanias durante o mesmo se davam, era imenso.

2- O procedimento policial descuidado que causou o baleamento de Cláudia, em outro local que não uma comunidade quase que virtualmente toda habitada por pessoas negras (e não coincidentemente também pobres), seria muitíssimo provavelmente outro… .

3- O procedimento policial de jogar sem maiores cuidados uma vítima no camburão mesmo a guisa de “socorro mais rápido”, é extremamente provável que não ocorreria em situação “diferente”, mesmo com o risco de morte aumentado, a ambulância teria sido a escolha… (aliás não seria nem caso de escolha…, o que dizem os procedimentos policiais determinados para socorro de “alvos colaterais” ??? ).

4- O “cuidado” com a vítima socorrida era “tanto”, que o camburão se abriu, a vítima caiu, foi arrastada por um quarto de quilômetro em via urbana e simplesmente os policiais não perceberam (ou perceberam muitíssimo tarde), isso aconteceria em uma situação em que vítima tivesse um “perfil” diferente ? .

Por fim um trecho da poesia  Navio Negreiro, de Castro Alves :

“Era um sonho dantesco… o tombadilho 
Que das luzernas avermelha o brilho. 
Em sangue a se banhar. 
Tinir de ferros… estalar de açoite… 
Legiões de homens negros como a noite, 
Horrendos a dançar…

Negras mulheres, suspendendo às tetas 
Magras crianças, cujas bocas pretas 
Rega o sangue das mães: 
Outras moças, mas nuas e espantadas, 
No turbilhão de espectros arrastadas, 
Em ânsia e mágoa vãs! “

Os reflexos de toda a saga trágica que foi o tráfico negreiro transatlântico e toda a História da escravidão e sua abolição mal feita, fazem com que ainda hoje se possa ver que de fato “todo camburão tem um pouco de navio negreiro”.

Enfim, essas coisas que envolvem a questão, não são tão diretas e declaradas como imaginam os que não são familiarizados com essa realidade ou pelo menos com a discussão temática sobre ele, tem que saber “ler nas entrelinhas”, “amarrar as pontas” ou seja, fazer as conexões certas, a partir de informações e conhecimentos mais elaborados sobre a questão.

Quando os Antropólogos enxergam além de índios…

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Quero de antemão esclarecer que a presente postagem não é um libelo contra os antropólogos em geral,  nem uma crítica negativa, muito pelo contrário,  é uma manifestação de reconhecimento  de que alguns (talvez muitos), não estejam “travados” nos temas comuns e majoritários da classe e  estejam verdadeiramente imbuídos da essência não apenas da Ciência Antropológica, mas das ciências em geral…, que é grossus modus, entender o homem em toda a sua diversidade e complexidade e os ambientes e conjunturas no qual está ou esteve inserido, relacionado ou pode vir a se inserir, devolvendo isso em forma de sistematizações, tecnologias, e estímulo a reflexões e práticas que venham a beneficiar e desenvolver a humanidade (e obviamente todo o sistema envolvente em que ela está inserida e necessita para sobreviver).

O motivo da postagem é  devido a uma bela entrevista que li há pouco, sob o título de A escravidão venceu no Brasil. Nunca foi abolida, do reconhecido Antropólogo brasileiro, Eduardo Viveiros de Castro ( com o qual nunca tive contato através de suas obras, nem dos canais acadêmicos, mas através  dessa maravilha democratizadora que coloca “in touch” gente “comum” com sumidades e celebridades antes pouco acessíveis, que são as redes sociais, acompanhando e eventualmente interagindo pelo Twitter não apenas com ele, mas diversos outr@s intelectuais respeitadíssimos que se manifestam em rede aberta ).

Importante também frisar que apesar do título do post, aparentemente um tanto generalizante e até mesmo “belicoso”, reconhecemos que há sim muitos antropólogos (não obstante estar havendo inclusão de pesquisadores indígenas) que escapam da tradicional tendência de estudar quase que exclusivamente o homem fora da própria sociedade do pesquisador (branco), aquela coisa meio “Indiana Jones” ou “Hiram Bingham” de estar sempre atrás de povos “exóticos”, “distantes”, quiça “alienígenas” apesar de muitas vezes nativos; em missão que na observação leiga (pelo menos do senso comum e dos que estão extramuros da academia especializada) por vezes parece “inconciliavelmente” oposta à atribuída aos Sociólogos e outros ramos das Ciências Sociais, que seriam então os incumbidos de “olhar para dentro” da própria sociedade do pesquisador (imaginando também de acordo com o senso comum que as “sociedades envolvidas” seriam então um “universo completamente à parte” da sociedade envolvente, o que obviamente é falacioso) . Esse último bloco de observações leva em conta também o fato de eu estar situado na região amazônica…, obviamente não é uma realidade absoluta que os antropólogos amazônidas não enxerguem nada além de indígenas e questões ambientais (em um universo de questões tão diversas), mas que parece, parece… .

Preâmbulo longo para um texto que deve se encerrar pouco depois do mesmo, mas o que queria dizer mesmo, é que é muito interessante ver um Antropólogo moderno e que não está no reduzido rol dos popularmente conhecidos por suas intervenções midiáticas em debates recentes da temática racial [notadamente a afrobrasileira e cotas universitárias], (apenas para citar os mais conhecidos como Munanga, Carvalho, Segato, Sansone  de um lado e Fry,  Maggie, Schwarcz, Lewgoy ,Durham do outro), trabalhando em texto questões fundantes como a relação D. Pedro II/ Gobineau, a política nacional de branqueamento, mentalidade/cultura escravocrata, bem como manifestações populares, juventude, nova classe média, redes sociais… e inclusive índios (mas não tão somente). Aproveito para indicar no seguinte link  um artigo bem interessante sobre essa questão da “má vontade antropológica”  para com algumas questões nacionais também relevantes.

Como acompanho Viveiros de Castro no Twitter, sei que é prática comum dele refletir  e se manifestar sobre outros assuntos de relevância social, política, nacional e internacional, seria muito bom que outros Antropólogos (menos famosos) e principalmente os amazônidas, se colocassem nos debates e questões de forma mais ampla e diversa (fomentando isso inclusive dentro das linhas de pesquisa de seus PPGs), enxergando TAMBÉM para além (das importantes, justas  e muito válidas, mas não únicas) questões indígenas.